<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361</id><updated>2011-10-27T11:06:49.835-02:00</updated><title type='text'>PALLADIO</title><subtitle type='html'>Este Blog é voltado, principalmente, para a discussão de temas relativos a Arquitetura e Urbanismo, podendo,eventualmente, servir para a publicaçao de meus desenhos, poesias, contos, etc.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>96</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-6110999751160638534</id><published>2010-07-28T21:19:00.005-03:00</published><updated>2010-08-05T20:53:35.811-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O "AFFAIR" COLÔMBIA - VENEZUELA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste último e grave incidente diplomático entre a Colômbia e a Venezuela, a ação do governo brasileiro (leia-se governo Lula) deve se pautar pela noção de que a principal ameaça à soberania de nosso país, no século XXI, virá dos Estados Unidos, potência nuclear com inequívoca vocação imperialista desde os idos tempos de Teddy "Big Stick" Roosevelt. Trata-se de um país armado até os dentes, que se envolve em uma nova guerra a cada aproximadamente três anos para manter seus interesses geopolíticos, mantendo ostensivamente dezenas de bases militares e frotas de guerra ao redor do mundo. Com a previsível escassez de recursos naturais devido a exploração brutal, por parte do capitalismo, dos bens da natureza, a tendência dos EUA será cada vez mais assegurar a posse destes recursos porventura ainda existentes para si, mantendo assim seu padrão de consumo alucinado e predatório. Um dos meus piores pesadelos é o da CIA, ou outro organismo ianque qualquer, organizando por baixo do pano uma falsa nação de índios na Amazônia que um dia virá a se declarar oprimida como grupo étnico pelo Brasil, pedindo a intervenção "salvadora" dos norte-americanos - e aí, tchau! Amazônia, pois as bases militares já estão lá, na Colômbia, para este fim, o da anexação como estado vassalo dos Estados Unidos da nossa imensa área de floresta tropical. E assim perderemos uma das mais ricas províncias minerais do mundo, enormes reservas de água doce e de bio-diversidade. Todo cuidado é pouco, pois lidamos com um estado arrogante e sem escrúpulos e que possui o poderio militar necessário para nos fazer regredir à idade da pedra. É assustador mas verdadeiro, real. A ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. - Leio na Web que um novo cemitério clandestino foi recém descoberto na Colômbia, uma vala comum com milhares de cadáveres não identificados, ali enterrados por grupos paramilitares que apoiam o regime vigente - os "Mortos sem Sepultura" de Sartre. A Colômbia já contabiliza 25.000 "desaparecidos"  (fora os mortos oficialmente reconhecidos" pelo estado) nos últimos anos e os EUA ocupam com bases militares o país e financiam seu governo de extrema-direita sabedores desta grave violação dos  direitos humanos, enquanto vilipendiam a vizinha Venezuela por seu governo socialista (bolivarista), onde não esiste sequer um desaparecido político!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-6110999751160638534?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/6110999751160638534/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=6110999751160638534' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/6110999751160638534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/6110999751160638534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2010/07/o-affair-colombia-venezuela-neste-grave.html' title=''/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-127130092676140408</id><published>2010-07-26T23:57:00.006-03:00</published><updated>2010-08-05T21:02:22.122-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;                                 FINITUDE&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                 Uma falsa luz acendeu-se&lt;br /&gt;                                 Na raiz dos meus olhos.&lt;br /&gt;                                 Não era o brilho da vida,&lt;br /&gt;                                 Era o lume da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                 Uma forma mutante,&lt;br /&gt;                                 Agressivamente primitiva,&lt;br /&gt;                                 Cresceu no curto espaço-&lt;br /&gt;                                 Abrigo do pensamento &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                 E moldou um diamante&lt;br /&gt;                                 De agudas pontas coloridas&lt;br /&gt;                                 Pulsando compassadamente&lt;br /&gt;                                 Em um campo outrora são,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                 Abrindo assim o caminho&lt;br /&gt;                                 Que leva à finitude,&lt;br /&gt;                                 Selando-me a esperança&lt;br /&gt;                                 De uma curta eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                 Não temo a perda da razão&lt;br /&gt;                                 No corpo deteriorado,&lt;br /&gt;                                 Temo a permanência lúcida&lt;br /&gt;                                 Em um corpo paralisado,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                 Ver presa a consciência&lt;br /&gt;                                 Em sarcófago de carne,&lt;br /&gt;                                 A sobrevida cumprida&lt;br /&gt;                                 No cárcere de células frias.&lt;br /&gt;                                 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                 Que venha então o sopro da morte&lt;br /&gt;                                 E me leve sem sofrimento&lt;br /&gt;                                 Para um sono além do fim&lt;br /&gt;                                 Que encerre o (meu) tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                 Melhor assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-127130092676140408?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/127130092676140408/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=127130092676140408' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/127130092676140408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/127130092676140408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2010/07/o-fim-da-luz-uma-falsa-luz-acendeu-se.html' title=''/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-883234589785948858</id><published>2010-05-24T19:34:00.006-03:00</published><updated>2010-05-24T19:52:09.422-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;PESADELO&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a noite do desassossego &lt;br /&gt;Esta é a noite da inquietude,&lt;br /&gt;Quando acordas para o susto,&lt;br /&gt;Burguês;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a noite do provável,&lt;br /&gt;Esta é a noite do possível,&lt;br /&gt;Quando  pressentes a favela,&lt;br /&gt;Burguês;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a noite do esperado,&lt;br /&gt;Esta é a noite do acontecido.&lt;br /&gt;Quando ouves o ruído nos campos,&lt;br /&gt;Burguês;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a noite do inverso,&lt;br /&gt;Esta é a noite do oposto,&lt;br /&gt;Quando enxergas o vermelho,&lt;br /&gt;Burguês;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a noite dos teus demônios,&lt;br /&gt;Esta é a noite dos teus tormentos,&lt;br /&gt;Quando enfim sentes medo,&lt;br /&gt;Burguês;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que clamor incessante é este,&lt;br /&gt;Que procissão desmedida é esta&lt;br /&gt;Que vês aproximar-se de ti,&lt;br /&gt;Burguês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentes a presença do mal,&lt;br /&gt;Vês a foice e o martelo,&lt;br /&gt;Ouves o povo na rua,&lt;br /&gt;Burguês;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queres voltar ao sono,&lt;br /&gt;Queres voltar ao sonho,&lt;br /&gt;Queres fugir e não podes&lt;br /&gt;Burguês;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negas tudo o que tens,&lt;br /&gt;Negas tudo o que sabes&lt;br /&gt;Mas a voz lá fora não cala,&lt;br /&gt;Burguês;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há soldados na praça,&lt;br /&gt;Não há metralha na esquina,&lt;br /&gt;Não há quem mais te socorra,&lt;br /&gt;Estás só,&lt;br /&gt;Burguês&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-883234589785948858?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/883234589785948858/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=883234589785948858' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/883234589785948858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/883234589785948858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2010/05/pesadelo-esta-e-noite-do-desassossego.html' title=''/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-7636221237908993838</id><published>2010-04-10T19:24:00.003-03:00</published><updated>2010-04-10T20:02:22.193-03:00</updated><title type='text'>LACERDA OU O "CORVO" - QUE NÂO FIQUEM DÙVIDAS</title><content type='html'>Carlos Lacerda destruiu, acabou com a cidade do Rio de Janeiro, tal como a conhecemos nós, os da minha geração, cidade esta harmoniosamente construida entre o o Oceano Atlântico e as montanhas do maciço da Serra da Carioca, cobertas pelas árvores da floresta da Tijuca. Sua (do Corvo) criminosa atuação acabando com os antigos gabaritos que regulavam sua (da cidade) tipologia urbana, tão humana e agradável, de feição européia, e liberando a altura dos edifícios para satisfazer os propósitos da especulação imobiliária, criando um “skyline” à maneira do “laissez faire” urbano das cidades do capitalismo norte-americano, é imperdoável. A solução que pretendeu dar para as favelas, absurdo hoje reabilitado pela direita raivosa tupiniquim, foi executada por sua truculenta secretária de habitação Sandra Cavalcanti, que mandou incendiar a “Praia do Pinto”, no Leblon, levando seus moradores desabrigados para o longínquo subúrbio de Cidade de Deus, além de Jacarépaguá ( à dezenas de quilômetros do assentamento original), de triste memória. A população assim forçada a migrar perdeu seus empregos, seus vínculos com a cidade, seus hábitos, seus ritos consagrados, sendo levada, pela falta de trabalho e raízes sólidas com o território, à desagregação familiar, à violência, ao tráfico de drogas e ao crime. No local antes ocupado pelos trabalhadores foi erigida a “Selva de Pedra” um dos piores exemplos de exploração imobiliária do país. O governo Carlos Lacerda no Riode Janeiro foi uma tragédia da qual a cidade nunca mais se recuperou. Vergonha para ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-7636221237908993838?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/7636221237908993838/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=7636221237908993838' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/7636221237908993838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/7636221237908993838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2010/04/carlos-lacerda-versus-rio-de-janeiro.html' title='LACERDA OU O &quot;CORVO&quot; - QUE NÂO FIQUEM DÙVIDAS'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-9117527601145811345</id><published>2010-03-22T12:22:00.002-03:00</published><updated>2010-03-22T12:26:59.261-03:00</updated><title type='text'>Cais do Porto em POA</title><content type='html'>Porto POA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo que vejo, Porto Alegre não foge ao destino das grandes metrópoles deste país que é o de verem seus Centros Históricos decaírem pela perda da função Habitação, causada pela fuga de sua população original – a alta classe média – para bairros deles afastados. Tal fato se dá devido à tendência da burguesia de isolar-se das outras classes sociais de renda inferior à sua, ou falando em português claro, de manter a pobreza longe de seus condomínios luxuosos. Assim, na medida em que, paulatinamente, parte do comércio central e dos serviços passam a atender também os bairros da periferia, cuja população geralmente passa pelo local em seus deslocamentos diários aos locais de trabalho, os apartamentos de classe média vão sendo abandonados, permanecendo desde então desabitados e em processo de nítida deteriorização física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nos conta a Tânia, a este fenômeno urbano em POA, se acresce o do abandono da zona portuária anexa (como no Rio de Janeiro), formando um quadro de subutilização da em geral excelente rede de infra-estrutura destes locais. Estou convencido de que a solução para este problema está na restauração da função habitacional do Centro Histórico, valendo-se o Poder Público da desapropriação dos imóveis residenciais abandonados (função social da propriedade privada) para a implantação de moradias para as classes ditas “C” e “D” (até, digamos, três SM de renda), subsidiadas, quando for o caso. Imagino que o local já possui escolas públicas em número razoável (como em SP), bem como comércio (gerador de empregos locais) parques e praças e que se constitue em importante nó no sistema de transporte público da cidade, o que em muito facilitará o referido processo de renovação urbana (a existência destes equipamentos e infraestrutura são usuais em centros urbanos antigos0.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao cais do porto, a presença de uma zona central vizinha densamente habitada favoreceria a sua restauração, alguns dos seus armazéns poderiam ser transformados em quadras esportivas cobertas, centros de cultura e artesanato, sede de escolas de samba, etc.. Seria oportuna a tentativa de implantar o transporte fluvial mencionado pela Tânia, para trazer vida ao cais – também poderia se pensar em turismo aquático na Lagoa dos Patos; mas em traineiras à vela e não em lanchas envidraçadas e sofisticadas, por favor!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-9117527601145811345?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/9117527601145811345/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=9117527601145811345' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/9117527601145811345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/9117527601145811345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2010/03/cais-do-porto-em-poa.html' title='Cais do Porto em POA'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-7167951632051273886</id><published>2010-03-06T18:41:00.008-03:00</published><updated>2010-03-07T20:01:36.554-03:00</updated><title type='text'>COMENTÁRIOS E ANOTAÇÕES - 1</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Depois do Movimento Moderno&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Josep Maria Montaner&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhi alguns trechos deste livro de Montaner, para comentários, pelo seu caráter acentuadamente crítico ou polêmico. Acho "Depois da Arquitetura Moderna" um ótimo ensaio sobre o Modernismo e o assim chamado "Pós-Modernismo" (que para mim significa principalmente "Arquitetura do Neo-Liberalismo"), discordando apenas do valor que ele atribui a Robert Venturi e a arquitetura populista norte-americana a qual, divulgada massivamente por interêsses de dominação e poder dos EUA, espalhou-se como uma praga pelo resto do mundo, infeccionando irremediavelmente as cidades com "lixo ocidental pop".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“A Primeira Difusão da Arquitetura Moderna”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[... A sociedade não pode renunciar ao desejo de aperfeiçoamento contínuo de suas questões básicas. Se as vanguardas foram coerentes em sua necessidade de renovação radical, seus descendentes o foram com a vontade de ajustar a arquitetura à realidade...]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coerência maior e primeira estaria deste modo, em renovar a estrutura social e econômica da nossa sociedade tão desigual e injusta, pondo-se fim ao capitalismo e todas as suas formas de exploração do homem e da natureza – uma revolução. Acho que o desejo de aperfeiçoamento "das questões básicas" colocado por Montaner se refere tão somente ao conforto propiciado por novas tecnologias, algo para poucos, infelizmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O Estilo Internacional”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[... O mais grave é que para promover este Estilo Internacional falsamente unitário, os experimentos dos futuristas, dos construtivistas russos, do expressionismo alemão, da Escola de Amsterdã ou da arquitetura organicista, ficaram marginalizados e silenciados. Além disto, a pretensão de estabelecer uns cânones, uma linguagem, um estilo, estava em contradição com algumas idéias chaves de arquitetos como Gropius ou experiências como a Bauhaus...]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos anos se sabe do envolvimento da CIA, durante a guerra fria, na promoção externa da cultura norte-americana, alavancando figuras como Philip Johnson, Jackson Pollock, Ernest Hemingway, Louis Khan (apesar de todos terem luz própria), inclusive financiando o MOMA (que vergonha) com este propósito. Montaner está a par do assunto e cita, no final do capítulo, este texto de Benedeto Croce:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[... Tudo isto não é casual, obedecia a uma explícita política cultural norte-americana que a partir dos anos trinta tentará controlar o mundo da produção cultural e artística. Para isso era necessário estabelecer uma boa comunicação entre Europa e América do Norte. Por um lado, importar as contribuições européias, mas enfatizando os seus aspectos formais e diluindo suas características mais revolucionárias; e por outro exportar as novas correntes norte-americanas. A promoção do expressionismo abstrato pelo MOMA a partir de 1945, durante o período da guerra fria é a amostra mais clara do nada inocente uso que o poder fazia das correntes artísticas e arquitetônicas...]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Team 10”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[... Conforme mencionou-se, o ideal do "Team 10"¹ não era homogêneo senão que era composto por uma soma de idéias individuais de cada membro, idéias em muitos casos bastante contraditórias. De fato, este caráter democrático e liberal, que permitia em teoria a exposição de todo o tipo de idéias sobre arquitetura contemporânea, define a essência deste grupo..... De qualquer maneira, por detrás desta diversidade de visões existe um laço comum entre todos estes arquitetos que se expressa em sua visão da cidade – tentando recuperar a vida urbana da tradição – contemplando-a com respeito, mas com distância, sem nunca fazer citações literais, mas sim através da interpretação – da arquitetura – sobre a qual se propões essencialmente uma revisão formal – e do papel social do arquiteto..... E esta visão da cidade que defendem os Smithson, em sintonia com outros arquitetos ingleses e outros membros do "Team 10", baseia-se na idéia de que a cidade, além de ser contemplada com os olhos disciplinares de técnico, deve ser entendida como lugar de muitas outras manifestações humanas e materiais: o ambiente, a cor e a luz de cada canto da cidade, as pessoas e as crianças brincando, as árvores, os automóveis, os ônibus e as cabines telefônicas. Toda uma série de fenômenos e desenhos urbanos que são diferentes em cada cultura...].&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esta altura da história, até Le Corbusier, decepcionado com a indústria e o capitalismo, via com indiferença a “Carta de Atenas” (aliás, a obra do pós-guerra de LC, brutalista, era alvo de admiração por parte dos membros do "Team 10"); as experiências com a reconstrução das cidades européias segundo os cânones do urbanismo das vanguardas resultaram em desastres sociais e estéticos prontamente reconhecidos por dezenas de arquitetos além dos que compunham o "Team 10". Montaner procura nestes parágrafos, salientar a diferença dentre a postura do grupo (formado por arquitetos notáveis individualmente) e o neo-realismo de Aldo Rossi, o historicismo dos irmãos Krier e o populismo de Robert Venturi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“As Propostas Radicais: o Grupo Archigram”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;[... No campo da arquitetura, este otimismo tecnológico gera todo tipo de propostas, desde as mais pragmáticas até as mais fantasiosas...... As propostas mais exageradas neste campo são as do grupo Archigram, constituído na Grã-Bretanha em 1960. Este é formado pelos componentes de dois escritórios de arquitetura: por um lado, Peter Cook (1936), Dennis Crompton (1935) e Warren Chalk (1927-1987) e, por outro, David Greene (1937), Ron Herron (1930-1994) e Michael Webb (1937). O grupo edita a revista Archigram (1961-1970) que serve para divulgar seus panfletos e mostrar as imagens de seus projetos radicais e, em muitos casos, irrealizáveis...... Tudo isto nos mostra que, em diversos casos esta arquitetura parte de uma imitação superficial, evocativa, formal, epidérmica e camuflada do mundo da ciência e da tecnologia, e não de uma rigorosa interpretação das leis da engenharia, de um profundo conhecimento científico e experimental das possibilidades reais dos novos materiais e tecnologias, de uma clara consciência dos problemas estruturais das novas tipologias. Mas além de suas limitações e camuflagens, o Archigram e os arquitetos tecnológicos lançaram um desafio histórico: a arquitetura deve abandonar seu reduto artístico, artesanal e histórico e entrar no mundo da produção industrial sem escusas nem exigências de um trato especial. A arquitetura deve ser um produto mais ligado à indústria. Somente uma parte da arquitetura atual aceitará esta idéia. A maioria, desde Kahn até Rossi, passando por Venturi, seguirão defendendo os elementos culturais,históricos, humanos e diferenciados da arquitetura em relação às leis escritas da produção industrial e material...]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo ano em que surgiu o Archigram, do outro lado do mundo apareceram os metabolistas japoneses com utopias urbanas semelhantes, embora fortemente influenciadas, em sua parte estrutural, pelo brutalismo de Le Corbusier, mestre de Kenzo Tange. Ambos os grupos sobressaem-se, ao meu modo de ver, por produzirem projetos urbanos simplesmente inabitáveis, na sua época ou no futuro. A parte da arquitetura atual que levou adiante os princípios ideológicos do Archigram a qual se refere Montaner foi a corrente “&lt;em&gt;High-Tech&lt;/em&gt;”, principalmente a inglesa, cujos expoentes são Norman Foster, Richard Rogers, Michael Hopkins, Cedric Price, Ove Arup (Peter Rice e Martin Francis) e Renzo Piano, este último como “outsider”, podendo estes arquitetos ser considerados os filhos bem comportados e tecnicamente melhor preparados do Archigram. No entanto acho o “&lt;em&gt;High-Tech&lt;/em&gt;” uma arquitetura profundamente reacionária, embora bela, pois apenas uma minúscula parte da população global pode a ela ter acesso (grandes bancos e empresas, estados ricos, indivíduos milionários, etc.). A título de curiosidade lembro que a maioria absoluta das estruturas deste movimento foram calculadas por Peter Rice e os caixilhos desenhados por Martin Francis, o que me leva a perguntar – o que seria do “&lt;em&gt;High-Tech&lt;/em&gt;” sem estes dois? Além disto, não posso deixar de notar que os edifícios desta corrente frequentemente apresentam uma interface inamistosa para com seus usuários e com a própria cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“A Arquitetura da Cidade de Aldo Rossi”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;[.... As propostas destes arquitetos², que ao longo do tempo começaram a divergir, partiram em grande parte dos conceitos propostos por Rogers (Ernesto Nathan Rogers): as preexistências ambientais, o papel crucial da história da arquitetura, o centro de discussão sobre a tradição na cidade européia, a idéia de monumento, a responsabilidade do artista e do intelectual dentro da sociedade moderna, assim como o dever de continuar com o ensino dos mestres do movimento moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na metade dos anos sessenta começam a perder protagonismo determinados mestres italianos como Gardella, Albini, BPR, Quaroni e outros ao mesmo tempo em que esta nova geração de arquitetos entra em cena¹. Uma geração que considera a crítica e a história como instrumento de projeto, que entende a arquitetura como um processo de conhecimento e se recusa a separar teoria e realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O panorama italiano dos anos sessenta gera uma abundante quantidade de textos, críticas, manifestações e algumas obras emblemáticas. Entre todas as propostas a que terá mais influência será a de Aldo Rossi (1931-1997). As razões básicas serão o rigor e o interesse de seus escritos teóricos e o atrativo de sua linguagem pessoal arquitetônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;..... O edifício do bairro Gallaratese (Milão, paragigma desta fase madura de Rossi e dentro das coordenedas do chamado neo-racionalismo, expressa esta confiança nos critérios tipológicos e no trabalho de reflexão sobre a história. Rossi recorre a uma linguagem que, ao mesmo tempo em que entronca com os critérios propostos do classicismo ilustrado, também expressa inequívocas ressonâncias modernas, especialmente da tendência a abstração dos arquitetos da "nova objetividade" alemã como Hilberseimer, Schmidt e outros......De todas as maneiras, o fato de que o contíguo conjunto residencial de Carlo Aymonino (Montaner está comparando-o ao edifício de Aldo Rossi) tenha resistido muito mais ao passar do tempo desde um ponto de vista material diante da ruína atual do bloco de Rossi, nos mostra até que ponto sua obra pertence ao terreno dos desenhos e dos manifestos e carece a princípio de uma real qualidade tectônica e volumétrica..... As propostas de Rossi e Grassi possibilitam um processo de enriquecimento cultural a custa de uma certa redução e constrangimento do campo aberto pelas vanguardas. Existe também uma forte evolução em relação às propostas de seu mestre Rogers. Mesmo herdando este interesse neorealista pelo ofício, a procura de certezas leva a superar o conceito de préexistências ambientais através da pretendida visão científica, mas por outro lado mais rígida e acadêmica, baseada na análise dos tecidos urbanos e do instrumento da tipologia arquitetônica. Da visão dinâmica e fenomenológica de Rogers, passamos a uma visão estática. Diferentemente de Rossi, Grassi insiste com maior fervor - como Giorgio Muratório - que a procura de certezas conduz à defesa do ofício artesanal. As normas acadêmicas devem ajudar a transmissão e aperfeiçoamento da disciplina arquitetônica. Tafuri sinaliza, porém, que nem Rossi nem Grassi seguem rigorosamente a objetividade histórica que predicam, já que fazem da história uma leitura subjetiva e deformada&lt;/em&gt;...]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início do texto acima, Montaner relata o papel dos arquitetos que descolaram a arquitetura italiana da vertente principal do modernismo Europeu, sob a influência direta e evidente de Ernesto Nathan Rogers. Depois coloca-nos diante da velha dicotomia entre teoria e prática; os problemas na obra construída de Rossi diante da força da sua teoria. Aliás, problemas tectônicos, de construção, de obra mesmo, têm sido uma constante ao longo do Movimento Moderno, desde a Villa Savoya e as Maisons Citroen de LC até os edifícios atuais de Rem Koolhas e outros. Le Corbusier ainda tinha a desculpa de estar lidando com tecnologias incipientes, mas no caso de Koolhas a causa é o estrelismo que faz os arquitetos do “star-system” projetarem suas obras para serem fotografadas para publicação antes mesmo de inauguradas e depois as abandonam à ruína quase que certa, causada por deficiências projetuais. Outro aspecto que saliento foi a pouca compreensão das teorias de Rossi por grande parte dos arquitetos aqui da terrinha. Muitos de seus "filhos" tupiniquins, ignorando as diferenças históricas, de clima e tipológicas entre as cidades e a arquitetura do passado da Itália e do Brasil, cairam frequentemente na cópia e no pastiche desabusado e sem sentido. Em sua última fase no entanto, Rossi passou a dedicar mais atenção aos problemas construtivos, o que deu mais substância à sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo o que foi visto acima: a arquitetura evidentemente, comporta várias linguagens diferentes constituidas por códigos e símbolos ordenados por regras compositivas apropriadas e que se traduzem em imagens que transmitem mensagens. Estas podem ser para o leigo sinais de conforto, aconchego, luxo, riqueza, poder etc.; para o arquiteto e o historiador sua leitura pode indicar monumentalidade, funcionalidade, adequação ao contexto, solidez tectônica, de uso e por aí vai. A mensagem da beleza toca em maior ou menor grau os dois grupos acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A problema de comunicação surge quando a arquitetura é concebida apenas como imagem (resultado de uma linguagem perversa), sem nenhuma substância que não seja a capacidade  de transmitir mensagens com fins mercadológicos (a maior delas é &lt;strong&gt;compre-me&lt;/strong&gt;), ficando de lado  sua funcionalidade, seus aspectos tectônicos, estruturais, sua inserção no meio urbano, etc.. Para minha modesta pessoa, o grande sacerdote deste tipo de arquitetura é o Robert Venturi, que considero um grande oportunista (para não dizer um picareta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Alison e Peter Smithon, Aldo van Eyck, Jacob Bakema, George Candilis, Sadrach Woods, John Voelcker, William Howel, R. Gutmann, Giancarlo De Carlo, Alex Josic&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 – &lt;em&gt;Aldo Rossi, Carlo Aymonino, Manfredo Tafuri, Giorgio Grassi, Guido Canella, Vittorio Gregotti, Gae Aulenti, Marco Zanusso, Luciano Semerani e Giancarlo De Carlo, único italiano que se mantém como membro do Team 10.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Segue)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As gerações da Arquitetura Moderna, segundo Josep Maria Montaner:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;1ª geração&lt;/strong&gt; (as vanguardas), início da produção a partir de 1910:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walter Groupius/ Erik Gunnar Asplund/ Mies Van der Rohe/ Le Corbusier (Charles Edouard Jeanneret)/ Eric Mendelshon/ Gerrit Thomas Rietveld/ Hannes Meyer/ J. J. P. Oud/ Johannes Duiker/ Richard Neutra/ Hans Schmidt/ Hans Scharoun/ André Lurçat e outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arquitetos como Frank Lloyd Wright/ Tony Garnier/ Auguste Perret/ Bruno Taut e outros pertenciam a uma geração anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;2ª geração&lt;/strong&gt;, início da produção à partir de 1930&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alvar Aalto/ Joanes H. van der Broek/ Buckminster Fuller/ Josep Luis Sert/ Lucio Costa/ Marcel Breuer/ Arne Jacobsen/ Alfred Roth/ Giuseppe Terragni/ Egon Eiermann/ Junzo Sakakura/ Kunio Mayekewa/ Phillip Johnson/ Oscar Niemeyer/ Max Bill e outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;3ªgeração&lt;/strong&gt;, início da produção a partir de 1945.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louis I. Kahn/ Ernesto Nathan Rogers/ Carlo Scarpa?Ignacio Gardella/ John Leslie Martin/ Alfonso Eduardo Reidy/ Eero Saarinem/ Kenzo Tange/ Georges Candilis/ José Antonio Coderch/ Jerzy Soltan/ J. B. Bakema/ Ralph Erskine/ Denys Lasdun/ André Wogenscky/ Jörn Utzon/ Aldo van Eick/ Francisco Xavier Saenz de Oiza/ Giancarlo De Carlo/ Alex Josic/ Sadrach Woods/ Guillaume Jullian de la Fuente/ Kevin Roche/ Peter Denham Smithon/ Alison Margaret Smithon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;4ª geração&lt;/strong&gt;, início da produção a partir de 1960.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;James Stirling/ Sverre Fehn/ Robert Venturi/ Aldo Rossi/ Herman Hertzberger/ Álvaro Siza Vieira/ Oriol Bohigas/ Josep Martorell/ e acrescento eu: Vilanova Artigas, Paulo Mendes da Rocha e Joaquim Guedes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-7167951632051273886?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/7167951632051273886/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=7167951632051273886' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/7167951632051273886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/7167951632051273886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2010/03/comentarios-e-anotacoes-1.html' title='&lt;strong&gt;COMENTÁRIOS E ANOTAÇÕES - 1&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-2904455900370680866</id><published>2010-03-05T17:21:00.002-03:00</published><updated>2010-03-05T17:25:55.162-03:00</updated><title type='text'>"GREEN WASH"</title><content type='html'>Como era previsível há anos, a “ecologia” foi finalmente  encampada pelo mercado na forma de “&lt;em&gt;eco products&lt;/em&gt;” que agem muito superficialmente sobre os reais problemas referentes à exaustão da natureza (por sua exploração pelo  homem) e que visam primordialmente à acumulação de capital decorrente da  produção e venda de tais produtos, ancoradas em milionárias campanhas publicitárias destinada aos incautos de boa fé que caem no conto do “&lt;em&gt;green wash&lt;/em&gt;” que quer dizer, literalmente, lavagem verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos campos mais férteis para a aplicação desta jogada mercadológica é a construção civil, com a mistificação do edifício energeticamente sustentável pela certificação do “ecologicamente correto” através de “selos verdes” conferidos pelos fabricantes de materiais de construção ligados à indústria do “&lt;em&gt;green wash&lt;/em&gt;” como o selo do LEED.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O LEED (&lt;em&gt;Leadership in Energy and Enviromental Design&lt;/em&gt;) é gerenciado pelo USGBC (&lt;em&gt;United States Green Building Council&lt;/em&gt;), agência esta ligada às construtoras e a indústria da construção civil norte-americana; seus interesses não levam em conta aspectos como os de geografia, linguagem e contexto local das arquiteturas sobre as quais pretendem atuar. Por si só, esta agência se constitui em uma enorme hipocrisia em face da posição do governo de seu país nas Conferências Sobre o Meio Ambiente de Manila e Copenhague.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, esta certificação por selos serve às construtoras e incorporadoras como argumento de venda para seus crédulos clientes bem como justificativa para aumentar o custo das construções e consequentemente o lucro. Infelizmente, uma parte dos arquitetos tupiniquins aderiu entusiasticamente ao “&lt;em&gt;Green Wash&lt;/em&gt;” ignorando seu impacto sobre os aspectos sociais, culturais e o ambiente urbano onde atuam, além de ignorarem a pobreza e a distribuição de renda do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vemos também, ultimamente, a inclusão acrítica dos conceitos de sustentabilidade nos concursos públicos de arquitetura quando, por um lado, uma arquitetura excessivamente tecnicista feita de painéis foto-voltaicos, invólucros do tipo “pacote” de metal perfurado, caixilharias bizarras, etc., acabarão por nos levar de volta à uma arquitetura historicista e por outro lado ao descarte de tudo que a arquitetura brasileira autêntica tem de naturalmente “energeticamente sustentável” e de adaptação ao nosso clima: o cuidado com a implantação e o entorno, a insolação correta, a proteção solar, a ventilação natural, as áreas verdes sempre presentes (absorção das águas pluviais), o uso adequado de materiais locais, e por aí vai...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-2904455900370680866?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/2904455900370680866/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=2904455900370680866' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/2904455900370680866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/2904455900370680866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2010/03/green-wash.html' title='&quot;GREEN WASH&quot;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-1014654091574276925</id><published>2010-03-04T17:09:00.002-03:00</published><updated>2010-03-04T17:09:56.470-03:00</updated><title type='text'>PETIÇÃO PÚBLICA</title><content type='html'>--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;To:  Governo do Estado de São Paulo &lt;br /&gt;Esta petição, aberta a todos os cidadãos de São Paulo mas dirigida especialmente à classe dos arquitetos brasileiros, destina-se a levar ao conhecimento do Governo do Estado de São Paulo algumas considerações sobre a contratação irregular do escritório de arquitetura suiço "superstar" Herzog &amp; de Meuron para o projeto do Palácio da Dança, no terreno da antiga rodoviária (que pertenceu ao falecido Otávio Frias do grupo Folha de São Paulo). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - O governador José Serra, que escolheu este escritório, está em campanha aberta para a Presidência da República e pretende gastar no “Palácio” cerca de 300 milhões de reais (que já sabemos que se transformarão, durante a obra, em 600 ou 700 milhões) visando a um já mais do que manjado "Efeito Bilbao", de caráter eleitoreiro, em um estado com enormes carências na área habitacional, educacional, de transporte e saúde, com problemas de infra-estrutura e fundiários graves, etc. Além disso, o resultado arquitetônico de tais projetos feitos para a mídia internacional, em geral resultam deploráveis, como o próprio Guggenheim de Bilbao, de Frank Ghery, a casa da música do Porto, de Rem Koolhaas, o arranha-céu de Lomas de Chapultepec, Cidade do México, do mesmo arquiteto, as torres de Milão, de Daniel Liebeskind, etc.. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Pretende o Governo do Estado pagar ao Herzog &amp; de Meuron 25 milhões de reais pelo projeto, enquanto que a FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), por exemplo, paga cerca de 15 mil reais por projeto de escola de segundo grau com 15 salas de aula aos nossos arquitetos, o que não deixa de ser uma afronta à nossa categoria profissional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Vá lá que um escritório estrangeiro venha trabalhar no Brasil, se houver reciprocidade por parte do seu país, mas é evidente que tem de ser pelos mesmos honorários que o estado paga aos escritórios nacionais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - O responsável pelo andamento deste projeto é o Secretário da Cultura, João Sayad, um banqueiro (ex?) e político, que quando dono do banco SRL S.A., participou ativamente da privatização das companhias de eletricidade e do Banespa, aqui em SP. Aliás é muito curioso que gente como o Sayad, o Luna, o Reichstul, o Lara Rezende, o Pérsio Arida, o Edmar Bacha e o Andrea Calabi, entrem no governo como professores universitários e saiam todos como banqueiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 - Para fazer parte do "star system" arquitetônico internacional não é necessário muito talento, mas sim carisma, ambição social e uma boa assessoria de imprensa. O arquiteto catalão Ricardo Bofill, membro deste "Jet-set", disse certa vez que almejava a fama, mas não a do tipo que tiveram Le Corbusier e Walter Gropius, mas sim como a dos Beatles; já Phillip Johnson, ícone maior do estrelismo arquitetônico, não fazia segredo de sua falta de talento; quando certa vez um interlocutor apontou-lhe um defeito em um dos seus projetos, ele justificou-o explicando candidamente que era um “bad architect”. Pritzker por Pritzker preferimos o Oscar Niemeyer e o Paulo Mendes da Rocha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 - O Brasil tem pelo menos umas duas dezenas de arquitetos de nome que já projetaram teatros, salas de concerto, casas de ópera (e dança, naturalmente). Nos anos recentes o Instituto de Arquitetos do Brasil promoveu vários e concorridos concursos assemelhados, como a sede do grupo de dança "O Corpo" em MG, a Escola de Artes Cênicas da Unicamp, em Campinas, o Teatro Municipal de Londrina, PR, o complexo teatral de Natal, RN, a sede da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, etc.. Experiência no tema proposto é o que não falta aos nossos arquitetos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 - Aliás, os estudantes de arquitetura devem estar indignados; por que os fazem estudar arquitetura brasileira e internacional, arte e cultura brasileira e internacional, se no final das contas contratam um escritório estrangeiro? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 - E por fim, ao que se saiba, ainda está em vigor a lei 5.194/66 que regula o exercício da profissão no Brasil, principalmente nos seus atigos 13 e 15. Um concurso internacional patrocinado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil seria até bem-vindo, desde que não discriminasse os escritórios nacionais e que fosse remunerado segundo as tabelas de honorários de nossos orgãos de classe e não pelas quantias astronômicas de um primeiro mundo ao qual ainda não pertencemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Oliveira - Arquiteto &lt;br /&gt;Pitanga do Amparo - Arquiteto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-1014654091574276925?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/1014654091574276925/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=1014654091574276925' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/1014654091574276925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/1014654091574276925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2010/03/peticao-publica.html' title='PETIÇÃO PÚBLICA'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-4358957715478635715</id><published>2010-02-27T19:28:00.002-03:00</published><updated>2010-03-04T17:08:32.582-03:00</updated><title type='text'>"QUOQUE TANDEM"</title><content type='html'>Vicente, &lt;br /&gt;                                 Quantas lágrimas preciso por ti verter&lt;br /&gt;                                 Antes que a saudade passe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-4358957715478635715?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/4358957715478635715/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=4358957715478635715' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/4358957715478635715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/4358957715478635715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2010/02/quoque-tandem.html' title='&lt;strong&gt;&quot;QUOQUE TANDEM&quot;&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-3720980251750889177</id><published>2010-02-26T22:55:00.001-03:00</published><updated>2010-02-26T22:58:10.535-03:00</updated><title type='text'>ENCHENTES EM SÂO PAULO</title><content type='html'>Somente a incúria e a incompetência administrativas aliadas a uma visão elitista da gestão da cidade podem explicar a tragédia que se abateu sobre São Paulo (mais de meia centena de mortos e milhares de desabrigados) neste verão de 2009/2010. Era de conhecimento público havia meses que teríamos um estio excepcionalmente chuvoso devido ao fenômeno do “El Niño”, um velho conhecido nosso; e nem assim um mínimo de precaução contra tal fato os governos do Estado e da Cidade tomaram, como por exemplo, deixar as represas dos afluentes do rio Tietê com uma reserva de volume suficiente para absorver as chuvas previstas. Somente com duas administrações absurda e irresponsavelmente ausentes dos graves problemas que afligem esta metrópole poderia acontecer tal ”esquecimento”, que resultou na inundação de bairros inteiros, mortes e prejuízos materiais incalculáveis, principalmente nos bairros mais pobres e carentes de infra-estrutura urbana da cidade.&lt;br /&gt;Corre na internet a notícia que as obras de desassoreamento do rio Tietê não foram suficientes – mas é evidente que não o foram! Se a opção para este corpo d’água dentro do perímetro urbano foi a de canalizá-lo, como o Sena e o Tamisa, sua vazão tem de ser mantida mecanicamente, pois se o Tietê é um rio lento, de várzea, seus afluentes não o são, carreando para ele milhares de toneladas de sedimentos por ano; portanto se as águas extravasaram do seu leito, faltou gerenciamento, obra civil, dragagem. É obvio isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Governador do Estado e o Prefeito de São Paulo são dinossauros no que diz &lt;br /&gt;respeito à gestão da cidade, para eles inexiste o planejamento para uma metrópole mais humana, mais voltada para o crescimento social de seus habitantes; sua visão de urbanismo limita-se à construção de mais avenidas e viadutos, à troca do piso das calçadas, à retirada dos letreiros das lojas e dos mendigos das ruas. Não é segredo para ninguém que enquanto nos bairros nobres o lixo é retirado diariamente e garis varrem os passeios, nos bairros pobres o lixo é recolhido apenas uma ou duas vezes por semana, nunca houve varrição das vias públicas (quando estas não são de terra) e muito menos providências para sanar pontos de alagamento críticos e recorrentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa metrópole aonde a gentrificação chega às raias do “apartheid” social e os menos afortunados têm de procurarem seu canto de terra para habitarem em áreas inundáveis ou geologicamente instáveis, a opção pelos ricos (ou o descarte dos pobres) feita pelas atuais administrações é indesculpável. Acabo de ler, na internet, que uma comissão de moradores das áreas alagadas acompanhada por deputados e vereadores foi recebida a pauladas e gás pimenta pela PM que fazia a segurança da sede da prefeitura. É profundamente lamentável tudo isto no Brasil de hoje, democrático e republicano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-3720980251750889177?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/3720980251750889177/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=3720980251750889177' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/3720980251750889177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/3720980251750889177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2010/02/enchentes-em-sao-paulo.html' title='&lt;strong&gt;ENCHENTES EM SÂO PAULO&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-1202329341331394893</id><published>2010-01-20T20:28:00.000-02:00</published><updated>2010-01-20T20:31:23.514-02:00</updated><title type='text'>ORLAS MARÍTIMAS</title><content type='html'>Lendo o artigo de Josep María Montaner sobre a atual intervenção urbana na Barceloneta pensei, como era natural, na urbanização das praias de minha cidade natal, o Rio de Janeiro, prioritariamente nas de Copacabana, Ipanema e Leblon, que conheço bem desde a minha juventude e na da Barra da Tijuca, esta de tempos recentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Colônia que éramos, de Portugal, a orla marítima do Rio de Janeiro foi, desde a fundação da cidade, posse de comerciantes e oficiais portugueses em aforamentos e “enfiteuses” de terras Del-Rei que, com o passar do tempo, transformaram-se em chácaras de proprietários vários, com suas praias habitadas inicialmente por índios Tamoios e depois por pescadores e baleeiros. Deste estágio, de praias selvagens com algumas choças esparsas e roças, Copacabana, Ipanema e Leblon (a Sacopenapã Tupi) passaram diretamente, no final do século XIX e no início do seguinte, a serem loteadas por companhias “urbanizadoras”, com ruas regulares de malha cartesiana, onde se estabeleceram, em casas no estilo eclético então vigente, parcelas da classe média e da alta burguesia carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a migração e o aumento da população, Copacabana, primeiro, e logo após Ipanema e Leblon viram desaparecer suas residências, paulatinamente demolidas e substituídas por edifícios de apartamentos, no início formados sob o imaginário urbano de origem européia e mais tarde pela ocupação inspirada no “laissez-faire” das cidades capitalistas norte-americanas. O proletariado lúmpem ou simplesmente os pobres ocuparam os morros limítrofes destes bairros, permanecendo assim perto de seus locais de trabalho, no comércio ou no serviço doméstico dos apartamentos das classes média e rica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia assim certa democratização do acesso à orla marítima, proporcionada pela malha regular das ruas sombreadas por amendoeiras definindo os quarteirões edificados, facilitando o acesso às praias tanto do morador da favela quanto do da zona norte do Rio de Janeiro, que vinha para a zona sul a procura do sol e do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na Barra, a ocupação do solo é tipicamente de raiz neoliberal (a não ser na assim chamada “Barrinha”, que reproduz a implantação dos bairros da zona sul carioca), onde o espaço urbano e a arquitetura foram transformados em mercadorias a serem vendidas como outras quaisquer e cuja maior conseqüência (fruto das decisões do “mercado”), foi a de tornar a praia praticamente exclusiva dos ricos condomínios a ela adjacentes e dos automobilistas que se disponham a procurar, por quilômetros, uma vaga na conturbada Avenida Sernambetiba (atual Avenida Lucio Costa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal fato é visivelmente gerado pela atual organização urbana do local; a Avenida das Américas (BR 101), paralela à praia e de intenso movimento separa a baixada da restinga de Jacarepaguá cortando-a de ponta a ponta, constituindo-se em obstáculo de difícil transposição para o pedestre. Ladeando a pista do lado do mar erguem-se as barreiras dos condomínios fechados (casas e prédios de apartamentos) que se alternam com “shopping-centers” e edifícios para serviços, igualmente murados.  Durante um extenso trecho da costa encontra-se a lagoa de Maraependi, cuja transposição é feita por barcas de posse e uso exclusivo de cada condomínio, sendo os acessos viários públicos possíveis apenas nas suas extremidades. Logo após a lagoa (na realidade uma laguna) ou após as torres de habitações, segue-se a Avenida Sernambetiba e o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se vê, para as classes pobres restou a alternativa de erguerem suas habitações na baixada do outro lado da Avenida das Américas, ao longo da Via Amarela (dotada esta com uma praça de pedágio) ou na periferia de Jacarepaguá, que conta com grande número de favelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta maneira, a democratização do uso da orla marítima existente na Zona Sul, aqui foi para o espaço, tomando o seu lugar uma brutal separação física de classes e a exclusão absoluta da pobreza da área rica do bairro, em um regime de ”apartheid” social ferrenho. Tal situação gera inclusive patologias de comportamento como o dos jovens habitantes de um desses condomínios de luxo que surraram sem pretexto, no ano passado, uma doméstica que se encontrava em um ponto de ônibus na Avenida das Américas (qualquer semelhança com os vândalos que atearam fogo em um índio Pataxó em Brasília, não é mera coincidência: trata-se da organização do espaço urbano contribuindo para a delinqüência juvenil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ironicamente, fica no Rio de Janeiro uma das melhores reurbanizações de orla marítima do mundo; trata-se do Aterro do Flamengo, projeto de Affonso Reydi com paisagismo de Burle Marx. O que poderia ser apenas um aterro para pistas de automóveis foi concretizado por Reydi como um magnífico espaço urbano, que dialoga com a monumentalidade da paisagem da baía da Guanabara, e harmoniza com perfeição suas diversas funções – a viária, a de parque, a de lazer, a cultural e a esportiva. Ali o espaço público foi redemocratizado, devolvendo-se com grande qualidade urbana, a orla das enseadas do Flamengo e de Botafogo à população dos bairros vizinhos e à cidade em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.B. – Tenho a mais absoluta certeza que não foi esta a Barra que o Dr. Lúcio sonhou em seu plano piloto de 1969; a monstruosidade urbana que hoje lá está nada tem a ver com as crenças e idéias do Mestre, assim como a separação física das classes sociais hoje existente em Brasília não corresponde ao seu pensamento. Ressalte-se por justa também a luta de tantos anos dos arquitetos Fernando Chacel e Sidney Linhares para preservar os manguezais e a vegetação dos espaços perilagunares da região.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-1202329341331394893?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/1202329341331394893/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=1202329341331394893' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/1202329341331394893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/1202329341331394893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2010/01/orlas-maritimas.html' title='ORLAS MARÍTIMAS'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-2622166867015327320</id><published>2010-01-12T18:51:00.001-02:00</published><updated>2010-01-12T18:52:45.951-02:00</updated><title type='text'>A CONDIÇÃO HUMANA</title><content type='html'>Com a chuva abafada que caía lá fora o bar estava lotado. Dois homens de meia idade entraram no salão, suspirando com o choque do ar condicionado; vestiam capas de chuva e pareciam aliviados por encontrarem um pouso seguro em meio ao aguaceiro tropical. Passaram os olhos pela fauna local e escolheram uma mesa em um ambiente mais sossegado, um avarandado lateral da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Garçom, dois chopes, - pediu o mais baixo dos dois, que tinha a face afogueada de uma criança que acabara de fazer uma travessura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E dois genebras bem gelados, - completou o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olharam novamente ao redor e iniciaram uma conversa em voz baixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, tu achas que conseguimos? – perguntou o cara-de-moleque, com a segurança de quem conhecia a resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conseguimos. A ECV-2A está se reproduzindo há horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mitose clássica, não? A cada noventa minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Certamente. Amanhã verificaremos quantas células estarão naquela lâmina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amanhã? Teremos de esperar até amanhã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não dormimos há quatro noites, cara; se não descansarmos um pouco seremos conhecidos como os mortos que criaram a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uau! Criamos vida então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro! Não é ela que está naquela lâmina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Era o que queríamos... Parecia tão improvável! No começo eu... Começamos montando algumas proteínas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E chegamos lá; mas me parece que não consegues expressar os teus grandes pensamentos nesta hora, não? E enquanto isso o ACV-2A está lá, se dividindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Criamos vida... Somos como deuses então? – Riu sem jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ou demiurgos. Homens é que não somos mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não somos mais humanos? Que queres dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que acho que não somos humanos. Afinal ultrapassamos a última fronteira do cosmos. A partir de meia dúzia de moléculas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do cosmos? De que estás falando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que a vida é a criação mais perfeita do cosmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E quem criou o cosmos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspenderam a conversa enquanto o garçom servia as bebidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em nossa escala, foi quem inventou os aceleradores de partículas tonto. Com eles podíamos criar matéria, mas vida, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pôrra, como isto é excitante! Mas continuamos os mesmos, quero dizer, tu e eu continuamos homens não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Homens não. Somos deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas continuamos mortais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então descobrimos que os deuses são mortais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas a Nice me espera em casa, vou chegar, beijá-la, dormir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esta noite ela dormirá com um deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não brinque assim! A vida sempre gerou novas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A vida sempre reproduziu a vida e tu sabes bem disto. Criar é uma coisa, replicar é outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É... Mas ainda me sinto um homem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas não és; desculpe a pompa e circunstância, porém nós transcendemos a condição humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pense grande! A vida não é mais uma singularidade que aconteceu ao acaso em um canto do universo. Ela apareceu aqui, novamente, por nosso engenho, por nossas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo os perturbou; olharam para fora, a chuva havia cessado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas ainda somos seres vivos, cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, mas com o poder de criar vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que tu achas que isto muda em nós?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muda nossa essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, vou te dar um exemplo: se amanhã eu herdasse uma fortuna, isto me faria um milionário. Certamente eu mudaria em muitos aspectos, mas ainda assim seria um ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu mudaria meu modo de vida, até de pensar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás simplificando o que já é simples. Não adquiriste algo novo, mas sim criaste uma vida, te tornaste um deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pediram mais bebidas e esperaram calados enquanto o garçom as trazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fala sério, achas que eu não sou mais um ser humano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Acho. Tu és um ser divino. Eu também sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas por quê? Como fundamentar esta afirmação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em nossa civilização, até o dia de hoje, achava-se que uma vida não poderia criar outra vida, somente um deus o poderia fazer. Era cultural, isto. Filosófico. Nós acabamos de criar uma outra vida, então não somos seres humanos, somos seres divinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Insisto que ainda sou um ser vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está bem; és um ser vivo divino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E continuo não sendo imortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E quem te disse que deuses devem ser imortais? Na mitologia nórdica os deuses morrem ao final de sua saga. E Jesus morreu crucificado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas ressuscitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas antes morreu meu caro. Portanto um deus pode morrer. Um deus morre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mesmo ressuscitando depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tanto faz. Morreu, morreu. Se ressuscita ou não é outra história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que confusão. Por que começamos a falar disto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, esta é boa! Por causa do ECV-2A!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quis dizer de imortalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De imortalidade não; de divindade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Correto, somos divinos então. E esta gente aqui no bar não sabe que há dois deuses entre eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não têm como saber. Estás certo, não sabem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então pode ter havido outros deuses entre nós e os ignoramos por completo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assim como colocas sim, pode ter havido; mas não acho provável. De uma ou outra maneira a humanidade acabaria por saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que é algo grande demais; a notícia do fato acabaria por vir à tona. Este algo mudaria a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós vamos mudar a humanidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito provavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que somos deuses?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, por que o fato em si transcende todas as idéias de natureza e humanidade que tivemos até hoje. Mudaremos o porvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mal posso esperar a hora de contar para a Nice!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No nosso caso eu esperaria um pouco mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu não vais contar para a Bete?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda não. E temos de pensar no Dr. Johnson também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Dr. Johnson vive se embebedando por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não importa. Ou melhor, facilita. Mas temos de pensar em como agir com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Patentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isto também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diga-me, será que não explicamos apenas um processo, conseguimos reproduzir um processo, só isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E achas pouco? Isto nos apartou da humanidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A coisa toda está muito no início, não sabemos como ela irá evoluir.&lt;br /&gt;Teremos de esperar, trata-se da evolução de um... Poderá demorar séculos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ambos conhecemos bem engenharia genética, podemos acelerar o processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem mais baixo passou os olhos sobre o bar. Via uma imensa planície à sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me diga outra coisa; achas que vamos mudar a humanidade para melhor ou para pior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei. – O homem alto sorriu. - Não sou onisciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como um demiurgo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou um demiurgo mas não uma Sibila. Nem ao menos sei se sou eterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, imortal tu não és.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que não, cara! Será que ainda não sacaste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Saquei. Garçom, mais um chope pro divino aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-2622166867015327320?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/2622166867015327320/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=2622166867015327320' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/2622166867015327320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/2622166867015327320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2010/01/condicao-humana.html' title='&lt;strong&gt;A CONDIÇÃO HUMANA&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-3211306042829192868</id><published>2009-11-14T20:44:00.008-02:00</published><updated>2009-12-08T18:07:06.956-02:00</updated><title type='text'> A MORTE NA CALÇADA</title><content type='html'>Ele morreu.&lt;br /&gt;Eu vim pela calçada da Itacema&lt;br /&gt;Com o meu cãozinho nos braços&lt;br /&gt;Morto.&lt;br /&gt;Ele morreu.&lt;br /&gt;Eu vim pela calçada &lt;br /&gt;Qual um Lear sem História,&lt;br /&gt;Sem glória.&lt;br /&gt;Mas com um grito contido no peito&lt;br /&gt;Que faria rachar&lt;br /&gt;A abóbada celeste.&lt;br /&gt;Ele morreu.&lt;br /&gt;Tendo caído no chão, eu o ergui &lt;br /&gt;Para que morresse em meus braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele então olhou-me pela derradeira vez&lt;br /&gt;Pendeu a cabeça para o lado&lt;br /&gt;E morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não me esperaste amigão,&lt;br /&gt;Para irmos juntos&lt;br /&gt;A algum lugar do universo,&lt;br /&gt;Ou a lugar nenhum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Companheiro, por que não te moves mais?&lt;br /&gt;O que de ti assim partiu?&lt;br /&gt;Estás morto.&lt;br /&gt;Para onde foste neste triste fim de inverno?&lt;br /&gt;Por onde andas bichinho,&lt;br /&gt;Que calçadas farejas,&lt;br /&gt;Em que canto te acomodaste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim,&lt;br /&gt;Deitei-te no chão, tão frio,&lt;br /&gt;E acariciei-te na morte&lt;br /&gt;Como tantas vezes o fiz em vida.&lt;br /&gt;Velei-te no piso de ladrilhos&lt;br /&gt;Com olhos lavados de lágrimas,&lt;br /&gt;Até que te levaram&lt;br /&gt;Para teu simples funeral.&lt;br /&gt;Não te verei mais?&lt;br /&gt;Vá com o meu adeus, bicho,&lt;br /&gt;E que minha saudade o acompanhe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-3211306042829192868?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/3211306042829192868/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=3211306042829192868' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/3211306042829192868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/3211306042829192868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/11/morte-na-itacema.html' title='&lt;strong&gt; A MORTE NA CALÇADA&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-7202186409741622196</id><published>2009-09-18T11:59:00.001-03:00</published><updated>2009-09-18T14:31:36.559-03:00</updated><title type='text'>CARTA AO VITRÚVIUS</title><content type='html'>Caro Abílio,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em primeiro lugar quero cumprimentá-lo pelo alto padrão editorial (e gráfico!) que você tem mantido com real profissionalismo, ao longo de tantos, anos no Vitrúvius (esta é a boa notícia). Em seguida gostaria de comentar, aqui no e-m@il do leitor (já que o "Arquitextos" não tem um Forum de debates como o "Minha Cidade"), o artigo do colega Otávio Leonídio intitulado "Cidade da Música do Rio de Janeiro: a Invasora" (e é essa, a má notícia).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Para falar a verdade, achei-o (o artigo) um tanto ou quanto neocolonialista, ou melhor dizendo, "neocolonizado" - opinião esta  que provém, como você bem sabe, de um profissional de arquitetura sem nenhuma titulação acadêmica, um "artífice" portanto. Mas o autor parece querer nos dizer que o Portzamparc veio aqui para nos ensinar como fazer arquitetura brasileira, como lidar com o legado dos nossos Mestres, e que nós, arquitetos brasileiros, não estamos prestando a atenção devida... - um tanto pretencioso não? Acho que o próprio Portzamparc não tinha esta intenção que o colega chama de "didática", seria de uma empáfia descabida, que eu acho que ele (o Christian De Portzamparc)  não possui ou não aparenta possuir.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quanto ao "silêncio dos arquitetos" do qual reclama o autor, acho que este se deve principalmente ao mal estar causado entre a classe por um colega estrangeiro que ganha um projeto público de mão beijada, sem concurso ou algo que o valha, recebendo honorários muito, mas muito acima do que o Estado  paga aos arquitetos Tupiniquins. O fato de que desde criança o Portzamparc deseja ser um "arquiteto brasileiro", não o habilita automaticamente a vir aqui projetar teatros sem nenhuma concorrência. Trata-se do mesmo mal-estar que existe entre os empregados das multinacionais que, em suas filiais brasileiras, pagam aos seus funcionários "gringos" um salário três ou quatro vezes maior do que o de seus colegas brasileiros, pela mesma função. Puro colonialismo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quanto ao grau de qualidade arquitetônica da "Cidade da Música", vou esperar para ver o projeto em seu contexto para melhor avaliá-lo; na minha idade aprendi a não confiar por demais em fotografias de obras de arquitetura. O meu amigo Sidney Linhares, que fez com o Fernando Chacel  o paisagismo deste complexo, só tem palavras elogiosas sobre o projeto; mas confesso que fico com um pé atrás quando se trata de obras dos membros do "Star-System" Internacional, ainda mais quando são encomendadas por políticos, e não estou sozinho ao pensar assim - transcrevo, a seguir, algumas palavras do arquiteto e crítico espanhol Helio Piñón sobre o assunto:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;[...É evidente que o projeto, como prática de um sistema artístico com sólidos antecedentes, é uma atividade pouco funcional na cultura atual, o que contrasta com o aparente interesse que desperta nos meios de comunicação e, portanto, nas administrações dos mais diversos níveis, sempre tão atentas ao índice de audiência. Só a arquitetura que adquire os modos do espetáculo parece capaz de interessar especialmente aos políticos. Na realidade, entre a arquitetura de sucesso e os políticos se estabelece, pelo visto, um pacto tácito: o político utiliza a "estrela" para parecer culto e bem informado, e a "estrela" utiliza o político para parecer bom arquiteto...}&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não acho que o Portzamparc seja um "mau arquiteto" (como se auto-classificava o Phillip Johnson, com uma certa razão), pelo contrário, admiro muitas de suas obras - mas penso que algumas delas foram feitas com o objetivo explícito e exclusivo de impressionar a mídia especializada internacional e os tais políticos ávidos de popularidade "cultural". Por outro lado acho que a arquitetura brasileira teve uma continuidade desde os "tempos heróicos" até os dias de hoje, embora através de um grupo relativamente pequeno e seleto de arquitetos que escolheram seguir suas convicções profissionais e não o mercado. Tenho por mim que não é o caso de citá-los aqui pois certamente concordaríamos nós dois, tanto sobre os nomes da maioria deles quanto sobre a relevância de suas obras face à banalidade das alternativas "fashion", de fácil consumo, que dominaram nosso cenário arquitetônico nas últimas décadas. Para estes arquitetos, Christian De Portzamparc estaria ensinando o padre-nosso ao vigário.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Aceite um grande abraço do&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Euclides Oliveira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-7202186409741622196?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/7202186409741622196/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=7202186409741622196' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/7202186409741622196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/7202186409741622196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/09/carta-ao-vitruvius.html' title='CARTA AO VITRÚVIUS'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-2362934814626416131</id><published>2009-06-24T12:54:00.002-03:00</published><updated>2009-06-24T13:02:25.517-03:00</updated><title type='text'>POLITICAGENS URBANAS</title><content type='html'>Andam saindo na mídia notícias sobre o Plano Diretor de São Paulo, sobre a reforma bizarra que se pretende na Luz, onde o governo cede à iniciativa privada até o direito de desapropriação de imóveis e sobre a duplicação da marginal, todas revelando o descalabro que são as administrações DEM. e do PSDB do município e do estado de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revisão do Plano Diretor já era prevista em lei, só que esta determinava ampla consulta e o consequente debate com a população da cidade para legitimizar as alterações que porventura fossem nela (revisão) propostas. Ocorre que o atual alcaide pretendeu fazer as alterações passando por cima da sociedade civil, com o mais do que evidente propósito de beneficiar construtoras e incorporadoras, comprometendo assim um plano que nasceu bom (pelas mãos competentes do Jorge Wilheim) mas que foi desfigurado por modificações feitas na Câmara pelos vereadores à serviço do “lobby” da construção civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro absurdo desta gestão catastrófica da prefeitura de São Paulo é o projeto “Nova Luz”. Quando os movimentos para a recuperação do centro histórico de São Paulo começaram a aparecer na grande mídia, comecei a temer pela gentrificação (este termo ainda não era usado na época) de um dos pouquíssimos espaços urbanos qualificados ainda usufruídos pela população pobre e a pequena classe média paulistana. Uma transformação elitista do centro, imitando as operações urbanas realizadas nas metrópoles centrais do capitalismo globalizado, só contribuiria para agravar a injustiça e a desigualdade social que são a marca registrada de nossa cidade e do nosso país. E pelo que vejo, é exatamente isto o que está acontecendo sob os governos dos senhores Serra e Kassab.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vocação do “centrão” como núcleo comercial e como nó de articulação do transporte público (nele existem dois grandes terminais de ônibus urbanos, a interligação de duas linhas do metrô além das estações da CPTM) já está consolidada. Falta reabilitar sua função habitacional com ênfase na habitação popular, pois os ricos já tomaram outros rumos. No local existem centenas de edifícios desocupados do primeiro andar para cima, pois apenas o aluguel das lojas no térreo já compensa a manutenção dos mesmos do jeito que estão. Estes pavimentos abandonados poderiam ser desapropriados a preço de banana e adaptados para moradia de famílias de baixa renda; a localização é ideal, no centro não faltam meios de transporte, empregos, escolas públicas, bibliotecas, parques e praças, etc.. Mas como tal ação não traria nehum benefício às nossas elites brancas (como dizia o ex-governador Claudio Lembo) … Para teminar, um lembrete quanto à demolição indiscriminada de quarteirões inteiros da Luz: até os animais não voltam ao seu local de origem quando vêem que a sua paisagem foi modificada. Entre os homens, a memória de suas cidades não deveria ser jamais um joguete nas mãos de políticos ambiciosos e inescrupulosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a duplicação da marginal, basta um simples olhar sobre as fotografias mostrando árvores sendo derrubadas para darem lugar a mais asfalto para se ter idéia do crime que está sendo cometido nesta cidade contra o meio-ambiente. O transporte individual já deveria ser coisa do passado; enquanto o mundo responsável luta pela recuperação da nossa atmosfera, pela regeneração da natureza, pela sustentabilidade energética, continuamos a criar mais vias de automóveis para termos mais engarrafamentos, mais poluição do ar, menos áreas verdes, etc..&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-2362934814626416131?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/2362934814626416131/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=2362934814626416131' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/2362934814626416131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/2362934814626416131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/06/politicagens-urbanas.html' title='POLITICAGENS URBANAS'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-3105260738082839116</id><published>2009-05-20T18:04:00.002-03:00</published><updated>2009-05-20T18:30:55.848-03:00</updated><title type='text'>ERNESTO SABATO</title><content type='html'>[... E penso se não será sempre assim, se a arte não nascerá invariavelmente de nosso desajuste, de nossa ansiedade e nosso descontentamento. Uma espécie de gesto de reconciliação com o universo tentado por esta raça de frágeis, inquietas e ansiosas criaturas que somos os seres humanos. Os animais não necessitam de nada disso; basta-lhes viver. Por que sua existência flui em harmonia com as necessidades atávicas. Para o pássaro bastam algumas sementinhas ou minhocas, uma árvore onde construir seu ninho, grandes espaços para voar; e sua vida transcorre desde o nascimento até a morte num venturoso rítmo que nunca é dilacerado pelo desespero metafísico nem pela loucura. Ao passo que o homem, ao se levantar sobre as patas traseiras e transformar em machado a primeira pedra lascada, instituiu as bases de sua grandeza mas também as origens de sua angústia; pois com suas mãos e os instrumentos feitos com suas mãos ele viria a erigir esta construção tão poderosa e estranha chamada cultura, iniciando assim seu grande drama: deixará de ser um simples animal, mas nunca chegará a ser o deus que seu espírito sugere. Será esse ser dual e desgraçado que se move e vive entre a terra dos animais e o céu de seus deuses, que terá perdido o paraíso terrestre de sua inocência sem ganhar o paraíso de sua redenção. ...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SABATO Ernesto, A resistência, pag. 78, Companhia das Letras, 2008, São Paulo, SP.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-3105260738082839116?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/3105260738082839116/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=3105260738082839116' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/3105260738082839116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/3105260738082839116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/05/ernesto-sabato.html' title='ERNESTO SABATO'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-5999183472590156058</id><published>2009-05-20T14:29:00.000-03:00</published><updated>2009-05-20T14:30:02.793-03:00</updated><title type='text'>OUTONO</title><content type='html'>De súbito, &lt;br /&gt;                         Com a mão no trinco do portão,&lt;br /&gt;                         Fui tocado pelo raio de um sol&lt;br /&gt;                         Que vagabundeava &lt;br /&gt;                         Entre as nuvens de abril.&lt;br /&gt;                         Assim aquecido,&lt;br /&gt;                         Desejei que aquele instante&lt;br /&gt;                         Se tornasse eterno,&lt;br /&gt;                         Imortal.&lt;br /&gt;                         Mas uma brisa leve esfriou-me o corpo&lt;br /&gt;                         E aquela nesga de luz &lt;br /&gt;                         Foi-se com o vento do outono.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-5999183472590156058?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/5999183472590156058/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=5999183472590156058' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/5999183472590156058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/5999183472590156058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/05/outono.html' title='OUTONO'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-5358420476231959587</id><published>2009-05-20T13:18:00.003-03:00</published><updated>2009-05-20T13:48:24.707-03:00</updated><title type='text'>MUROS</title><content type='html'>No Rio de janeiro, sob um duvidoso pretexto ecológico, existe atualmente a proposta, por parte do Estado, de murar-e as favelas nos morros junto às encostas arborizadas, para impedir o seu crescimento sobre a mata. Há preconceito social flagrante nesta proposta, pois não se tomam providências contra condomínios e residências dos ricaços, que estão destruindo a Mata Atlântica e a paisagem costeira do litoral norte de São Paulo, desfigurando irremediávelmente seus costões com mansões de veraneio de luxo, "decks" e marinas. Evidentemente, no caso das favelas, as providências a serem tomadas terão de ser de ordem urbana e social, favorecendo, para as classes de menor poder aquisitivo, o acesso à habitação digna, sabiamente desenhada e bem localizada quanto aos meios de transportes, oportunidades de emprego e qualidade ambiental e da vizinhança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao inverso, aqui em São Paulo são os muros dos condomínios dos ricos que se constituem em problemas públicos da maior gravidade, afetando desde a estrutura social e a convivência entre classes nas áreas urbanas até a relação física adequadamente dimensionada entre as cidades e os campos. Seu paradigma é Alphaville, em Barueri, um aborto urbanístico que já existe há décadas, falsa cidade para uma classe só, onde os pobres só entram como serviçais dos moradores ou como seus seguranças; possui comércio, serviços, administração, colégios e até universidades próprias e se deixarem, creio eu, contará no futuro com um exército particular e uma dúzia de F-15 ou Mirages de segunda mão, para defendê-la da "ralé".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acho mais grave nesta estória é que este tipo de ocupação fundiária espalhou-se por todo o estado de São Paulo; não existe mais cidade do interior, grande ou pequena, que não conte com vários destes empreendimentos, de Campinas à Valinhos, de São José dos Campos à Itupeva. O pior é que eles trazem consigo, além do preconceito e da segregação social inerentes à sua organização, problemas urbanos e ambientais tais como a grande extensão dos sistemas viários e de infra-estrutura urbana das cidades (há que atendê-los sempre, afinal abrigam os consumidores ricos), que têm de se estenderem mais e mais para os campos adjacentes. E assim vão estes assentamentos humanos "classe A" invadindo as áreas agriculturáveis e as matas, nativas ou não, que encontram pela frente, espalhando a poluição, o asfalto e a sua negação implícita da urbanidade pelo "hinterland" paulistano antes afeito apenas ao plantio e à colheita dos frutos da terra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-5358420476231959587?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/5358420476231959587/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=5358420476231959587' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/5358420476231959587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/5358420476231959587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/05/muros.html' title='MUROS'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-4630483596801382006</id><published>2009-03-16T01:20:00.008-03:00</published><updated>2009-03-22T00:34:23.775-03:00</updated><title type='text'>A PARTIDA</title><content type='html'>Partir.&lt;br /&gt;                           Partir como destino.&lt;br /&gt;                           A nau levada pelo vento.&lt;br /&gt;                           Partir como os bichos, as plantas, &lt;br /&gt;                           As folhas da Natureza.&lt;br /&gt;                           Partir como o que foi e não é mais.&lt;br /&gt;                           Partir como os afortunados:&lt;br /&gt;                           Os assassinados,&lt;br /&gt;                           Os suicidas tresloucados,&lt;br /&gt;                           Os abatidos, os  afogados.&lt;br /&gt;                           Partir, não como transformação, &lt;br /&gt;                           Partir como um final de ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Partir, ir-se embora,&lt;br /&gt;                           Partir como um ato acabado,&lt;br /&gt;                           Como um romance já lido,&lt;br /&gt;                           Como um conto terminado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Partir, desaparecer,&lt;br /&gt;                           Partir como uma formiguinha, &lt;br /&gt;                           Uma flor, uma ave do céu,&lt;br /&gt;                           Um peixe do mar, sereno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Partir como quem não sabe&lt;br /&gt;                           Do porvir, da eternidade.&lt;br /&gt;                           Partir como quem não conhece&lt;br /&gt;                           O significado do tempo,&lt;br /&gt;                           Partir no espaço-tempo de Einstein.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Partir como os que não pensam&lt;br /&gt;                           Nos que ficarão, os que não recordem&lt;br /&gt;                           O que deixarão para trás,&lt;br /&gt;                           Os que não têm quem por eles chorem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Partir como nascemos para partir&lt;br /&gt;                           Partir como um recém nascido, &lt;br /&gt;                           Partir como um feto, um ovo.&lt;br /&gt;                           Partir como os que não vingaram, &lt;br /&gt;                           Como os que não vieram a ser,&lt;br /&gt;                           Que não chegaram a ver&lt;br /&gt;                           Este sol que reina sobre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Partir como os que viveram tanto&lt;br /&gt;                           Que não se lembram do que foram.&lt;br /&gt;                           Partir como os que esqueceram&lt;br /&gt;                           Antes, na vida, o que são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Partir como o The Daring Young Man&lt;br /&gt;                           On the Flying Trapeze,&lt;br /&gt;                           Partir como Don Fabrízio&lt;br /&gt;                           No Il Gatopardo do Lampeduza,&lt;br /&gt;                           Partir como Bob Fosse&lt;br /&gt;                           Ao final de All That Jazz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Ou melhor, partir, apenas,&lt;br /&gt;                           Como quem não tem chão (ou pão),&lt;br /&gt;                           Morrer como qualquer João,&lt;br /&gt;                           Sem nenhum sentido, &lt;br /&gt;                           Sem qualquer razão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-4630483596801382006?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/4630483596801382006/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=4630483596801382006' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/4630483596801382006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/4630483596801382006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/03/partida.html' title='&lt;strong&gt;A PARTIDA&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-450680408755032706</id><published>2009-02-09T22:31:00.007-02:00</published><updated>2009-02-09T23:37:30.515-02:00</updated><title type='text'>DE VOLTA À BARRA FUNDA</title><content type='html'>Decorridos quatro anos da realização do concurso Bairro Novo, na Barra Funda, pela PMSP (então sob a administração do PT e que não foi adiante, pois o governo que o sucedeu, de ideologia diametralmente oposta, decidiu pela sua anulação), o nosso plano urbano, vencedor do concurso (1), veio novamente à baila por conta das recentes eleições municipais. Sem pretender retornar ao mérito dos eventos políticos que cercaram a feitura e a rejeição deste plano, queremos aproveitar a ocasião para por em discussão o projeto em si, que no fundo, foi muito pouco debatido tanto com o público quanto com os colegas de profissão, faltando um pouco mais de empenho neste sentido por parte do IAB, que organizou o concurso e da Sempla, que o encomendou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. Quanto a localização da área&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“A estrada de ferro corta a cidade como uma cicatriz, através de fábricas, moinhos e pátios ferroviários abandonados. Um percurso que se faz numa área esquecida, para a qual a cidade deu as costas. Viagem por um mundo em suspensão; apesar da passagem do trem, reina a mais completa imobilidade. Esses espaços estão à espera que alguma coisa aconteça. Aqui, o passado aguarda o futuro”.&lt;br /&gt;Nelson Brissac Peixoto&lt;/em&gt; (2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas a irracionalidade do capital imobiliário no uso do solo e a incapacidade dos “mercados” em organizar a produção do espaço da cidade contemporânea podem explicar como que uma área com a qualidade urbana deste terreno na Barra Funda ainda possa estar desocupada, sem uma habitação construída sequer, ao lado do centro histórico de uma metrópole cujo trânsito caótico é motivo de desespero geral e de queixas diárias em artigos da mídia local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terreno, com área de 107, 6266 Ha, é limitado ao norte pela Avenida Marginal do Rio Tietê, ao sul pela Avenida Francisco Matarazzo, conta com dois corredores expressos para ônibus (um na Francisco Matarazzo e outro na Avenida Marquês de São Vicente), é fronteiriço à linha de trens suburbanos da CPTM e fica a menos de um quilômetro da estação intermodal da Barra Funda (metrô/ trem/ ônibus). Como pode se ver trata-se decididamente de um filé sem osso, biscoito fino para um plano urbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A topografia é praticamente plana e conta com uma ocupação esparsa e desigual, caracterizada pelo macro-parcelamento do solo, o que facilitaria as desapropriações que se fizessem necessárias em uma intervenção no local. Manter desocupado um sítio com tais atrativos constitui-se em um luxo ao qual São Paulo não pode se dar, tanto que a Sempla e a Emurb (desde a administração Luísa Erundina) compreenderam a situação e tentaram alavancar o desenvolvimento da região com a Operação Urbana Água Branca e depois com o mencionado concurso. Uma pena que a politicagem vulgar não permitiu que esta ocupação se tornasse realidade, restando à região permanecer em sua silenciosa espera do futuro, isto em um país onde a função social da propriedade privada fundiária é ressaltada em sua Constituição Federal e no Estatuto das Cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Quanto aos Fundamentos do Plano Urbano&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Mas a cidade – dizia Marsílio Ficino – não é feita de pedras (hoje, teria dito de plástico), é feita de homens. Não é a dimensão de uma função, é a dimensão da existência”.&lt;br /&gt;Giulio Carlo Argan&lt;/em&gt; (3)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metrópoles, cidades ou vilas (habitat do homem civilizado) são conformadas e fisicamente definidas por espaços públicos de acessibilidade universal e fronteiras naturais – é tão simples assim mesmo. E lembramos aqui que quadras não são apenas massas residuais do sistema viário, mas elementos constitutivos dos espaços urbanos; nestes, (segundo Lewis Mumford), limitações de densidade populacional, gabaritos, superfícies e usos, são necessários para que sirvam como lugares onde indivíduos e grupos sociais possam interagir entre si dentro de uma escala adequada. A qualidade dos espaços públicos e sua articulação com os espaços de domínio privado é que determinarão a qualidade da vida urbana, com toda a sua riqueza cultural de ritos, festas, sagas e costumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos falando aqui dos arquétipos das cidades, que possuem uma evidente continuidade no tempo. Cito a seguir, por pertinente, um trecho de uma entrevista do crítico alemão Wolf Jobst Siedler sobre este assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Todas as cidades se auto-renovam através de nexos particulares. No entanto eu tenho dúvidas a este respeito; eu me pergunto se não existem elementos constantes no gestalt de uma cidade, que permanecem apesar das transformações sociais e formais desta última. É sempre com espanto renovado que eu me deparo com as plantas das cidades da antiguidade escavadas – tais como Sybaris, Lokris ou Metapont – tudo nelas me parece familiar, até a disposição das ruas. Em toda a parte, seja no Egito ou na Mesopotâmia, as ruas eram largas o bastante para que uma carroça de bois por elas passasse. As ruas principais eram duas ou três vezes mais largas do que as locais, nelas várias carroças podiam trafegar ao mesmo tempo. Na periferia das cidades os edifícios tinham dois ou três andares enquanto que nas avenidas eles tinham três ou quatro. Podemos imaginar nos mudando para uma destas casas sem dificuldades. Elas estão no nosso imaginário, tudo nos é familiar.&lt;br /&gt;Estas cidades foram destruídas há 3000 ou 4000 anos atrás e deveriam parecer muito estranhas para nós. Mas se pelo menos os planos viários da Paris dos Bourbons, ou os de Londres da rainha Vitória, ou ainda os de Berlim de Schinkel, tivessem sobrevivido, suas dimensões não teriam se revelado muito diferentes das da Babilônia. Parece-me que isto tem tudo a ver com ‘constantes’: o olho humano reconhece uma face a uma distância de 80 metros; a voz humana alcança 60 metros, podendo assim alguém chamar um conhecido do outro lado da rua ou falar com as crianças de uma janela tanto em Pompéia quanto em Philipsburg. A transformação das cidades primitivas para as da antiguidade, e destas para as medievais e em seguida até as cidades do século dezenove, foram, neste aspecto, muito pequenas. Tais ‘constantes’ sempre sobreviveram; e assim, estas tipologias urbanas com milhares de anos de idade são mais familiares para nós do que as produzidas com uma visão futurista, no século vinte.” &lt;/em&gt; (4)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos bem que esta continuidade imemorial foi rompida pelo urbanismo modernista, tal como detalhado na Carta de Atenas. Como notou Giulio Carlo Argan o problema da unidade urbana, da cidade como organismo histórico em desenvolvimento, foi deliberadamente posto de lado, porque não importava que a sociedade industrial tivesse uma história; ela era o seu fim. Mas evidentemente a história continuou; e durante e após a reconstrução (em parte) modernista da Europa que se seguiu à segunda guerra mundial, o grupo que preparou o CIAM de Dubrovnic (1956), denominado Team 10 (5), começou a dessacralização dos princípios da Carta de Atenas durante o congresso, sendo seguido pelos metabolistas japoneses, pelo grupo da Casabella, na Itália, da revista Fórum, na Holanda, etc. (6). O próprio Le Corbusier, a esta altura da sua vida já se encontrava desiludido com o capitalismo, a revolução industrial e até mesmo com a própria machine, que ele tanto louvara como o “&lt;em&gt;espírito&lt;/em&gt; &lt;em&gt;de uma nova era&lt;/em&gt;” (7).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade pós-moderna (8) veio com o neoliberalismo econômico e a globalização financeira; ela caracteriza-se, nos países da periferia do capitalismo, pela produção de novas centralidades urbanas que imitam as metrópoles do primeiro mundo, resultado da maior concentração da riqueza nas mãos de uma pequena e alienada parcela da população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como subproduto destas novas centralidades temos aqui em São Paulo, há muito tempo, a chaga urbana dos condomínios fechados, horizontais ou verticais, que nada mais são do que a expressão física da vontade das elites de se segregarem espacialmente do restante da população e, por conseqüência, da própria cidade. As incorporadoras e corretoras abocanharam este filão de ouro e, sob o pretexto de uma duvidosa segurança aliada a um pseudo modus vivendi glamourizado, criam conjuntos a cada dia mais sofisticados, transformando-os em verdadeiros clubes, com piscinas, quadras de esportes, porte-cochères, espaços gourmets, academias de ginástica, e o que mais possa passar pela cabeça de seus marqueteiros. São estes condomínios os verdadeiros destruidores da urbanidade, das práticas sociais e culturais da cidade, do papo no café ou no bar da esquina, dos encontros casuais, do confronto das diferenças, da convivência entre classes, etc.. Com esta negação do espaço público fecha-se o comércio de vizinhança, erguem-se shopping-centers um atrás do outro para os que possuem automóveis e a vida urbana, tão rica na diversidade que lhe é própria, vai aos poucos se esvaindo, enquanto que a pobreza é inevitavelmente segregada desta “cidade global”, deslocando-se para a sua periferia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. Quanto ao partido adotado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Para reencontrar o espírito de uma obra, um objeto, um parque, uma arquitetura... é preciso que ela represente uma alegria, um desafio, que envolva o fortuito. [...] Esta seria a forma de um objeto que voltou a ser cidade, onde seria novamente possível mover-se e não apenas trafegar, onde andar a pé e repousar voltariam a ser uma fantasia. Sonhar sempre é possível”.&lt;br /&gt;Jean Baudrillard (9)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na concepção do Bairro Novo optamos pelo reticulado cartesiano (símbolo habitual de civilização, segundo Leonardo Benévolo) para o seu sistema viário, orientando-o no sentido geral norte-sul, direção do escoamento natural das águas pluviais para a bacia do rio Tietê. A célula básica do bairro, definida por vias principais de 25 m de largura, compreenderia quatro quarteirões formados por quatro vias secundárias que, por sua disposição em forma de catavento, gerariam uma praça no interior de cada célula. Esta malha abstrata ao ser sobreposta às vias públicas existentes criaria singularidades nas quadras a ela lindeiras, trazendo o inesperado e o casual à rigidez geométrica do seu desenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto viário previa também a demolição do Viaduto Pompéia por se constituir ele em uma barreira psicológica para a integração do bairro com a sua vizinhança ao sul, além de outros inconvenientes tais como a degradação da paisagem urbana, a favelização e a ocupação irregular de suas cabeceiras e a absoluta falta de segurança para a travessia de pedestres, principalmente durante a noite. Para substituí-lo o projeto previu a cobertura de um trecho da linha férrea por um lajão, elevando suavemente as áreas anexas e permitindo assim uma travessia ampla e natural do leito ferroviário. Na seqüência, a Av. Nicolas Bôer, que leva à margem norte do rio Tietê, receberia duas vias laterais para o acesso local, liberando assim o tráfego de passagem para o Bairro do Limão. A Av. José Nelson Lorenzon (projetada) ladearia o córrego da Água Branca, canalizado a céu aberto e convenientemente arborizado, que receberia parte das águas de drenagem da área. A estação da CPTM existente seria deslocada para este limite natural de vizinhança, servindo assim melhor a ambos os bairros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O plano urbano contemplava um sistema viário que promovesse a valorização do pedestre e um zoneamento que minimizasse a necessidade do uso do automóvel. Nas vias primárias a calçada seria complementada por galerias cobertas sob os prédios lindeiros; as esquinas seriam configuradas como espaços generosos e equipadas com mobiliário urbano adequado. Em todas as vias públicas a travessia de pedestres seria feita por meio de “lombo-faixas”, lombadas suaves de concreto armado que, niveladas com as calçadas, facilitariam seu uso por idosos, crianças e portadores de deficiências físicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Quanto ao ordenamento do solo privado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que um enfoque cultural ou meramente técnico, pretendíamos com este plano, propiciar a criação de espaços públicos e privados abertos para a diversidade que,ao contrário de segregar as diferenças sociais, promovessem sua necessária confrontação e coexistência no seio deste novo assentamento urbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na organização do solo privado buscamos um parcelamento fundiário de dimensões tais que permitisse sua incorporação por pequenas e médias construtoras e um zoneamento que unisse uma mescla de usos variados nos lotes a uma maior integração das edificações com o espaço público. As habitações de interesse social seriam distribuídas por todos os quarteirões do bairro, impedindo-se assim a discriminação espacial da pobreza e a formação de condomínios fechados nas quadras, dois itens fundamentais deste plano, aumentando-se, ao mesmo tempo, as oportunidades de emprego para os moradores das HIS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os quarteirões de uso residencial e misto (hab/com/serviços) se constituiriam em blocos de volumetria definida em suas três dimensões no projeto, formando massas tectônicas bem caracterizadas que configurariam os espaços urbanos públicos (ruas, praças, parque) e privados (o interior das quadras). Para tanto os edifícios que as comporiam seriam construídos no alinhamento das vias de circulação, não contariam com recuos laterais e teriam gabarito de altura único por bloco. Os edifícios seriam de uso exclusivamente residencial quando voltados para as ruas e praças no interior das células urbanas, e de uso misto (com comércio nas galerias do térreo) quando voltados para as vias principais. Os prédios de esquina seriam “coringas” quanto ao uso, podendo, se assim necessário, serem utilizados em sua totalidade para comércio e/ou serviços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obedecidos os itens acima, seriam livres de restrições os demais aspectos referente aos projetos de arquitetura tais como as dimensões e o nº de unidades por edifício, os sistemas construtivos, os materiais de acabamento, a composição das fachadas, etc.. Em resumo, estas disposições do plano permitiriam a diversidade e o pluralismo arquitetônico dentro de uma estrutura normativa rigorosa das massas tectônicas que constituiriam o lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. Quanto a qualificação ambiental do bairro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Seria conveniente não nos esquecermos de que em grego, parádeisos, fonte primeira de paraíso, significava também jardim”.&lt;br /&gt;Souza Brandão&lt;/em&gt; (10)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto paisagístico proposto para o espaço público do bairro abrangeria, basicamente, um sistema de dez praças com área de cerca de 6.500 m² cada, um parque urbano com 74.500 m² e a arborização da malha viária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As praças, concebidas com características de áreas de lazer destinadas às unidades habitacionais, apresentariam um desenho com leitura de fácil identificação dos acessos, convergindo para um ponto focal de interesse paisagístico, numa linguagem adequada ao uso comum de todas elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao par desta unidade, cada praça teria elementos peculiares, visando ao enriquecimento e identidade desses espaços livres do bairro. Assim, a praça I, contaria com tanques para peixes e espelhos d’água e na praça II haveria espaços para a comercialização de frutas e flores. Na praça III encontrar-se-iam diversos tipos de fontes e na praça IX foram propostos espaços para feiras de artes e artesanatos, locais para uso dos grafiteiros e assim por diante: praças pomares, praças com palco e anfiteatro, praças para se passear, todas elas dotadas de equipamentos de lazer para as diversas faixas etárias. Quanto às espécies arbóreas e arbustivas escolhidas para cada um destes espaços, estas foram indicadas de acordo com o tema de cada uma das praças e se constituiriam em parte integrante do arranjo espacial e funcional proposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parque, situado próximo a ponte sobre o Tietê, foi concebido em uma linguagem de feição orgânica, com um modelado de relevo em ondulações suaves e um lago, referência simbólica às antigas várzeas e meandros do rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Áreas de lazer passivo alternar-se-iam com outras de lazer ativo; o plantio seria composto principalmente, por extensos gramados com grupos de árvores nativas e renques de palmeiras plantados mais densamente nas faixas lindeiras ao sistema viário, de modo que funcionassem como barreiras visuais e sonoras que favorecessem a tranqüilidade no interior do parque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na arborização viária procurou-se a criação de um dinamismo na paisagem, priorizando-se a utilização de espécies nativas e exóticas de uso tradicional na cidade, que enfatizassem as floradas que caracterizam as mudanças sazonais, com a presença, entre outras, de jacarandás, ipês, tipuanas e quaresmeiras. No interior das quadras foi prevista uma faixa non aedificandi de 15 m de largura, favorecendo a permeabilidade do solo e que seria tratada como um pomar, atraindo assim a passarada para os pátios internos dos quarteirões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6. Em defesa dos pontos polêmicos do plano&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Vale mais ser repreendido pelos gramáticos do que ser incompreendido pelo povo”.&lt;br /&gt;Santo Agostinho&lt;/em&gt; (11)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abordamos a seguir, as criticas mais comuns ao Bairro Novo que tem chegado ao nosso conhecimento, procurando justificar as soluções adotadas, todas elas frutos de uma longa reflexão sobre o meio físico no qual atuamos em nossa profissão de arquitetos – a urbs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Existe a cidade modernista e a tradicional – ganhou, no concurso, a cidade tradicional.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Supomos que esta afirmação (simplista) se deva a nossa adoção do quarteirão urbano definido pela construção dos edifícios em seu perímetro, maximizando assim o seu contato com a rua e favorecendo a formação de grandes espaços internos nas quadras. Esta é realmente uma solução milenar e universal de morfologia urbana e estranhamos que muitos colegas aleguem não ter sido ela uma característica do urbanismo paulistano, quando somente a partir de 1972, com a Lei de Zoneamento e Uso do Solo e de1975 com a lei 8.266 (código de obras) passou esse modelo a sofrer restrições legais (eu mesmo ainda projetei alguns edifícios no alinhamento e sem recuos laterais, como o Senac da Av. Francisco Matarazzo). Acontece que por aqui, além do galo ter cantado atrasado, o resultado das novas leis (por pressão dos agentes imobiliários) ficou muito aquém do esperado, com os novos edifícios sofrendo com a falta de insolação e privacidade devido aos risíveis recuos laterais exigidos e a tipologia dos lotes, com centenas de prédios exibindo fachadas cegas (ou quase) para as ruas, perdendo assim seu contato vital com o espaço público em troca de uma duvidosa volumetria modernista e norte-americanizada. Sugerimos também a estes colegas uma releitura de algumas das dezenas de artigos e ensaios escritos nas últimas décadas sobre as conseqüências, para a população, da dissociação espacial entre o domínio privado e o público (a rua).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Trata-se de mais uma tentativa frustrada de dar uniformidade à cidade.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se assim fosse, seria esta uma tentativa presunçosa e arrogante, estamos falando de um bairro minúsculo para a escala de SP, em meio a outros de feição urbana ainda não consolidada. A tal uniformidade só existiria nas massas tectônicas, algo que é um feijão-com-arroz em cidades tanto d’aquém quanto d’além mar (os projetos urbanos modernistas, desde o “Plan Voisin” até o de “Chandigarh” tem seus gabaritos rigorosamente definidos). A variedade, como já foi dito, seria dada pela arquitetura diferenciada de cada edifício que comporia as quadras. Quem viveu as décadas de 40 a 60 no Rio de Janeiro certamente se lembrará da feição extremamente humana e agradável desta cidade, regulada por PAs (Projetos de Alinhamento) que fixavam gabaritos de altura para os seus diversos bairros (geralmente em 4 pavimentos mais cobertura e pilotis), modelo urbano este criminosamente abolido pelo governador Carlos Lacerda que liberou os gabaritos e recuos, permitindo o acréscimo de um pavimento para cada 50 centímetros de afastamento do alinhamento e das divisas. Tal legislação não só destruiu o modelo urbano consagrado da cidade, mas também sua relação harmoniosa com a magnífica natureza do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– O acesso de pedestres e veículos aos edifícios com galerias comerciais será confuso e difícil.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não será, basta apenas verificar a propriedade da solução em milhares de edifícios desde Porto Alegre até Belém do Pará. Não estamos inventando a roda; esta tipologia, introduzida no Brasil cremos que por Alfred Agache, é perfeita para nosso clima tropical que alterna calor intenso com chuvas copiosas ou a tradicional garoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– O projeto é uma citação do Plano Cerdà, para Barcelona.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, consideramos tal assertiva como um elogio e não uma crítica ao nosso projeto; mas gostaríamos de esclarecer uma confusão comumente feita sobre o plano de Ildefonso Cerdà. O aspecto revolucionário deste plano (de 1867) eram os quarteirões quadrados, construídos no perímetro, mas dos quais 1 ou 2 lados não eram edificados, incorporando-se assim ao espaço público o interior dos mesmos. Infelizmente os agentes da especulação imobiliária sabotaram esta solução e os quarteirões acabaram sendo construídos em todo o seu perímetro. Já o chanfro em suas esquinas é marcante e significativo por suas dimensões, mas adotado (em outras escalas) normalmente nos terrenos de esquina pelo mundo afora. Aliás, esquinas são nós urbanos plenos de significados quase que mágicos; são o lugar dos encontros, da surpresa, da escolha, do fluxo das informações, das perspectivas que se abrem; seus lotes são geralmente a menina dos olhos dos arquitetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Não há um aproveitamento comunal mais elaborado do interior dos quarteirões.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não era para haver mesmo, criamos barreiras urbanísticas (as HIS) que impedem este tipo de organização do solo. Tal aproveitamento levaria à criação de condomínios-clube fechados, isolados da vida social do bairro e alheios ao dia a dia da cidade. Imaginamos os pátios internos como locais para criança bater bola e andar de velocípede, com um belo pomar nos fundos, só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– O projeto representa uma cópia do modelo europeu do quarteirão fechado e uma volta ao passado, com o abandono dos postulados urbanos modernos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma pequena variação da primeira crítica apresentada; mas a questão é importante e não custa repassá-la. Não sabemos de onde foi tirada a idéia de que a quadra é uma tipologia estranha ao nosso urbanismo, afinal fomos colonizados por europeus. O uso do quarteirão fechado (12) era comum na grande maioria de nossas cidades até uns trinta ou quarenta anos atrás, quando a pressão da especulação imobiliária pelo maior aproveitamento dos lotes urbanos levou aos quarteirões abertos, de feição norte-americana, mas com ocupação do solo excessiva e recuos e afastamentos insuficientes para a insolação, a ventilação e a privacidade dos seus edifícios. O resultado são estas metrópoles que aí estão com quarteirões ecléticos que são verdadeiros mostruários de estilos arquitetônicos e de materiais de construção. O retorno à quadra fechada não representa um abandono dos postulados do urbanismo modernista, simplesmente porque estes últimos nunca foram aplicados por aqui, a não ser como farsa tipológica, para se construir mais no mesmo espaço urbano (com as exceções de praxe). A variedade de alturas dos edifícios nas quadras abertas de SP é mera conseqüência de uma combinação entre as áreas dos lotes e o “lassez faire” do nosso código de obras, que no fundo reflete o desejo, consciente ou inconsciente, de um skyline de uma metrópole norte-americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– O projeto representa uma tentativa de inserção de São Paulo na economia mundial através de novas centralidades apoiadas no mito da cidade global.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é um delírio, projetamos um bairro residencial com comércio local para a classe média paulistana e não um distrito como os da burguesia de Dubai, com suas torres mirabolantes e jardins saídos dos contos das mil e uma noites. As novas centralidades que aspiram (um tanto ou quanto provincianamente) a esta condição globalizada são as regiões da Berrini, da Nova Faria Lima e da Marginal do Rio Pinheiros, com a sua ponte estaiada, todas na região sudeste da cidade. Conforme Mariana Fix, “&lt;em&gt;O mito das cidades globais, por sua vez, já nasce enfraquecido, e por isso ganha ares de farsa. Tem como miragem as novas centralidades produzidas em cidades como São Paulo, que reproduzem em escala modesta, o skyline que mimetiza os centros de comando e projeta, em um país semiperiférico, a imagem de uma global city &lt;/em&gt;" (13).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Uma família normal não moraria no mesmo bairro de sua empregada doméstica, como nós pretendíamos em nosso projeto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta barbaridade nos foi dita por uma autoridade do governo municipal que anulou o nosso contrato; trata-se de racismo e preconceito social e é crime previsto no nosso Código Penal. Menciono-a aqui para relembrar que em meus tempos de criança, empresários, doutores, professores, quitandeiros, sapateiros, mecânicos, lavadeiras, costureiras, moravam todos no mesmo bairro e não havia nada de excepcional neste fato; na Gávea (RJ) onde passei minha infância e juventude havia inclusive um parque proletário, iniciativa do governo Vargas, aonde depois veio a ser erguido o célebre conjunto habitacional do Affonso Reidy. Com o desenvolvimento do país veio uma maior concentração da renda, a disparada dos preços dos imóveis, o subemprego e a miséria explícita, com a conseqüente separação espacial das classes sociais. No programa do Bairro Novo havia, acertadamente, previsão para certo número de habitações de interesse social (HIS), que distribuímos como já foi dito anteriormente, pelos diversos quarteirões do bairro evitando assim a formação de guetos com a segregação programada da pobreza. Nunca achamos que as elites paulistanas voltariam a viver próximas ao centro histórico da cidade; pensamos que os habitantes do bairro deveriam ser da classe média verdadeira: pequenos comerciantes locais ou do vizinho Bom Retiro, comerciários, prestadores de serviços de variadas complexidades, professores, profissionais liberais, jornalistas, taxistas e outros microempresários, artistas, artífices, repúblicas de estudantes (existem várias universidades na vizinhança), arquitetos, etc. Conforme Leonardo Benévolo, “&lt;em&gt;a cidade&lt;/em&gt; &lt;em&gt;industrial ainda não é certamente a cidade dos iguais entre si, mas na cidade industrial a igualdade deixa de ser uma utopia teórica e torna-se uma proposta praticável”&lt;/em&gt; (14).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– A demolição do viaduto Pompéia e o lajão a ser construído sobre a ferrovia mascaram sua presença e representam um gasto desnecessário no sistema viário do bairro.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linha da CPTM representa uma barreira física entre o novo assentamento e os bairros vizinhos ao sul, enquanto que o viaduto que a transpõe se constitui em uma alternativa precária e arriscada de travessia para o pedestre. A laje que substituiria o viaduto Pompéia (que seria implodido) cobriria pouco mais de 200 metros do leito ferroviário, proporcionando mesmo assim uma excelente articulação espacial com a vizinhança. Convenhamos que tal obra não seria nenhum bicho de sete cabeças (compare-se esta com a recente cobertura de todo o pátio ferroviário da Gare d’Austerlitz, em Paris – nosso empreendimento torna-se então tão simples e diminuto...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Enquanto os projetos forem apenas plasticamente interessantes, não terão mercado, é preciso haver uma reflexão mais séria sobre o assunto&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta objeção é de um representante do capital imobiliário e provavelmente uma autocrítica, pois apenas há alguns anos antes o mercado havia levado um tombo feio na Nova Faria Lima. Já o interesse plástico do bairro, esse só surgiria na medida em que as quadras fossem constituídas por edifícios de alta qualidade arquitetônica, pois como dizia Louis Kahn, ordem não é por si só garantia de beleza. Qualidade urbana o Bairro Novo teria de sobra: transporte público fácil, paisagem agradável (arborização, parque, largos, praças), valorização do pedestre, mescla de funções, possibilidade de geração de empregos locais (comércio e serviços), previsão de equipamentos institucionais, vidas diurna e noturna, etc. Agora, se alguém procurasse construir visando o mercado de habitação para as classes ricas e as elites globalizadas, certamente quebraria a cara, pois esta empreitada não estaria de acordo com o genius loci do bairro (o espírito do lugar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo – o concurso e o desenvolvimento do projeto vencedor contaram com um consultor experiente e permanente, indicado pela Sempla, vindo do mercado imobiliário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– As ruas de menor hierarquia contidas no interior da malha ortogonal viária principal fará desta última uma unidade de vizinhança típica do modelo territorialista de ocupação do solo da Carta de Atenas, recusado pelos autores.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao colocarmos no miolo de cada célula urbana uma praça formada por ruas de tráfego local, aceitamos o risco de uma possível e indesejada subdivisão do bairro em territórios desarticulados socialmente entre si; no entanto contamos com os seguintes fatores para fazer frente a esta probabilidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a inexistência de uma via principal de alta velocidade de acesso às células. &lt;br /&gt;- a força da malha viária principal, com suas galerias de comércio local (próprias para a freqüência de pedestres) definindo todas as quadras do bairro, associadas aos largos dos cruzamentos, que articulam quatro células em torno de um único nó viário. &lt;br /&gt;- a ausência de equipamentos urbanos tais como escolas, creches, postos de saúde, no interior das células. sua disposição seria ao longo da grelha ortogonal, favorecendo - a extroversão dos quarteirões. &lt;br /&gt;- a escala dos espaços envolvidos, abertos e de acesso amplo e irrestrito. &lt;br /&gt;- a tendência natural e universal do pedestre (e mesmo do automóvel) de cortar o caminho em diagonal passando, quando for este seu rumo, pelo interior das células ao invés de contorná-las, tornando-as mais “permeáveis”, sociologicamente falando.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; -E por fim, achamos que a qualidade paisagística e ambiental conferida por esta solução ao bairro, justifica por si só o risco de sua adoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– As “lombo-faixas” nos cruzamentos complicariam ainda mais o trânsito já engarrafado da região.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Paulo não tem mais solução viária possível e a degradação urbana causada pelo transporte individual já ultrapassou em muito o limite do aceitável. Já é tempo de criarmos, como em certas cidades da Holanda e da Alemanha, barreiras físicas que piorem ainda mais o trânsito em áreas bem servidas por transporte coletivo (metrô, trem, corredores de ônibus), convencendo assim a classe média a deixar seu carro em casa e a reivindicar, como classe formadora de opinião que é, as melhorias sabidamente necessárias no sistema público. As “lombo-faixas” servem também para lembrar ao automobilista que ele divide o espaço da rua com outros usuários (pedestres, ciclistas, etc.) com direitos iguais de locomoção. Já nas faixas laterais das vias principais e nas ruas secundárias, a pavimentação em paralelepípedos ou solução similar, visa a diminuir a taxa de impermeabilização do solo do bairro além da redução da velocidade dos veículos junto às calçadas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Epílogo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Dizia-se que a cidade era o lugar da esperança... Ou do desespero”.&lt;br /&gt;Milton Santos, Manual de geografia urbana, pag. 73.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em março de 2008 a Telefônica vendeu à Tecnisa Construção e Incorporação sua gleba na área foco do Bairro Novo, entre a estrada de ferro e a Avenida Marquês de São Vicente, com 244 mil metros quadrados de área (cerca de 25% do total destinado ao bairro). Esta última vem desde então declarando na mídia que erguerá no local (legitimamente, o zoneamento o permite) um “bairro” constituído por “condomínios-clube” que são “prédios de apartamentos construídos com grandes e variadas áreas de lazer” (14), ou seja, justamente tudo aquilo que não queríamos para esta parte da cidade. Parafraseando Marx, para nós trata-se aqui não do urbanismo da miséria, mas da miséria do urbanismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;1&lt;br /&gt;O Concurso Público Nacional "Bairro Novo – Concurso Nacional para um Projeto Urbano" foi promovido em 2004 pela Prefeitura do Município de São Paulo, através da Empresa Municipal de Urbanização – EMURB – e organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento de São Paulo – IAB/SP. A Comissão Julgadora, formada pelos arquitetos Valter Caldana, Alberto Rubens Botti, Alfredo Máximo Garay, Jorge Wilheim, José Magalhães Júnior, Luiz Fernando de A. Freitas, Nádia Somekh e Paulo de Melo Zimbres, divulgou a Ata de Julgamento no dia 22 de julho de 2004, aonde se referenda o primeiro lugar para o Projeto PR 1051, de autoria dos arquitetos Euclides Oliveira, Dante Furlan e Carolina de Carvalho, com paisagismo do Arquiteto Sidney Linhares. O projeto vencedor, os projetos classificados em segundo e terceiro lugares, além dos sete que mereceram menções honrosas, estão divulgados na editoria Projeto Institucional do Portal Vitruvius e podem ser acessados através do link www.vitruvius.com.br/institucional/inst92/inst92.asp.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2&lt;br /&gt;PEIXOTO, Nelson Brissac. Arte/Cidade. São Paulo, Sesc SP, 2002, p. 105 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3&lt;br /&gt;ARGAN, Giulio Carlo. História da arte como história da cidade. São Paulo, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1992, p. 223. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SIEDLER, Wolf Jobst, entrevista conduzida por LAPUGNANI, Vittorio Maganago para a revista Domus, n. 685. Milão, jul./ago./ 1987.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5&lt;br /&gt;A Carta de Atenas sempre contou com adversários como Bruno Zevi, Ludovico Quaroni, Ernesto Rogers, Pierre Vago e “arrependidos” como José Lluis Sert. O “Team 10” formou-se na década de 50 e era constituído por Jacob Bakema, Aldo van Eick, Alisson e Peter Smithon, Georges Candilis, Sadrach Woods e outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6&lt;br /&gt;Podemos citar como exemplos (díspares entre si) Aldo Rossi, Colin Rowe, Leon e Rob Krier, o Archigram, Piet Blom, Herman Hertzberger, Manfredo Tafuri, Vittorio Gregotti, Oriol Bohigas, Denise Scott Brown.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7&lt;br /&gt;Le Corbusier, consultado por Candilis, apoiou a posição da direção do CIAM, sugerindo inclusive, a redação de uma Carta do Habitat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8&lt;br /&gt;A cidade neoliberal (americanizada) muito pouco ou nada tem a ver com o urbanismo americano utópico de Frank Lloyd Wright, ou o “europeizado” de Sert, Richard Neutra, Rowe, dos irmãos Krier, Scott Brown, ou ainda com o “New Urbanism” de Peter Katz, Cristopher Alexander, Jane Jacobs, entre outros, ficando mais no domínio do laissez-faire capitalista, que de resto sempre reinou sobre as cidades norte-americanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9&lt;br /&gt;BAUDRILLARD, Jean. Entrevista concedida a revista AU- Arquitetura e Urbanismo nº 30, São Paulo, Editora Pini, jun/julho de 1990.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10&lt;br /&gt;BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega. Petrópolis, Editora Vozes, 2008, vol. II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11&lt;br /&gt;AGOSTINHO, Aurélio (Santo Agostinho). LE GOFF, Jacques, A Civilização do Ocidente Medieval. São Paulo, EDUSC, 2002, p.108.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12&lt;br /&gt;Sugiro aos interessados que dêem uma volta pelos bairros mais antigos de São Paulo (fora o centro histórico, degradado e onde os exemplos são incontáveis) e procurem edifícios construídos no alinhamento e nas divisas, com 3 ou 4 pavimentos, formando blocos que tomam todo o quarteirão ou mesmo isolados. Eles existem às dezenas em Pinheiros, Vila Madalena, Itaim Bibi, etc., são simpaticíssimos, na exata escala do pedestre e dificílimos de alugar ou comprar por suas evidentes qualidades urbanas (e mais raramente, arquitetônicas). E por fim, lembramos que Brasília, cidade ícone dos postulados da Carta de Atenas, tem gabarito de altura pré-fixado para cada um dos seus edifícios segundo sua função, criando assim uma homogeneidade de massas construídas por zona funcional do conjunto urbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13&lt;br /&gt;FIX, Mariana. São Paulo cidade global – fundamentos financeiros de uma miragem. São Paulo, Boitempo Editorial, 2006, p. 168.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14&lt;br /&gt;BENÉVOLO, Leonardo. A cidade e o Arquiteto. São Paulo, Editora Perspectiva, 2001, p. 32.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15&lt;br /&gt;Jornal Valor Econômico, edição de 26 de março de 2007, reportagem “Tecnisa vai criar novo bairro na Barra Funda”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota do Autor&lt;/strong&gt; - Este artigo foi publicado originalmente no portal de arquitetura &lt;strong&gt;Vitrúvius&lt;/strong&gt; em "&lt;strong&gt;Arquitextos 104&lt;/strong&gt;" (www.vitruvius.com.br) e foi até certo ponto baseado em outros escritos do autor, havendo assim alguma repetição das idéias e citações já expostas neste Blog.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-450680408755032706?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/450680408755032706/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=450680408755032706' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/450680408755032706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/450680408755032706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/02/de-volta-barra-funda.html' title='&lt;strong&gt;DE VOLTA À BARRA FUNDA&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-879714813346098012</id><published>2009-01-30T21:13:00.010-02:00</published><updated>2009-02-01T18:40:57.219-02:00</updated><title type='text'>SOBRE URBANISMO - PARTE II</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Arte Urbana, Projeto Urbano ou Urbanidade?&lt;br /&gt;por Pierre Lucain&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A forma urbana nunca foi plenamente apreendida pelos arquitetos, que por muito tempo foram mais sensíveis a problemática existente nos grandes projetos estruturadores das cidades do que a problemática inerente aos tecidos vernaculares que se constituem no corpo vivo de qualquer aglomeração urbana. Esta miopia, devido à falta de uma visão global do fenômeno em questão, deve ser criticada porque geralmente refere-se às grandes intervenções efetuadas nos centros históricos das cidades. Assim, apenas os centros acabam sendo considerados para revitalização, e para muitos, reforma urbana significa tão somente a reforma da área central da cidade. É verdade que o centro é frequentemente a imagem e o símbolo da cidade, mas, na realidade ele é tão somente um bairro especial dentro da área urbana.&lt;/em&gt; (Pierre Lucain reivindica aqui um enfoque mais minimalista para as intervenções urbanas – seu maior criticismo provavelmente se dirige aos projetos faraônicos de renovação urbana do tipo das efetuadas na “City” e nas docas de Londres, por arquitetos como Norman Foster, Richard Rogers, César Pelli, etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A QUARTA DIMENSÂO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A obra de Bacon, “Design of Cities”, uma das raras obras contemporâneas que lidam com o projeto urbano, exprime bem essa visão (8). O espaço urbano no qual ele analisa os vários conceitos históricos ou culturais é sempre um espaço central, que considera um espaço vernacular exótico. Na realidade, Bacon está mais interessado na monumentalidade do que na natureza do espaço urbano, mas não é a monumentalidade o apanágio dos centros das cidades? &lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt;, muitos como Bacon tropeçam neste ponto, porque o espaço central, assim como as funções que ele assume, é heterogêneo por natureza e a monumentalidade é apenas uma de suas dimensões. Algumas cidades, principalmente as cidades norte-americanas, têm seus centros desprovidos de qualquer monumentalidade, mas com espaços centrais muito interessantes, o que implicaria em uma dicotomia entre espaços centrais e monumentalidade, dicotomia esta da qual Sitte estava bem ao par, quando ele criticava o abuso praticado em sua época no uso dos espaços “Haussmanianos” que considerava incapazes de serem monumentais ou sociais. Um autor mais contemporâneo, Colin Rowe, nega esta dicotomia (9) jogando com a ambigüidade da dupla função dos espaços maiores, a social e a semântica. Rowe baseia sua concepção na possibilidade de que muitos monumentos antigos tiveram de dissolver-se no tecido urbano, tornando-se, eventualmente, espaços vernaculares, deduzindo então, como Bacon o fizera anteriormente, que cidades devem ser estruturadas por grandes composições.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Já Leonardo Benévolo, em sua “Formação da Cidade Européia”, considera que a “Haussmanização” induz à destruição dos centros históricos, e que, ao contrário do que afirma Rowe, os monumentos emergem deslocados do novo tecido formado. [... ”Da destruição são excluídos edifícios antigos mais importantes que a história da arte classifica como documentos históricos e modelos dos estilos restropectivos para a nova construção civil e que a consciência coletiva considera indispensáveis para a caracterização dos lugares. Estes edifícios são isolados e utilizados como focos perspectivos dos novos espaços urbanos onde, todavia, acabam por deixarem de se destacar porque a novas construções, mais densas, imitam suas dimensões. Tornam-se monumentos separados do ambiente urbano, tal como no museu as obras de arte estão separadas do circuito cotidiano de fruição. Nesta situação &lt;strong&gt;a arte começa a separar&lt;/strong&gt;-&lt;strong&gt;se&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt; da vida&lt;/strong&gt;,o ambiente quotidiano começa a ficar mais pobre e a beleza transfere-se para a esfera do entretenimento, do tempo livre”...]).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os irmãos Krier compartilham à sua maneira e com ligeiras nuances o primeiro ponto de vista, e então, embora uns poucos como os Krier, Rossi, Bacon ou Rowe teorizem na mesma direção nenhum deles ousa a enfrentar o verdadeiro problema de frente, atacando a espinhosa questão da monumentalidade e a natureza dos espaços urbanos contemporâneos, uma questão que restará não resolvida enquanto os urbanistas continuarem a ignorar ou sublimar as relações potencialmente explosivas que as cidades mantêm com a tecnologia, principalmente as de transporte e iluminação urbanas&lt;/em&gt; (eu pessoalmente ressalvo que não considero, absolutamente, a iluminação urbana um bicho de sete cabeças a não ser pelas concessionárias porcalhonas -de eletricidade, telefone, TV a cabo,etc., também - que não enterram a fiação, poluindo o espaço aéreo das cidades com centenas de quilômetros de fios). &lt;em&gt;Esta questão ocupa o centro de nossa reflexão. O fato é ainda mais importante porque é impossível lidar com ele referindo-se a exemplos do passado e as poucas referências atuais são de caráter muito particular para serem úteis à nossa análise. O meio urbano sempre se adaptou, com alguma inércia inicial, às evoluções da tecnologia; mas as que aconteceram nos séculos XIX e XX foram rápidas e brutais demais para permitir uma apreciação coerente de onde pudéssemos tirar conclusões objetivas. Le Corbusier e os CIAMs previram o choque, mas suas crenças nas tecnologias modernas eram de tal ordem que eles chegaram a soluções radicais que muitas vezes, quando aplicadas, levavam à resultados desastrosos. Outros arquitetos abordaram esta questão posteriormente, sempre com resultados os mais diversos; Khan, reconhecendo no fluir do trânsito, movimentos constituintes da paisagem urbana; Lynch e Appleyard desenvolvendo estruturas seqüenciais arquitetônicas para serem “lidas” em alta velocidade; Cullen, aproximando-se por meio do detalhe do vocabulário das pequenas e grandes formas urbanas para, pragmaticamente, montar uma gramática operacional. Dos três, Cullen foi o único a aprofundar suas pesquisas, sendo que a sua gramática permanece válida até os dias de hoje e, apesar de receber julgamentos sobre seu valor bem maniqueístas, continua como a única proposta com credibilidade sobre este assunto. Cullen também merece crédito por se reaproximar de um conceito considerado obsoleto porque romântico, o de urbanidade, isto é, um conjunto de elementos que tornam cognoscível um meio urbano. Lynch teve um vislumbre da questão, mas não lhe deu maior atenção, permanecendo ela ignorada por seus seguidores. Arquitetos tem consciência deste fato (a urbanidade) mas não sabem como expressá-lo, sem dúvida por que é um conceito essencialmente subjetivo, que escapa a qualquer tentativa de codificação. Tal como a Arquitetura, a Urbanidade é um conceito indefinível, mas ao contrário daquela, ela não tem, uma dimensão social ou funcional. &lt;/em&gt;(??? !! o Pierre aqui pisou na “mayonnaise”! Marsílio Ficino, filósofo da Renascença dizia que a cidade não era feita de pedras, era feita de homens – como não haver nela uma dimensão social? A "urbanidade", esta atmosfera subjetiva das cidades prescinde da humanidade? Uma cidade sem habitantes nada mais é do que um pesadelo.). &lt;em&gt;Frequentemente confundida com o pitoresco,ela pode ser a quarta dimensão das paisagens urbanas, mas esta dimensão não seria a finalidade implícita de toda a arte urbana?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; (E por falar em tecnologia acho que o veículo particular foi o segundo maior agente transformador (e destruidor) das áreas urbanas na história das cidades – em primeiro vêm as guerras).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 – Nós chamamos de cidades “espontâneas” aquelas que possuem um passado e uma maturidade, em contraposição às cidades “novas”, criações artificiais. Fica no entanto subentendido que cidades “novas” podem eventualmente tornarem-se “espontâneas”, como acontece frequentemente na história do urbanismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 – Embora os exemplos mencionados sejam antigos, é possível citar vários outros na arquitetura contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 – Frank Lloyd Wright in “Disappearing City” N.Y. 1945.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 – Aldo Rossi in “L’Architettura della Citta”, Padova 1966.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 – Claude Levi-Strauss in “Tristes Tropiques”, Paris, 1955, citado por Aldo Rossi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 – Camillo Sitte in “L’artde bâtir lês villes”, Edição Francesa, Equerre, Paris, 1980.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 – Gaston Bardet in “L’urbanisme”, Paris, 1947.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 – Edmund N. Bacon, “Design of Cities”, N.Y., 1967.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 – Colin Rowe e Fred Koetter, “Collage City”, Cambridge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.T. - Fiz esta tradução a partir do texto em francês, verificando-o no final com a tradução em inglês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-879714813346098012?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/879714813346098012/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=879714813346098012' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/879714813346098012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/879714813346098012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/01/sobre-urbanismo-parte-ii.html' title='&lt;strong&gt;SOBRE URBANISMO - PARTE II&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-1606554398772041948</id><published>2009-01-26T16:08:00.006-02:00</published><updated>2009-01-29T12:43:37.203-02:00</updated><title type='text'>SOBRE URBANISMO - PARTE I</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Arte Urbana, Projeto Urbano ou Urbanidade? &lt;br /&gt;por Pierre Lucain&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este artigo saiu na l’architecture d’aujourd’hui 217, de outubro de 1981 e traduzo-o aqui e agora porque de certa forma ele reflete o debate que tínhamos naquela época sobre Urbanismo, Brasília e a Carta de Atenas que, por diversas contingências, prolongou-se até os dias de hoje no nosso meio profissional. Informo que Pierre Lucain é um arquiteto belga que escreveu na AA até mais ou menos 1999, sendo que depois eu o perdi de vista (ou de revista). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por um longo tempo os arquitetos tiveram uma visão subjetiva e estreita da cidade, que refletia simultaneamente suas preocupações do momento, suas aproximações muito particulares com os problemas que lhes eram colocados e as incertezas das modas que se sucediam umas às outras com crescente rapidez. As vastas perspectivas Haussmanianas e o estilo neoclássico do século retrasado foram veementemente rejeitados pelo planejamento funcional dos movimentos modernos, que por sua vez foram questionados por outros movimentos mais ligados a questões político-sociais e ecológicas da sua época. Estes típicos movimentos dos anos sessenta, influenciados pelo pós-modernismo, foram levados a uma visão romântica e literária da cidade, visão esta cujo resultado final foi a construção de umas poucas “unidades de vizinhança” suburbanas de classe média&lt;/em&gt; (aqui Lucain refere-se provavelmente aos  membros do movimento norte-americano "New “Urbanism”, autores da "Charter of New Urbanism"; lembro por oportuno que os arquitetos modernistas tinham uma real preocupação com a desigualdade social de sua época e que sua luta maior era pela moradia digna, universal e sabiamente desenhada, como dizia o Giancarlo de Carlo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Alguns conceitos desses movimentos eram contraditórios entre si, outros se complementavam, mas todos eles falhavam no reconhecimento da interdependência dos fenômenos urbanos com os fatos históricos, geográficos, econômicos e sociais locais. Certa ingenuidade e mesmo uma razoável confusão prevaleciam quanto ao conhecimento da natureza dos problemas da cidade em questão e o realismo das soluções possíveis. Esta desordem e esta confusão explicam bem o fracasso e a falta de credibilidade desses movimentos perante os governantes e a opinião pública.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como é possível justificar-se as teorias dos CIAMs quando elas ignoram questões tão elementares como a propriedade do solo? Como é possível sustentar-se um planejamento conciliatório pós-moderno quando este nega romanticamente a luta entre os diversos interesses que se constitui na força motora da dinâmica urbana? Como é possível acreditar-se no historicismo e na reconstrução da cidade européia quando os defensores deste movimento proclamam gravemente que é preciso construir “cidades na cidade e cidades no campo”, o que consiste tanto em um pleonasmo quanto em uma impossibilidade física. Evidentemente não se espera que arquitetos tenham um conhecimento profundo das estruturas dos assentamentos humanos e de seus mecanismos de gestão; no entanto uma noção melhor sobre estas matérias os ajudaria a perder suas ilusões, principalmente aquelas que os fazem acreditar que é possível desenvolver um ambiente urbano cheio de vida sobre uma parcela de solo virgem, simplesmente pela combinação dos elementos constitutivos de uma cidade histórica. &lt;/em&gt;(Pierre Lucain refere-se provavelmente às correntes “historicistas” do urbanismo pós-moderno que apareceram nos EUA na segunda metade do século XX ( p. e. a de Robert Frost), mas que eram em grande parte importadas da Europa, através de arquitetos como os irmãos Leo e Rob Krier, Denise Scott Brown e mais remotamente, Camillo Sitte; quanto à luta entre interesses, esta é inerente à diversidade dos assentamentos humanos, o que leva ao confronto mas também à coexistência entre as diferentes classes sociais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Há de fato, nos tratados de arquitetura, uma extraordinária confusão entre ambientes urbanos já existentes (cidades que surgiram e cresceram espontaneamente) e ambientes urbanos a serem criados; as características de uns são automaticamente aplicadas aos outros e vice-versa.&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Obviamente cidades espontâneas (1) e cidades novas ou novos subúrbios têm vários aspectos em comum, mas seus problemas intrínsecos são fundamentalmente diferentes. Os da primeira incluem renovação urbana, desenvolvimento de novos bairros ou controle de tráfego, enquanto que os da segunda estão mais centrados no planejamento, no desenho da paisagem urbana e nos meios de transporte público&lt;/em&gt; (vale relembrar aqui o impacto mortífero que teve o automóvel sobre as cidades históricas).&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Os centros das cidades antigas, que foram formados e estruturados ao longo de vários séculos, se constituem em entidades muito mais complexas do que os centros de cidades novas e, ainda que bem planejados, tal fato não significa que esses aceitarão necessariamente bem o transplante de certos elementos chave dos antigos centros e que assim a complexidade urbana, da qual falamos, seria automaticamente reconstituída&lt;/em&gt; (lembro-me na hora, como maus exemplos, da “Piazza D’Itália” de Charles Moore, que beira o pastiche e a galhofa e também da sua descendente burlesca projetada pelo arquiteto carioca Paulo Casé no Bar 20, em Ipanema, RJ; mas saindo do campo da farsa, o grupo do "New Urbanism" tentou algumas experiências com pequenos núcleos suburbanos, sem muito sucesso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Em 1937, quando Le Corbusier trabalhou em um plano para a recuperação de uma área decadente no centro de Paris &lt;/em&gt;(o “Plan Voisin” para a “l’îiot insalubre nº 6”, ou seja, o “Marais” e adjacências – adjacências estas nas quais ele incluiu a “Ille de La Cité”, a “Ille de Saint Louis”, o “Boulevard Saint Germain”...),&lt;em&gt; &lt;em&gt;aproveitando então um pedaço de sua “Ville Radieuse”, que poderia muito bem ser construída no campo aberto&lt;/em&gt; &lt;em&gt;(aliás, LC a reaproveitaria mais tarde em seu plano para a cidade de Bruxelas).&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Igualmente, várias décadas depois, Mies van der Rohe também ignorou completamente o contexto da vizinhança, e mais, a relação espontânea que esta vizinhança mantinha com as outras tessituras urbanas do lugar, para projetar o campus do “Illinois Institute of Technology”, em Chicago.&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estes são exemplos extremos, mas em uma menor escala a sede da UNESCO em Paris (Breuer, Nervi e Zehrfuss, 1958), o edifício Thyssen em Düsseldorf (Helmut Hentrich, 1960), ou a prefeitura de Boston (Paul Rudolph, 1963), para mencionar apenas uns poucos exemplos, foram todos eles projetados fora do contexto de suas vizinhanças; na verdade eles são perfeitamente intercambiáveis e poderiam ter sido construídos em qualquer local de um novo bairro (2). Ao contrário, sob a influência do historicismo pós-modernista é cada vez mais freqüente, especialmente durante os últimos anos, que ambientes urbanos antigos &lt;em&gt;(ou antiquados)&lt;/em&gt; sejam reconstituídos dentro de novos empreendimentos imobiliários. Os resultados são igualmente lamentáveis&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esta confusão é menos aparente em projetos de grande escala quando são realizados dentro dos centros de grandes metrópoles tais como o Lincoln Center em Nova York ou a nova Rua Arbat em Moscou, o “Les Halles”, em Paris, ou a recuperação dos centros urbanos de Boston e Baltimore.&lt;/em&gt; (A bela Rua Arbat foi a principal artéria da Moscou Czarista e a Nova Arbat é uma via moderna paralela à primeira, que interliga os principais “skyscrapers” da Moscou Soviética. Quanto ao Lincoln Center, considero um equivoco conceitual retirar do espaço público diversas funções da cidade para colocá-las dentro de um complexo privado, aliás, como se faz em São Paulo nos condomínios habitacionais verticais e nos centros empresariais).&lt;em&gt; Aqui a grande extensão destas operações urbanas acaba por dotá-las de uma autonomia formal e espacial que libera os seus projetistas de restrições devidas ao contexto&lt;/em&gt; (exemplo: a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro). &lt;em&gt;De qualquer maneira, estas novas formas urbanas, quaisquer que sejam as suas morfologias, com o tempo se acomodam ao sítio e finalmente passam a fazer parte do lugar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;UMA CERTA MIOPIA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tal confusão entre meios urbanos espontâneos e planejados também pode ser explicada pela posição que os modernistas tomaram com relação à cidade então existente, que eles consideravam como um ambiente de indecifrável complexidade ou de incompreensível desordem. Gropious falava de uma “caótica desorganização de nossas cidades” enquanto Wright escreveu que “olhar no mapa de qualquer cidade grande é como olhar na secção de um tumor” (3). Le Corbusier foi além, discursando sarcasticamente sobre os riscos envolvidos na formação dos tecidos urbanos (o caminho dos asnos) e sobre a necessidade da destruição das ruas. O CIAM terminou por declarar (item 71 da Carta de Atenas) que “a maioria das cidades que haviam estudado ofereciam no presente uma imagem de caos e anarquia”. A cidade que os modernistas unanimemente condenavam não era nem a cidade medieval, nem a renascentista, mas as aglomerações resultantes das enormes migrações urbanas do século XIX, anárquicas e incontroláveis, mais incompreensíveis ainda para eles, pois que baseavam suas críticas em “impressões”.&lt;/em&gt; (Neste ponto Lucain está coberto de razão, pois a má formação da cidade industrial já havia sido criticada por ninguém menos que Friedrich Engels, Karl Marx, Robert Owens, Charles Fourier, John Ruskin, William Morris, Tony Garnier, Camillo Sitte, Ebenezer Howard, e por aí vai). &lt;em&gt;A postura crítica “impressionista” se explica também pelo movimento anti-urbano próprio dos países anglo-saxões e por uma vontade que os modernistas sempre tiveram de responder a questões complexas com soluções nas quais a simplicidade garantiria o seu funcionamento&lt;/em&gt; (agora Lucain se esquece de dizer que o anti-urbanismo foi principalmente norte-americano. Conforme Françoise Choay, os europeus que criticavam as cidades eram ainda assim marcados por uma longa tradição urbana; já a tradição norte-americana estava ligada à imagem de uma natureza virgem vinda da época heróica dos “pioneiros” – ao crescimento da cidade industrial correspondeu a nostalgia da pradaria e ao aparecimento de uma violenta corrente popular anti-urbana).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O ponto de vista dos modernistas sempre se deparou com movimentos de oposição, sumariamente desqualificados por eles como retrógrados ou tradicionalistas. Este foi um sério erro de avaliação, agravado pelo fato de que desde quando as teses sobre a cidade funcional estavam sendo desenvolvidas, os tais movimentos de oposição, que absolutamente não eram todos conservadores, fizeram pesquisas sobre a natureza e sobre as estruturas ou os mecanismos dos fenômenos urbanos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os resultados destes estudos teriam permitido aos modernistas corrigir sua falta de realismo e adquirir uma melhor credibilidade junto ao público. O livro escrito por Parks e Burguess, “A Cidade” foi publicado três anos antes da fundação do CIAM (1928) e sete anos antes que a “Carta de Atenas” fosse elaborada. Este trabalho e outros publicados mais tarde, expõem a heterogeneidade das estruturas sócio-econômicas de uma grande cidade norte-americana e sua lógica intrínseca, enquanto o CIAM estava reduzindo todas as funções urbanas à apenas quatro delas. É relevante, entretanto, notar que o CIAM esqueceu-se da principal função, a que é a força motriz de qualquer dinâmica urbana, a função de troca.&lt;/em&gt; (Acho que aqui Lucain se enganou ou esqueceu-se de mencionar que, como característica da "urbs", em primeiro lugar vem sempre a função política, surgida com o crescimento da população das vilas neolíticas e a conseqüente necessidade de organização social, da divisão do trabalho e de controle do grupo – não faltam às primeiras cidades da humanidade ruas, celeiros, habitações, um palácio ou um templo, ou ainda ambos, complementando-se no exercício do poder político; as aldeias do neolítico tinham habitações e armazéns, ou seja, efetuavam pelo menos trocas comerciais, mas não contavam com os palácios e templos das "polis").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Geógrafos e sociólogos que estudaram os fenômenos urbanos no mesmo período chegaram a uma concepção importante; a da globalidade urbana, da abordagem global dos fatos. Por eles a cidade se construía por si mesma em sua totalidade e esta totalidade era a sua razão de ser.  Esta apreensão global &lt;br /&gt;é mais interessante, pois pode ser usada para definir o conjunto das características dos fenômenos urbanos, notadamente aqueles pertencentes à heterogeneidade espacial, à estrutura radial, à hierarquia das formas e das funções, aos diversos movimentos contínuos ou cíclicos que geram o crescimento urbano e determinam o ritmo de sua evolução, o que permite a execução de planos urbanos melhores estruturados.&lt;/em&gt; (Justiça seja feita aos modernistas – se sua definição de plano urbano é muito simplista, a dos geógrafos e sociólogos de Lucain é para lá de complicada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Rossi não estava enganado quando escreveu no final de sua longa dissertação sobre a maneira de lidarmos com a geografia e a estética da cidade, que: “o elemento fundamental a ser retido da concepção da cidade como totalidade é a idéia de que podemos nos aproximar de uma compreensão desta totalidade estudando suas diferentes manifestações e a maneira como elas se comportam (4). A aproximação de Rossi não é aquela de um técnico, mas a de um arquiteto para quem a cidade é “uma arquitetura”, ou seja,” uma criação inseparável da vida dos cidadãos e da sociedade na qual foi produzida”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveito esta espécie de pausa no artigo para chamar a atenção que em nenhum momento foi colocado que uma parte considerável dos habitantes das cidades do terceiro mundo é constituída pelo proletariado lumpem (talvez pela origem de primeiro mundo de Lucain), que frequentemente são os seus reais construtores e que depois de terminada sua tarefa vão formar núcleos habitacionais com a consequente concentração de pobreza e desemprego nas precárias periferias semi-urbanas para além dos subúrbios da classe média, limítrofes aos campos vizinhos, ou em terrenos situados em áreas geologicamente instáveis, várzeas inundáveis, etc. Ao contrário das cidades dos países centrais do capitalismo, é este o principal problema urbano&lt;br /&gt;das cidades dos países em desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;UMA OBRA DE ARTE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se a arquitetura ou a cidade se constituem em “objetos humanos por excelência” (5) elas são para Rossi, principalmente, obras de arte. “Nenhum estudo urbano pode ignorar este aspecto da questão” (4). Além disto, uma obra de arte pode ser compreendida tanto em sua totalidade quanto em seu contexto.&lt;/em&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A idéia de uma cidade-obra-de-arte não é nova; ela foi inicialmente colocada por Sitte com muito mais realismo do que demonstrado por Rossi. A “A Cidade é uma Obra de Arte”, de Sitte exprime não só a sensibilidade de um esteta diante de outra forma de arte que é a paisagem urbana, mas também a importância social desta arte que “exerce quotidianamente e a cada hora sua influência sobre a massa popular, enquanto que o teatro e o concerto só são acessíveis para uma minoria afortunada” (6). Esta afirmação de Sitte mostra que ele, como Rossi, estão conscientes que a estética urbana não pode ser uma questão de “arte pela arte”, mas que tudo na cidade – e esta é uma das características do fenômeno urbano – tem uma razão de ser e deve ser exprimido tridimensionalmente.&lt;/em&gt; (Acho que há aqui um pleonasmo - todo artefato de que se constitui uma cidade é tridimensional, naturalmente). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Toda função só é percebida através da forma”, escreve Rossi, “a forma é o que permite o fato urbano”, dito ao qual Bardet acrescentou; “A cidade é uma obra de arte na qual gerações de habitantes trabalharam juntos, acomodando-se em maior ou menor grau ao que já existia antes deles” (7). Sitte, Bardet e Rossi estão de fato perfeitamente conscientes de que a estética urbana não é uma “questão de “arte por arte” e de que as formas urbanas “o casaco arquitetônico que a arte urbana tem sucessivamente tomado por empréstimo"(7) são meramente a expressão deste “ser coletivo” (7) que é a população Urbana. "Todas as funções só são visíveis através de uma forma", escreve Rossi, salientando que é através desta forma que o artefato urbano continua a existir.&lt;/em&gt; (fica patente nestes últimos trechos, a admiração do nosso amigo Pierre Lucain por Aldo Rossi. Depois da deconstrução da Carta de Atenas pelo “Team 10”, novos enfoques sobre a cidade, muitas vezes contraditórios entre si, surgiram entre os urbanistas do pós-guerra – os metabolistas japoneses, o Archigram, Aldo Rossi e a Tendenza, Manfredo Tafuri, Ernesto Rogers, Vittorio Gregotti, José Lluis Sert, Oriol Bohigas, Leon e Rob Krier, Collin Rowe, Denise Scott Brown, Piet Blom, Herman Hertzberger; para mim as teorias de Aldo Rossi tiveram o mérito de desmascarar, ainda que involuntariamente, a picaretagem populista/neoliberal de Venturi &amp; Rauch).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua).&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-1606554398772041948?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/1606554398772041948/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=1606554398772041948' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/1606554398772041948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/1606554398772041948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/01/sobre-urbanismo-parte-i.html' title='&lt;strong&gt;SOBRE URBANISMO - PARTE I&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-2232584145405169</id><published>2009-01-11T21:00:00.003-02:00</published><updated>2009-01-13T20:11:14.087-02:00</updated><title type='text'>PETRÓPOLIS (3)</title><content type='html'>Sento-me no banco circular que há,&lt;br /&gt;Sombreado por antiga figueira,&lt;br /&gt;Na praça da catedral de São Pedro de Alcântara&lt;br /&gt;E olho, devagar, o pequeno &lt;br /&gt;Panorama florido ao meu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negócio por aqui é ficar quieto, bem quieto,&lt;br /&gt;Como os gatos que tomam sol&lt;br /&gt;Deitados, sonolentos, no saibro,&lt;br /&gt;Curando-se de suas aventuras noturnas,&lt;br /&gt;Lambendo as suas feridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era pequeno&lt;br /&gt;Vinha a este banco brincar; agora&lt;br /&gt;Quero apenas ficar quieto,&lt;br /&gt;Esperando a dor passar. Vai passar.&lt;br /&gt;Quieto, muito quieto,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não lembro, não penso, não sinto,&lt;br /&gt;Vejo as pombas arrulhando&lt;br /&gt;Pelos telhados dos casarões &lt;br /&gt;E os gatos deitados ao sol,&lt;br /&gt;Curando-se dos amores&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-2232584145405169?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/2232584145405169/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=2232584145405169' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/2232584145405169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/2232584145405169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/01/petrpolis-3.html' title='&lt;strong&gt;PETRÓPOLIS (3)&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-6549875033748984883</id><published>2009-01-11T18:37:00.006-02:00</published><updated>2009-01-11T18:57:55.355-02:00</updated><title type='text'>SUSTENTABILIDADE DESDE A IDADE MÉDIA</title><content type='html'>Em complementação aos artigos anteriores que publiquei neste Blog sobre o impacto de nossa civilização sobre a Terra segue um trecho do livro “A Civilização do Ocidente Medieval”, do historiador francês Jacques Le Goff, que trata do esgotamento dos recursos naturais da Europa entre os séculos X e XIII, mostrando a antiguidade da questão da intervenção do homem sobre o sistema ecológico do seu habitat.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;[... Mas esta exploração devastadora do espaço era também destruidora de riquezas. Ora, o homem era então incapaz de reconstituir as riquezas naturais que destruía, ou incapaz de esperar que se reconstituíssem naturalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os desbravamentos, principalmente as queimadas – “terra gasta” -, esgotam as terras e destroem uma riqueza aparentemente ilimitada do mundo medieval: a madeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um texto entre muitos outros mostra a que ponto a economia medieval tornou-se rapidamente impotente diante da natureza, porque a resposta desta a um progresso técnico que, excepcionalmente a violenta, é o esgotamento – que faz o progresso recuar. No território de Colmar, nos Baixos-Alpes franceses, no fim do século XIII os cônsules da cidade mandam destruir as serras hidráulicas que provocam o desflorestamento da região. Esta medida tem por conseqüência a invasão dos bosques por uma multidão de “gente pobre e indigentes” (hominis pauperes et nihil habentes) munidas de serras manuais que provocam “cem vezes mais prejuízo”. Os textos e as medidas se multiplicam para proteger as florestas, cujo encolhimento ou desaparição tem por conseqüência não apenas uma diminuição de recursos essenciais: madeira, caça, mel selvagem; mas também em certas regiões e em certos solos – sobretudo em países mediterrânicos – agrava os efeitos da enxurrada de modo muitas vezes catastrófico. Na borda sul dos Alpes, da Provença à Eslovênia, vê-se organizar a partir de 1300 a proteção de bosques e florestas. A assembléia geral dos homens de Folgara, no Trentino, em 30 de março de 1315 na praça pública, editou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se alguém for pego cortando madeira do monte Alla Galilena até os caminhos dos da Costa que conduz ao monte, e do cimo até a planície, pagará cinco soldos por cada tronco”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que ninguém ouse cortar os fustes de larício para fazer lenha de fogo neste monte, sob pena de cinco soldos por tronco”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem não era o único culpado desta ocorrência. O gado errante nos campos ou prados era devastador. Multiplicam-se os lugares “defesos” – locais interditos à errância e à pastagem de animais, sobretudo das cabras – estas grandes inimigas dos camponeses medievais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise descrita sob o nome de crise do século XIV fez-se anunciar pelo abandono das terras ruins, das terras marginais sobre as quais veio a morrer a vaga dos desmatamentos nascida do impulso demográfico. Desde o fim do século XIII, notadamente na Inglaterra, as terras incapazes de se reconstituir, cujos fracos rendimentos tornaram-se inferiores ao mínimo econômico, foram abandonadas... As charnecas e o mato voltaram a dominar. A humanidade medieval não voltou ao seu ponto de partida, mas não pode continuar a aumentar suas clareiras cultivadas como desejava. A natureza lhe ofereceu uma resistência e por vezes lhe opôs um vitorioso refluxo. Isto é verdadeiro da Inglaterra à Pomerânia, onde os textos do século XIV nos falam de “mansos recobertos pela areia trazida pelo vento, por isto deixados desertos ou incultos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O esgotamento da terra foi o mais importante elemento para a economia medieval, essencialmente rural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando se desenhava uma expansão da economia monetária, entre outras dificuldades, ela também se deparava com uma limitação natural: o esgotamento das minas. Apesar da retomada de cunhagem de moedas de ouro no século XIII, o metal importante era a prata. O fim do século XVIII assistiu ao declínio das minas tradicionais de Derbyshire e Devonshire, do Poitou e do Maciço Central, da Hungria e da Saxônia. Aqui ainda o ponto de estrangulamento era de ordem técnica. A maior parte das velhas explorações tinha atingido um nível em que o perigo de afogamento tornava-se grande e em que o mineiro tornava-se impotente diante das águas. Por vezes também os filões estavam pura e simplesmente esgotados...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[... Sem dúvida aparecerão novas minas na Boêmia, Moravia, Transilvânia, Bósnia, Sérvia. Mas não basta às necessidades da Europa cristã no fim do século XV. A Cristandade sofre de “fome monetária”. No século seguinte o ouro e principalmente a prata da América virão satisfazê-la...].&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como curiosidade, vemos aqui o historiador, ao abordar as vicissitudes ecológicas da Europa no final da idade média, narrar o nascimento do Capitalismo, com a formação do proletariado urbano pela migração dos camponeses para as cidades, fugindo da miséria e da fome que reinavam no campo, e a acumulação do capital, obtido pelo saque da prata e do ouro das minas da América.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à sustentabilidade sabemos que desde o neolítico o homem interfere na Natureza para retirar dela o seu sustento e o seu conforto material. Na narrativa acima vemos como, na Europa, há quanto tempo a natureza teve seus recursos esgotados pelos homens, e como estes (os europeus) resolveram o problema primeiro pelo Colonialismo e depois pelo Imperialismo. Assim, a Europa (e posteriormente os norte-americanos) avançou sucessivamente sobre os recursos naturais das Américas, do sul da Ásia, da África e até hoje, do Oriente Médio (embora de forma disfarçada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isto é que sempre repito que há inocentes e culpados nesta questão da sustentabilidade, e que o ônus da regeneração da natureza não pode ser dividido equanimemente entre ex-colonizadores e ex-colonizados. Os maiores sacrifícios quanto a níveis de consumo e a maior parte do custo de um mundo ecologicamente equilibrado deveriam, por justiça, ser assumidos pelos países do assim chamado primeiro mundo. Mas alguém, em sã consciência, acredita que isto irá acontecer?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-6549875033748984883?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/6549875033748984883/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=6549875033748984883' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/6549875033748984883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/6549875033748984883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/01/sustentabilidade-desde-idade-mdia.html' title='&lt;strong&gt;SUSTENTABILIDADE DESDE A IDADE MÉDIA&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-4947437758091493069</id><published>2009-01-10T19:47:00.003-02:00</published><updated>2009-01-10T20:23:18.485-02:00</updated><title type='text'>SAUDOSISMO JUSTIFICADO</title><content type='html'>&lt;em&gt;Long years ago we made a tryst with destiny, and now the time comes when we shall redeem our pledge, not wholly or in full measure, but very substantially. At the stroke of the midnight hour, when the world sleeps, India will awake to life and freedom. A moment comes wich comes but rarely in history, when we step out from the old to the new, when a age ends, and when the soul of a nation, long supressed, finds utterance. It is fitting that at this solemn moment we take the pledge of dedication to India and her people and to the still larger cause of humanity.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jawaharlal Nheru, o primeiro Primeiro Ministro da Independência da Índia; discurso aos membros da assembléia constituinte na meia noite de 14 para 15 de agosto de 1947,&lt;br /&gt;quando cessou o domínio de mais de 200 anos exercido pela Inglaterra sobre sua ex-colônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tisteza ler esta frase de um grande estadista como Nheru quando hoje nosso destino é aturarmos atores de segunda classe como o Reagan, o Clinton com suas estagiárias, uma Dama-de-Ferro bebum, um puxa-saco como o Tony Blair, um alcoólatra fundamentalista como o Bush e ainda ouvir as abobrinhas de um Barack Obama. Vixe!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-4947437758091493069?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/4947437758091493069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=4947437758091493069' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/4947437758091493069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/4947437758091493069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/01/saudosismo-justificado.html' title='&lt;strong&gt;SAUDOSISMO JUSTIFICADO&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-1947741935506341817</id><published>2009-01-02T12:03:00.001-02:00</published><updated>2009-01-02T12:06:00.819-02:00</updated><title type='text'>OS VIVOS E OS MORTOS</title><content type='html'>Fui a um casamento em Niterói&lt;br /&gt;Após décadas sem por lá estar&lt;br /&gt;E depois à festa, no Saco de São Francisco,&lt;br /&gt;Praia onde passei alguns verões de minha infância.&lt;br /&gt;Achei-a irreconhecível, o que antes era mato,&lt;br /&gt;Areia e uma ou outra casa&lt;br /&gt;É hoje um sem fim de edifícios,&lt;br /&gt;De gente, de bares e restaurantes.&lt;br /&gt;A igrejinha Barroca do Bairro,&lt;br /&gt;Da qual eu me lembrava no topo de um penhasco&lt;br /&gt;Debruçado, majestoso, sobre as águas da enseada,&lt;br /&gt;Na realidade ergue-se sobre um pequeno outeiro&lt;br /&gt;Humilde, semi-urbanizado, com um adro sem graça,&lt;br /&gt;E uma nova avenida onde antes era o mar.&lt;br /&gt;Parece-me que quando somos pequenos&lt;br /&gt;Tudo para nós é grandioso, dramático, poderoso,&lt;br /&gt;Como nos contos de fada; depois, com o tempo, passa.&lt;br /&gt;Na festa, sentei-me ao ar livre e de quando em quando&lt;br /&gt;Olhava meu pai (sem mamãe) na mesa ao lado&lt;br /&gt;Com dois dos velhos amigos (poucos) que lhe restaram.&lt;br /&gt;Lembrei-me, então, de um verso em latim&lt;br /&gt;Que, onde o li, não me lembro mais e de quem é nunca soube;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ubi sunt qui ante nos in mondo fuere&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;E perguntei a minha irmã, à minha frente:- &lt;br /&gt;Onde estão aqueles que antes de nós viveram neste mundo?&lt;br /&gt;Ao que ela me respondeu, citando Manoel Bandeira:&lt;br /&gt;Estão dormindo, dormindo profundamente&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-1947741935506341817?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/1947741935506341817/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=1947741935506341817' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/1947741935506341817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/1947741935506341817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/01/os-vivos-e-os-mortos.html' title='&lt;strong&gt;OS VIVOS E OS MORTOS&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-2192564334040467247</id><published>2009-01-01T23:07:00.001-02:00</published><updated>2009-01-01T23:14:11.337-02:00</updated><title type='text'>O ADORMECER</title><content type='html'>Na minha cabeça&lt;br /&gt;                             Adejando no espaço irreal&lt;br /&gt;                             Em círculos concêntricos,&lt;br /&gt;                             Volúveis,&lt;br /&gt;                             Uma noção,&lt;br /&gt;                             Uma certeza,&lt;br /&gt;                             Uma razão,&lt;br /&gt;                             Que emerge desapercebidamente&lt;br /&gt;                             Para depois, caprichosamente,&lt;br /&gt;                             Mergulhar no mar&lt;br /&gt;                             Do inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             Fica um rendado &lt;br /&gt;                             De palavras polissêmicas,&lt;br /&gt;                             Imagens inconstantes,&lt;br /&gt;                             Luzes impressas&lt;br /&gt;                             Na retina da mente&lt;br /&gt;                             Um pouco antes&lt;br /&gt;                             De o sono chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             No reticulado semovente&lt;br /&gt;                             De idéias virtuais&lt;br /&gt;                             Afunda o meu ser&lt;br /&gt;                             Quando de súbito uma voz&lt;br /&gt;                             Ergue-se do passado&lt;br /&gt;                             Calando-se em seguida.&lt;br /&gt;                             Não, ela não me perturba mais.&lt;br /&gt;                             Volto ao mergulho&lt;br /&gt;                             Em águas profundas;&lt;br /&gt;                             Passa um pensamento&lt;br /&gt;                             Sem deixar seu rastro, &lt;br /&gt;                             Um caleidoscópio me aparece&lt;br /&gt;                             Nas pálpebras fechadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             E então o nada&lt;br /&gt;                             Antes do portal&lt;br /&gt;                             Do outro universo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-2192564334040467247?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/2192564334040467247/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=2192564334040467247' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/2192564334040467247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/2192564334040467247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2009/01/o-adormecer.html' title='&lt;strong&gt;O ADORMECER&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-3103493500284516630</id><published>2008-11-23T20:14:00.002-02:00</published><updated>2008-11-23T20:54:56.748-02:00</updated><title type='text'>O "STAR-SYSTEM"</title><content type='html'>A seguir faço algumas considerações sobre a contratação do escritório "Super-star" suiço Herzog &amp; de Meuron para o projeto do Palácio da Dança, no terreno da antiga rodoviária no centro de Sampa(que, salvo engano, pertencia à família  Frias, proprietária da Folha de São Paulo, o jornal mais reacionário desta cidade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zé Serra, Sátrapa do Estado de São Paulo que escolheu este escritório, está em campanha aberta para a Presidência da República e pretende gastar no “Palácio” cerca de 300 milhões de reais (que já sabemos que se transformarão, durante a obra, em 600 ou 700 milhões) visando a um já mais do que manjado "Efeito Bilbao", em um estado com enormes carências na área habitacional, educacional, de transporte e saúde, com problemas de infra-estrutura e fundiários graves, etc. E além disso, o resultado arquitetônico de tais projetos feitos para a mídia internacional, em geral resultam deploráveis, como o próprio Guggenheim de Bilbao, do Ghery, a casa da música do Porto, do Koolhaas, o arranha-céu de Lomas de Chapultepec, Cidade do México, do mesmo arquiteto, as torres de Milão, do Liebeskind, etc..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretende o Governo do Estado pagar ao Herzog &amp; de Meuron 25 milhões de reais pelo projeto, enquanto que a FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), por exemplo, paga cerca de 15 mil reais por projeto de escola de segundo grau com 15 salas de aula aos arquitetos tupiniquins, o que não deixa de ser uma gozação com a nossa classe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vá lá que um escritório estrangeiro venha trabalhar no Brasil, se houver reciprocidade por parte do seu país, mas é evidente que tem de ser pelos mesmos honorários que o estado paga aos escritórios nacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O responsável pelo andamento deste projeto é o Secretário da Cultura, João Sayad, um banqueiro (ex?) e político, que ajudou a ferrar o Brasil lá atrás, no plano cruzado do Sarney, além de, quando dono do banco SRL S.A., ter participado ativamente da privatização das companhias de eletricidade e do Banespa, aqui em SP. Só no Brasil mesmo: cultura, artes plásticas, bienais, fica tudo na mão de banqueiros. Aliás é muito curioso que gente como o Sayad, o Luna, o Reichstul, o Lara Rezende, o Pérsio Arida, o Edmar Bacha, o Andrea Calabi, entrem no governo como professores universitários e saiam como banqueiros. Engraçado, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para estar no "star system" internacional não é necessário muito talento arquitetônico, mas sim carisma, ambição social e uma boa assessoria de imprensa. O arquiteto catalão Ricardo Bofill, membro deste "Jet-set", disse certa vez que almejava a fama, mas não a do tipo que tiveram Le Corbusier e Walter Gropious, mas sim como a dos Beatles; já Phillip Johnson, ícone maior do estrelismo arquitetônico e primeiro prêmio Pritzker da história, não fazia segredo de sua falta de talento; quando certa vez um interlocutor apontou-lhe um defeito em um dos seus projetos, ele justificou-o explicando candidamente que era um “bad architect”. Pritzker por Pritzker prefiro  o Oscar Niemeyer e o Paulo Mendes da Rocha do que o de Meuron.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, os estudantes de arquitetura devem estar indignados; por que os fazem estudar arquitetura brasileira, arte brasileira, cultura brasileira, se no final das contas contratam um escritório suíço cujos titulares mal devem saber onde fica o Brasil e sua capital, Buenos Aires?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se enfim, de um provincianismo com objetivos claramente eleitoreiros do Serra, com a escolha do escritório do "Star system" realizado através de uma espécie de concurso realizado dentro de um contexto palaciano, sem um mínimo de transparência e e que constituiu-se em um enorme desrespeito aos arquitetos brasileiros e seus orgãos de classe, que tomaram conhecimento do assunto pela imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato semelhante já ocorreu há alguns anos atás no Rio de Janeiro, quando o governador Cesar Maia contratou outra estrela, o arquiteto francês Jean Nouvel, para projetar a sede do Guggenheim - Rio, também por um valôr de honorários incompatível com a realidade nacional. Neste caso, a união da classe, auxiliada pela pouca qualidade do estudo preliminar apresentado, conseguiu a anulação do contrato com o arquiteto estrangeiro, embora ele já tivesse recebido cerca de dois milhões de dólares pelo estudo apresentado. Espero que em São Paulo, os arquitetos mostrem a mesma disposição e resistência à este conchavo palaciano que a dos seus colegas cariocas no "affair" Guggenheim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-3103493500284516630?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/3103493500284516630/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=3103493500284516630' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/3103493500284516630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/3103493500284516630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/11/o-star-system.html' title='O &quot;STAR-SYSTEM&quot;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-8137156795099249361</id><published>2008-10-19T23:50:00.002-02:00</published><updated>2008-10-19T23:59:16.338-02:00</updated><title type='text'>DOMINGO</title><content type='html'>Acordo tarde (hoje é domingo).&lt;br /&gt;                           Acima do ruído, na rua,&lt;br /&gt;                           Dos raros automóveis que passam&lt;br /&gt;                           Ouço o radinho do porteiro &lt;br /&gt;                           Tocando, alto, música caipira,&lt;br /&gt;                           O vozeirão do jornaleiro, na esquina,&lt;br /&gt;                           A conversar com os fregueses de ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Na recente manhã, as pombas arrulham nos beirais,&lt;br /&gt;                           Das copas das árvores vem o canto de um sanhaço,&lt;br /&gt;                           Um ou outro bem-te-vi. &lt;br /&gt;                           Logo surge pontual, no meu pedaço,&lt;br /&gt;                           O vendedor de pamonha e curau,&lt;br /&gt;                           Com o alto-falante do caminhão&lt;br /&gt;                           A proclamar o seu pregão:&lt;br /&gt;                          “Pamonhas, pamonhas, pamonhas,&lt;br /&gt;                           Pamonhas de Piracicaba”,&lt;br /&gt;                           Acordando de vez a vizinhança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Nas calçadas, lá em baixo,&lt;br /&gt;                           Passeia-se mais com cachorros&lt;br /&gt;                           Do que com bebês; São Paulo civiliza-se.&lt;br /&gt;                           Nelas, além dos bichos,&lt;br /&gt;                           Há também as domésticas&lt;br /&gt;                           Que, vindas da padaria,&lt;br /&gt;                           Passam com o embrulho de pão,&lt;br /&gt;                           O litro de leite, o jornal do patrão&lt;br /&gt;                           E os atletas de fim de semana&lt;br /&gt;                           A correrem, de camiseta e calção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Até a hora do almoço&lt;br /&gt;                           O domingo ainda irá bem,&lt;br /&gt;                           Parque, clube, esporte, piscina,&lt;br /&gt;                           A leitura dos jornais e depois &lt;br /&gt;                           A busca por um restaurante&lt;br /&gt;                           Para o alegre repasto dominical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Com a tarde este bem-estar irá &lt;em&gt;desmanchar-se&lt;/em&gt;,&lt;br /&gt;                           &lt;em&gt;Como tudo que é sólido, no ar,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;                           E o domingo terminará no tédio e na melancolia&lt;br /&gt;                           Do sol chapado nas ruas vazias,&lt;br /&gt;                           Da voz estridente de um locutor de futebol, &lt;br /&gt;                           Do asfalto quente, das lojas fechadas,&lt;br /&gt;                           De uma pipa perdida no pálido céu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Por fim a noite chegará&lt;br /&gt;                           Trazendo consigo a pizza e a televisão,&lt;br /&gt;                           Um início de ressaca, a última cerveja,&lt;br /&gt;                           O vale dos lençóis, a cama, a insônia,&lt;br /&gt;                           O quarto escurecido em vão,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           &lt;em&gt;Porque a gente é fraco,&lt;br /&gt;                           Caí no buraco,&lt;br /&gt;                           E o buraco é fundo,&lt;br /&gt;                           Acaba o mundo.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-8137156795099249361?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/8137156795099249361/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=8137156795099249361' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8137156795099249361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8137156795099249361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/10/domingo.html' title='DOMINGO'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-7548880103828806128</id><published>2008-10-19T21:45:00.002-02:00</published><updated>2008-10-19T23:07:00.522-02:00</updated><title type='text'>SÃO PAULO, CIDADE GLOBAL</title><content type='html'>É excelente o livro de &lt;strong&gt;Mariana Fix&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;São Paulo Cidade Global; fundamentos&lt;/em&gt; &lt;em&gt;financeiros de uma miragem&lt;/em&gt; - publicado pela &lt;strong&gt;Boitempo &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Editorial&lt;/strong&gt;. A narrativa das modificações ocorridas na construção do espaço urbano da cidade devido à globalização dos mercados, é clara e absolutamente convincente. Acho que sua leitura é importante para compreendermos melhor como se processa o uso (irracional) do solo urbano na  atual fase do capitalismo, e transcrevo, a seguir, os últimos parágrafos do livro (originalmente, uma premiada dissertação de mestrado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[... Resumidamente, o esforço das cidades da semiperiferia do capitalismo em se tornarem globais tem diferenças significativas em relação ao esforço nacional de acumulação do desenvolvimentismo. A falência do desenvolvimentismo, o qual havia revolvido a sociedade de alto a baixo, abre um período específico, essencialmente moderno, cuja dinâmica é a desagregação. Uma das diferenças é a distância que nos separa do núcleo orgânico do capitalismo, que aumenta com a passagem da segunda para a terceira revolução industrial, segundo Francisco de Oliveira. Não há sinal da convergência sugerida pela apologética globalizante e reforçada pela versão normativa da tese da cidade global, embora com uma diferença. No discurso das cidades globais a convergência ocorreria não entre nações, mas entre cidades, por meio da produção de uma série de vantagens comparativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar da convergência, além do aumento da distância entre centro e periferia, na divisão internacional do trabalho, aprofunda-se, internamente, o fosso entre dominantes e dominados. Essa nova diferença quantitativa obriga os dominados a um esforço descomunal para superá-la, o que introduz uma nova qualidade na desigualdade: a quase completa ausência de horizonte de superação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, essa operação de substituição de mitos é bastante limitada. Se o mito do desenvolvimento não mais convence, no sentido de uma recuperação restauradora que permita aos povos pobres desfrutar algum dia das formas de vida dos atuais povos ricos, ainda assim mobilizou os povos da periferia e os levou a aceitar enormes sacrifícios, na explicação de Celso Furtado. O mito das cidades globais, por sua vez, já nasce enfraquecido, e por isso ganha ares de farsa. Tem como miragem as novas centralidades produzidas em cidades como São Paulo, que reproduzem, em escala modesta, o "skyline" que mimetiza os centros de comando e projeta, em um país semiperiférico, a imagem de uma "global city". Cria-se uma nova paisagem de poder e dinheiro que mobiliza Estado e capital privado nacional, parceiros nas várias modalidades de apropriação do fundo público, que caminham no sentido de transformar a cidade, ela própria, em uma espécie de título financeiro.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-7548880103828806128?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/7548880103828806128/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=7548880103828806128' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/7548880103828806128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/7548880103828806128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/10/so-paulo-cidade-global.html' title='SÃO PAULO, CIDADE GLOBAL'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-8155812915243288560</id><published>2008-10-19T21:24:00.003-02:00</published><updated>2008-10-19T21:34:55.962-02:00</updated><title type='text'>DO QUIJOTE</title><content type='html'>&lt;em&gt;- Ay! -respondió Sancho llorando-. No se muera vostra merced, señor mio, sino tome mi consejo y viva muchos años, porque la mayor locura que puede hacer un hómbre en esta vida es dejarse morir sin más ni más, sin que nadie le mate ni otras manos le acaben que las de la melancolía.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-8155812915243288560?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/8155812915243288560/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=8155812915243288560' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8155812915243288560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8155812915243288560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/10/do-quijote.html' title='DO &lt;em&gt;QUIJOTE&lt;/em&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-6093950157851005789</id><published>2008-10-17T21:54:00.003-03:00</published><updated>2008-10-17T22:26:38.262-03:00</updated><title type='text'>DEZEMBRO</title><content type='html'>Vibram no ar&lt;br /&gt;                          Ondas seguidas&lt;br /&gt;                          De coisas más.&lt;br /&gt;                          Dezembro está à janela.&lt;br /&gt;                          Pergunto:&lt;br /&gt;                          Para onde foi&lt;br /&gt;                          O meu passado?&lt;br /&gt;                          Onde estão &lt;br /&gt;                          Os parques com as crianças,&lt;br /&gt;                          A roda dos amigos,&lt;br /&gt;                          A escolinha O Quintal?&lt;br /&gt;                          Para onde foram os sinos&lt;br /&gt;                          Da Catedral de São Pedro de Alcântara,&lt;br /&gt;                          As águas de Cabo Frio,&lt;br /&gt;                          A infância das meninas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          Onde estará a minha mãe?&lt;br /&gt;                          Por onde andarão meus mortos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                         (Nos jardins da casa da Gávea&lt;br /&gt;                          Havia antúrios, costelas de adão, &lt;br /&gt;                          Duas velhas jabuticabeiras&lt;br /&gt;                          E samambaias junto ao portão).&lt;br /&gt;             &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          Passou o tempo que ficava &lt;br /&gt;                          Parado na eternidade, agora&lt;br /&gt;                          A cada instante o presente é passado;&lt;br /&gt;                          Hoje me contento&lt;br /&gt;                          Com o mínimo denominador comum, &lt;br /&gt;                          Mas as contas não fecham&lt;br /&gt;                          E não vejo uma fresta sequer&lt;br /&gt;                          Nesta cortina cerrada à minha frente&lt;br /&gt;                          Que não me permite reconhecer,&lt;br /&gt;                          Entender o que acontecerá ali adiante&lt;br /&gt;                          Na quarta parede, no palco do meu futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          Mas entender o que?, penso,&lt;br /&gt;                          A verdade é pura e simples:&lt;br /&gt;                          Não há o que se compreender&lt;br /&gt;                          Na minha melancolia&lt;br /&gt;                          E nem há como se aferir&lt;br /&gt;                          A extensão da minha tristeza. &lt;br /&gt;                          A vida, nesta terra, é sombria,&lt;br /&gt;                          Faz frio e a dor é dura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                         (No pátio da casa da Gávea&lt;br /&gt;                          Havia uma grande Jaqueira,&lt;br /&gt;                          Um flamboyant, amoreiras &lt;br /&gt;                          E muros cobertos de hera).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          O câncer voltou a roer&lt;br /&gt;                          O meu pulmão esquerdo;&lt;br /&gt;                          Ele fica lá dentro, quieto,&lt;br /&gt;                          Não ouço ruído algum.&lt;br /&gt;                          Mas sei que lá está onipresente, &lt;br /&gt;                          Crescendo lento, em meu corpo,&lt;br /&gt;                          Vivendo e dormindo comigo,&lt;br /&gt;                          Constante e tenebrosa companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                         (A varanda da casa da Gávea&lt;br /&gt;                          Abria-se para a Rua Adolfo Lutz,&lt;br /&gt;                          Sombreada por velhas mangueiras,&lt;br /&gt;                          Onde as cigarras cantavam o verão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          Passam-se as horas... Não é o medo&lt;br /&gt;                          Do fim (pelo menos por agora)&lt;br /&gt;                          Que não me dá sossego,&lt;br /&gt;                          Mas sim estas horas que fogem,&lt;br /&gt;                          A urgência da vida, o que há por fazer,&lt;br /&gt;                          O que tem de ser escrito, o que tem de ser desfeito,&lt;br /&gt;                          O que faltou para dar e o que me falta receber&lt;br /&gt;                          O que está por começar e o que fica por terminar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          E mais:&lt;br /&gt;                          É o sofrimento que me aguarda&lt;br /&gt;                          Na cama de um hospital,                          &lt;br /&gt;                          O sorriso da enfermeira,&lt;br /&gt;                          A veia picada,&lt;br /&gt;                          O soro, a sonda,&lt;br /&gt;                          A máscara, a ferida,&lt;br /&gt;                          O travesseiro que estranho&lt;br /&gt;                          E o rude lençol;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          É o bater na porta&lt;br /&gt;                          A refeição recusada,&lt;br /&gt;                          A visita apressada,&lt;br /&gt;                          A agonia no fim do dia,&lt;br /&gt;                          Enquanto espero a noite &lt;br /&gt;                          E o sono, que enfim chegará&lt;br /&gt;                          Misericordioso&lt;br /&gt;                          Nas pastilhas de Rivotril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                         (Depois da chuva, as gotas caíam&lt;br /&gt;                          Das folhas na terra do jardim,&lt;br /&gt;                          A neblina encobria o morro ao lado&lt;br /&gt;                          E a água escorria nas calhas do telhado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          Pensando bem, em se tratando&lt;br /&gt;                          Destas coisas, é melhor&lt;br /&gt;                          Que tais coisas se passem como são&lt;br /&gt;                          Ou que fiquem, quietas, onde estão.&lt;br /&gt;                          Afinal, estamos em dezembro&lt;br /&gt;                          E dezembro é mês ruim,&lt;br /&gt;                          Dezembro é o sinal do fim;&lt;br /&gt;                          O começo fica para janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                         (E que seja a memória da Gávea&lt;br /&gt;                          O meu verão derradeiro).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-6093950157851005789?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/6093950157851005789/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=6093950157851005789' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/6093950157851005789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/6093950157851005789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/10/dezembro.html' title='DEZEMBRO'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-973620637388849403</id><published>2008-10-17T21:51:00.001-03:00</published><updated>2008-10-17T21:53:39.754-03:00</updated><title type='text'>BERLIM</title><content type='html'>Por Paul Krugman&lt;br /&gt;Tradução de E.O.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está certo, eu sei que nos dias de hoje supõe-se que você deva observar o futuro olhando para a China, ou para a Índia, nunca para o coração da “velha Europa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estamos vivendo em um mundo no qual os preços do petróleo estão batendo recorde sobre recorde e no qual a idéia de que a sua produção em breve atingirá o limite máximo, está se tornando uma certeza absoluta.  E os europeus, que conquistaram um alto padrão de vida apesar dos altos custos da energia – na Alemanha a gasolina custa mais de US$ 18,00 o galão – têm muito a nos ensinar sobre como lidar com este novo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o exemplo da Europa for um caminho válido, aqui estão dois segredos de como conviver com o petróleo caro: possuir carros econômicos e não utilizá-los em demasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reparem que eu disse que os carros deveriam ter baixo consumo de combustível – não que as pessoas deveriam dispensar o automóvel. Na Alemanha, como nos Estados Unidos, a grande maioria das famílias possui carros (apesar de que os lares alemães provavelmente possuam menos carros extras que os americanos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O automóvel alemão usa, em média, cerca de 25 por cento de gasolina a menos que um similar americano. Certamente os alemães não dirigem miniaturas de brinquedo, mas usam veículos de passageiros de tamanho modesto ao invés de “vans” esportivas e caminhonetes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um futuro próximo eu espero que vejamos os americanos seguirem o mesmo caminho. Já o fizemos antes; nas décadas de 70 e 80 a quilometragem média dos veículos de passageiros dos EUA cresceu cerca de 50 por cento, quando os americanos optaram por carros menores e mais leves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este progresso foi freado pela ascensão das “vans” durante a época da gasolina barata dos anos 90. Mas agora que a gasolina está mais cara do que nunca, mesmo levando em conta a inflação, nós podemos esperar que a quilometragem dos carros volte a melhorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente os próximos anos serão duros para as famílias que compraram veículos grandes quando a gasolina era barata, e que agora descobriram que possuem elefantes brancos com baixo valor de troca. Mas aumentarmos a eficiência com relação ao consumo de combustível é algo que podemos e iremos fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para entenderem sobre o que estou falando, considerem onde estou no momento; em um agradável bairro de classe média, constituído basicamente por prédios de apartamentos de quatro ou cinco pavimentos, contando com fácil acesso por transporte público e com comércio local bastante variado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o tipo de vizinhança em que seus moradores não precisam dirigir muito, mas também é um tipo de vizinhança bem raro na América, mesmo nas grandes áreas metropolitanas. A Grande Atlanta tem aproximadamente a mesma população que a Grande Berlim – mas Berlim é uma cidade de bondes, ônibus e bicicletas e Atlanta é uma cidade de carros, carros e carros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em face da elevação dos preços do petróleo, o que deixou muitos americanos isolados nos subúrbios – completamente dependentes dos seus carros e, no entanto, tendo dificuldades para abastecê-los – começa a parecer que Berlim teve a melhor idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudar a geografia das áreas metropolitanas americanas será difícil. Por uma única razão: casas duram muito mais do que carros. Muito tempo após as atuais “vans” tornarem-se objeto de colecionadores de antiguidades, milhões de pessoas estarão ainda vivendo em casas que foram construídas quando a gasolina custava US$ 1,50 ou menos o galão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos dirigir menos? – Sim – mas chegar lá será mais difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correm por aí, nas últimas semanas, muitas estórias sobre americanos que estão trocando o seu comportamento devido ao custo da gasolina – eles estão tentando fazer suas compras em seus próprios bairros, cancelando férias que impliquem em muitos quilômetros rodados e eles estão tentando usar o transporte público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada, porém, em grandes quantidades. Por exemplo, alguns dos grandes sistemas de transportes públicos estão animados por que ganharam de 5 a 10 por cento de passageiros por viagem. Acontece que menos de 5 por cento dos americanos usam transporte público para se deslocarem para o trabalho, portanto este aumento de passageiros tira apenas um punhado de motoristas das ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer mudança mais significativa nos hábitos de locomoção dos americanos irá requerer bem mais do que isto: significará mudarmos onde e como muitos de nós habitamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infra-estrutura é outro problema. Transporte público, particularmente, é um círculo vicioso: é difícil de justificar sistemas de transporte público sem que haja uma densidade populacional correspondente e ao mesmo tempo é difícil convencer as pessoas a morarem em bairros a serem densamente povoados, a não ser que eles já venham com o transporte fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda há, como sempre na América, os problemas de raça e de classe social. Apesar da renovação urbana ocorrida em algumas zonas centrais e da queda generalizada das taxas de criminalidade no país, será difícil mudar a associação que o americano comum ainda faz entre altas densidades populacionais e a pobreza e o perigo pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, se nós estamos nos encaminhando para uma era prolongada de petróleo caro e difícil, os americanos serão confrontados com motivos cada vez mais fortes para que comecem a viver como os europeus o fazem – talvez não para hoje, talvez não para amanhã, mas certamente para em breve e pelo resto de nossas vidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-973620637388849403?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/973620637388849403/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=973620637388849403' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/973620637388849403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/973620637388849403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/10/berlim_17.html' title='BERLIM'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-1742379494632042271</id><published>2008-10-15T21:19:00.000-03:00</published><updated>2008-10-15T21:20:52.564-03:00</updated><title type='text'>PASSOS NA AVENIDA</title><content type='html'>Sol&lt;br /&gt;Na Avenida Ipiranga&lt;br /&gt;Sol de serra&lt;br /&gt;Sol a pino&lt;br /&gt;Solitude&lt;br /&gt;Do meio-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A Catedral de São Pedro de Alcântara&lt;br /&gt;Com sua maciça geometria&lt;br /&gt;Guarda o início da avenida)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando&lt;br /&gt;Passo por ela agora&lt;br /&gt;Como por ela passava outrora;&lt;br /&gt;Passeava-a encantado com a luz&lt;br /&gt;Preguiçosa do verão;&lt;br /&gt;Longos passeios passados.&lt;br /&gt;Passagens vagarosas&lt;br /&gt;Pisando o cimento velho,&lt;br /&gt;Trincado, das belas calçadas,&lt;br /&gt;Olhando os jardins decaídos,&lt;br /&gt;Sua fria e escura umidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sãos passos, penso,&lt;br /&gt;Passos de um caminho&lt;br /&gt;Que outrora por aqui começou;&lt;br /&gt;Passo na Ipiranga agora&lt;br /&gt;Andando atrás do outro&lt;br /&gt;Que por aqui passava, passeava&lt;br /&gt;Em outro tempo, outras horas,&lt;br /&gt;Pensando no que haveria de ser,&lt;br /&gt;No que lá na frente viria,&lt;br /&gt;Na vida por acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E os muros vão passando&lt;br /&gt;Um a um, pausadamente:&lt;br /&gt;Passa o muro do convento&lt;br /&gt;E o muro da casa assombrada;&lt;br /&gt;Passa o muro coberto de hera&lt;br /&gt;E o muro da casa da Bela e da Fera).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E recordo quando finda a caminhada&lt;br /&gt;Sentava-me na pracinha da ladeira&lt;br /&gt;(Nas tardes vazias de domingo),&lt;br /&gt;Com uma escura angústia&lt;br /&gt;A rondar o coração,&lt;br /&gt;Um não saber o que fazer&lt;br /&gt;Da tarde, do domingo, da vida,&lt;br /&gt;A esperar um não sei o quê que não vinha nunca&lt;br /&gt;Enquanto o sol se punha atrás da serra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-1742379494632042271?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/1742379494632042271/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=1742379494632042271' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/1742379494632042271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/1742379494632042271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/10/passos-na-avenida.html' title='PASSOS NA AVENIDA'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-7379171371562020048</id><published>2008-10-15T21:02:00.003-03:00</published><updated>2008-10-15T21:11:42.721-03:00</updated><title type='text'>BERLIM</title><content type='html'>Para que eu não fique a repetir eternamente minha ladainha contra o transporte particular anexo, a seguir, um artigo do economista norte-americano Paul Krugman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;By PAUL KRUGMAN&lt;br /&gt;Published: May 19, 2008&lt;br /&gt;BERLIN&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O.K., I know that these days you’re supposed to see the future in China or India, not in the heart of “old Europe.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But we’re living in a world in which oil prices keep setting records, in which the idea that global oil production will soon peak is rapidly moving from fringe belief to mainstream assumption. And Europeans who have achieved a high standard of living in spite of very high energy prices — gas in Germany costs more than $8 a gallon — have a lot to teach us about how to deal with that world. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If Europe’s example is any guide, here are the two secrets of coping with expensive oil: own fuel-efficient cars, and don’t drive them too much.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notice that I said that cars should be fuel-efficient — not that people should do without cars altogether. In Germany, as in the United States, the vast majority of families own cars (although German households are less likely than their U.S. counterparts to be multiple-car owners). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But the average German car uses about a quarter less gas per mile than the average American car. By and large, the Germans don’t drive itsy-bitsy toy cars, but they do drive modest-sized passenger vehicles rather than S.U.V.’s and pickup trucks.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In the near future I expect we’ll see Americans moving down the same path. We’ve already done it once: over the course of the 1970s and 1980s, the average mileage of U.S. passenger vehicles rose about 50 percent, as Americans switched to smaller, lighter cars. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;This improvement stalled with the rise of S.U.V.’s during the cheap-gas 1990s. But now that gas costs more than ever before, even after adjusting for inflation, we can expect to see mileage rise again. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admittedly, the next few years will be rough for families who bought big vehicles when gas was cheap, and now find themselves the owners of white elephants with little trade-in value. But raising fuel efficiency is something we can and will do.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Can we also drive less? Yes — but getting there will be a lot harder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;There have been many news stories in recent weeks about Americans who are changing their behavior in response to expensive gasoline — they’re trying to shop locally, they’re canceling vacations that involve a lot of driving, and they’re switching to public transit. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But none of it amounts to much. For example, some major public transit systems are excited about ridership gains of 5 or 10 percent. But fewer than 5 percent of Americans take public transit to work, so this surge of riders takes only a relative handful of drivers off the road. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Any serious reduction in American driving will require more than this — it will mean changing how and where many of us live. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;To see what I’m talking about, consider where I am at the moment: in a pleasant, middle-class neighborhood consisting mainly of four- or five-story apartment buildings, with easy access to public transit and plenty of local shopping. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It’s the kind of neighborhood in which people don’t have to drive a lot, but it’s also a kind of neighborhood that barely exists in America, even in big metropolitan areas. Greater Atlanta has roughly the same population as Greater Berlin — but Berlin is a city of trains, buses and bikes, while Atlanta is a city of cars, cars and cars.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And in the face of rising oil prices, which have left many Americans stranded in suburbia — utterly dependent on their cars, yet having a hard time affording gas — it’s starting to look as if Berlin had the better idea. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Changing the geography of American metropolitan areas will be hard. For one thing, houses last a lot longer than cars. Long after today’s S.U.V.’s have become antique collectors’ items, millions of people will still be living in subdivisions built when gas was $1.50 or less a gallon. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infrastructure is another problem. Public transit, in particular, faces a chicken-and-egg problem: it’s hard to justify transit systems unless there’s sufficient population density, yet it’s hard to persuade people to live in denser neighborhoods unless they come with the advantage of transit access.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And there are, as always in America, the issues of race and class. Despite the gentrification that has taken place in some inner cities, and the plunge in national crime rates to levels not seen in decades, it will be hard to shake the longstanding American association of higher-density living with poverty and personal danger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Still, if we’re heading for a prolonged era of scarce, expensive oil, Americans will face increasingly strong incentives to start living like Europeans — maybe not today, and maybe not tomorrow, but soon, and for the rest of our lives.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem a falta de saco para a tradução, mas prometo-a para breve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-7379171371562020048?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/7379171371562020048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=7379171371562020048' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/7379171371562020048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/7379171371562020048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/10/berlim.html' title='BERLIM'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-4195950914512801367</id><published>2008-09-20T14:22:00.002-03:00</published><updated>2008-09-27T12:28:35.231-03:00</updated><title type='text'>O ADORMECER</title><content type='html'>Na minha cabeça&lt;br /&gt;                             Adejando no espaço irreal&lt;br /&gt;                             Em círculos concêntricos,&lt;br /&gt;                             Volúveis,&lt;br /&gt;                             Uma noção,&lt;br /&gt;                             Uma certeza,&lt;br /&gt;                             Uma razão,&lt;br /&gt;                             Que emerge desapercebidamente&lt;br /&gt;                             Para depois, caprichosamente,&lt;br /&gt;                             Mergulhar no mar&lt;br /&gt;                             Do inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             Fica um rendado &lt;br /&gt;                             De palavras polissêmicas,&lt;br /&gt;                             Imagens inconstantes,&lt;br /&gt;                             Luzes impressas&lt;br /&gt;                             Na retina da mente&lt;br /&gt;                             Um pouco antes&lt;br /&gt;                             De o sono chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             No reticulado semovente&lt;br /&gt;                             De idéias virtuais&lt;br /&gt;                             Afunda o meu ser&lt;br /&gt;                             Quando de súbito uma voz&lt;br /&gt;                             Ergue-se do passado&lt;br /&gt;                             Calando-se em seguida.&lt;br /&gt;                             Não, ela não me perturba mais.&lt;br /&gt;                             Volto ao mergulho&lt;br /&gt;                             Em águas profundas;&lt;br /&gt;                             Passa um pensamento&lt;br /&gt;                             Sem deixar seu rastro, &lt;br /&gt;                             Um caleidoscópio me aparece&lt;br /&gt;                             Nas pálpebras fechadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             E então vem o nada&lt;br /&gt;                             Antes que chegue o portal&lt;br /&gt;                             Do outro universo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-4195950914512801367?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/4195950914512801367/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=4195950914512801367' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/4195950914512801367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/4195950914512801367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/09/o-adormecer.html' title='O ADORMECER'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-2166961931474439435</id><published>2008-09-20T14:16:00.001-03:00</published><updated>2008-09-20T14:18:28.446-03:00</updated><title type='text'>CHUVA</title><content type='html'>Chove em Sampa, na rua&lt;br /&gt;Gotas de chuva estão a brilhar&lt;br /&gt;Como vagalumes vagabundos, nos fachos dos faróis,&lt;br /&gt;Milhares de lanternas vermelhas&lt;br /&gt;Acendem-se e piscam nas avenidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida continua;&lt;br /&gt;Apesar desta água toda&lt;br /&gt;Os bares estão cheios&lt;br /&gt;As vitrines resplandecentes&lt;br /&gt;Os ônibus lotados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas calçadas encharcadas&lt;br /&gt;Guarda-chuvas que se tocam &lt;br /&gt;Das gentes que passam apressadas.&lt;br /&gt;Em meio ao povão, lá estou eu&lt;br /&gt;Curtindo essa chuva que cai,&lt;br /&gt;As nuvens baixas, amareladas&lt;br /&gt;Pelo reflexo das luzes da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pequena alegria me assalta&lt;br /&gt;Assim, de chofre, no fim do dia,&lt;br /&gt;Por ver a natureza desaguando&lt;br /&gt;Sobre o concreto, o asfalto,&lt;br /&gt;Sobre bancas, terraços e telhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nada parece mudar. Nada?&lt;br /&gt;Amanhã estarão nos jornais matinais&lt;br /&gt;Notícias de enchentes, desabamentos,&lt;br /&gt;Mortes por afogamento,&lt;br /&gt;Mas por enquanto, isto não importa,&lt;br /&gt;Enquanto piso nas poças d’água, feliz&lt;br /&gt;Por ver a chuva assim cair&lt;br /&gt;Nesta falsa noite de primavera&lt;br /&gt;Que chegou sem se anunciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que alegria é esta, penso,&lt;br /&gt;Como posso pisar feliz &lt;br /&gt;Nesta terra tão injusta&lt;br /&gt;Onde a miséria explode em toda a parte,&lt;br /&gt;Sob as vistas de automóveis blindados&lt;br /&gt;De seguranças e meganhas armados?&lt;br /&gt;Como ouso andar tranqüilo nesta metrópole &lt;br /&gt;Violenta, onde os despossuídos são perseguidos,&lt;br /&gt;Surrados pela polícia, mendigos são arrancados&lt;br /&gt;Dos bairros finos para que não perturbem&lt;br /&gt;A sensibilidade dos bem nascidos?&lt;br /&gt;Como a presença diária &lt;br /&gt;Da miséria que vejo a cada esquina&lt;br /&gt;Pode levar-me, assim,&lt;br /&gt;A aceitar esta exclusão,&lt;br /&gt;Estas crianças pedindo pão?&lt;br /&gt;Como pude conformar-me &lt;br /&gt;Com esta vida tão provisória&lt;br /&gt;Que leva esta gente, que coração&lt;br /&gt;Fez-me esquecer do povo desta cidade?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-2166961931474439435?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/2166961931474439435/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=2166961931474439435' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/2166961931474439435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/2166961931474439435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/09/chuva.html' title='CHUVA'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-181509651063918605</id><published>2008-09-19T23:27:00.002-03:00</published><updated>2008-09-19T23:31:44.636-03:00</updated><title type='text'>SOBRE MINHOCÕES...</title><content type='html'>Entra ano, sai ano e aqui em Sampa o “Minhocão” (elevado Costa e Silva) &lt;em&gt;continua sendo&lt;/em&gt;. Apesar de condenado pela maioria dos colegas e rejeitado por boa parte dos cidadãos paulistanos, o monstrengo continua lá, incólume; não há prefeito que tenha a coragem de demoli-lo, temendo a piora do tráfego no eixo leste-oeste viário da cidade. Mas será que alguém duvida que sua remoção vá mesmo complicar o trânsito no centro expandido? Não será este um efeito desejável, pois levaria uma parte da população motorizada que cruza o centro histórico a deixar o seu carro em casa, passando a utilizar o transporte coletivo? A recuperação de uma artéria urbana significativa como a Rua Amaral Gurgel (com a conseqüente revitalização do seu entorno) não compensaria eventuais prejuízos à circulação de veículos particulares?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relembrando o passado, quantas vezes não fiz grandes programas noturnos na Amaral Gurgel, na época "pré-minhocão", indo ao teatro (o Paiol?) e depois jantando no La Cocagne! Depois de sua construção nunca mais andei por aquelas bandas, a região tornou-se um dos espaços mais anti-urbanos, poluídos e perigosos da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não canso de repetir, não acho que haja solução viária baseada no transporte individual para São Paulo; o automóvel e sua infra-estrutura necessária já levaram a cidade ao limite da degradação urbana suportável. É ele, igualmente, o responsável pela invasão contínua das áreas rurais e silvestres adjacentes a nossa metrópole, por loteamentos suburbanos e condomínios fechados que destroem a boa relação espacial cidade-campo e levam consigo a poluição do ar e a decadência ambiental. Não nos esqueçamos que a nossa atmosfera não suportará, por muito tempo, a atual emissão de gazes e que o nosso próprio futuro neste planeta está ameaçado pela destruição desmedida da natureza pelo homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se parece tão óbvia a opção pelo transporte coletivo (metrô, ônibus e mesmo bonde), por que nossos administradores públicos não tomam as medidas cabíveis neste caso? A resposta é simples, temem desagradar a classe média e a alta (e o lobby da indústria automobilística), perdendo assim seus preciosos votos; mas esta situação não pode perdurar para sempre, uma hora haverá de aparecer um governante responsável que lance as bases de uma verdadeira política de transporte urbano que privilegie de maneira insofismável o que é público em detrimento do que é particular. Passo a enumerar algumas medidas que me ocorrem, que poderiam alterar a atual feição dos meios de transporte na cidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 – Suspender-se qualquer tipo de obra viária que vise favorecer o transporte individual, tais como novas avenidas, túneis e viadutos, pistas extras nas marginais, etc., priorizando-se apenas a construção de corredores de ônibus. Os engarrafamentos de trânsito causados por esta medida desencorajariam, com certeza, o uso do automóvel. Um rodízio mais severo do que o atual também poderia ser útil, no caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 – Ampliar-se significativamente a rede do metrô; começamos a construir o nosso ao mesmo tempo do que o da Cidade do México (também metrópole de 3º mundo) e hoje temos cerca de quarenta estações em nossas linhas enquanto que as dos mexicanos contam com mais de duzentas (que vergonha!). Acho, inclusive, que o Governo Federal, e não apenas o Estadual e o Municipal deveriam prover recursos para a ampliação das redes de metrô das principais metrópoles do país e sua integração com as ferrovias suburbanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 – Reestudar-se à sério a volta do uso do bonde em determinadas regiões da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 – Mais prosaicamente, permitir-se o estacionamento de veículos em ambos os lados das vias públicas. Tal medida, além de afunilar o trânsito de automóveis (desejável), traria maior proteção ao pedestre nas calçadas, pois desta maneira seria formada uma barreira física entre este e a rua. E por falar nisto, precisamos muito, mas muito mesmo, de mais faróis e faixas de pedestres nesta cidade; nela, morrem atropelados mais de dois cidadãos por dia, cerca de oitocentos por ano, trata-se de algo inadmissível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 – Os Códigos de Obras deveriam deixar de exigir vagas para estacionamento em edifícios para escritórios e congêneres e até mesmo para o comércio e lazer; construiriam garagens apenas os que assim o desejassem. O Fórum Internacional de Tóquio, para dezenas de milhares de freqüentadores, conta com apenas quarenta vagas para automóveis e em Viena vai-se a Ópera de metrô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 – Criarem-se mais ruas de pedestres nos centros de bairro e instituir-se a cobrança de pedágio para o veículo individual no centro histórico da cidade. E melhorarem-se de vez as frotas de ônibus, meu Deus, cujas empresas proprietárias se constituem como é de conhecimento público, em uma verdadeira máfia, que põe na rua veículos com quinze anos de idade ou mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas medidas não precisariam ser implantadas do dia para a noite, mas ao longo dos anos, desde que fundamentadas por uma sólida política de transporte coletivo para a cidade de São Paulo. Assim poderíamos derrubar o minhocão e outros viadutos que, definitivamente, não deveriam fazer parte da nossa paisagem urbana; por outro lado, tentaríamos substituir algumas das pontes medonhas que existem hoje sobre os rios Tietê e Pinheiros, por "obras de arte" sabiamente projetadas... Algo como menos Santiago Calatrava e mais Robert Maillart...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-181509651063918605?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/181509651063918605/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=181509651063918605' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/181509651063918605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/181509651063918605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/09/sobre-minhoces.html' title='SOBRE MINHOCÕES...'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-177488600718624704</id><published>2008-09-19T21:15:00.003-03:00</published><updated>2008-09-19T21:28:25.710-03:00</updated><title type='text'>THE UNDISCOVER'D COUNTRY</title><content type='html'>Mãe, como foi o teu morrer?&lt;br /&gt;                             Percebeste, em teu sono,&lt;br /&gt;                             O momento do trespasse?&lt;br /&gt;                             Sonhavas? Sonhaste muito&lt;br /&gt;                             Enquanto dormias sedada&lt;br /&gt;                             Naquele triste hospital na montanha?&lt;br /&gt;                             No teu último instante&lt;br /&gt;                             Viste uma luz brilhante&lt;br /&gt;                             Ou tua consciência&lt;br /&gt;                             Apagou-se e nada mais?&lt;br /&gt;                             Por onde andará tua alma?&lt;br /&gt;                             Ou não tinhas alma e tudo acabou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             Mãe, como foi o teu morrer?&lt;br /&gt;                             Tiveste frio, tiveste medo,&lt;br /&gt;                             Tiveste um frêmito, um espasmo,&lt;br /&gt;                             Ou suavemente tua vida cessou?&lt;br /&gt;                             Sentiste a vertigem de saltar no abismo&lt;br /&gt;                             Ou a paz de um beduíno ao entrar no deserto?&lt;br /&gt;                             Tu não querias mais acordar, mãe,&lt;br /&gt;                             O que seria o que te prendia&lt;br /&gt;                             Naquele pré-espaço da morte?&lt;br /&gt;                             Clamaste por ela, quiseste ela?&lt;br /&gt;                             Não ouviste os apelos dos teus?&lt;br /&gt;                             Já não pertencias ao mundo dos vivos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             Mãe, como foi o teu morrer?&lt;br /&gt;                             Simplesmente se morre e é só?&lt;br /&gt;                             Com o que tu sonhavas&lt;br /&gt;                             Quando chegou o teu último instante?&lt;br /&gt;                             Sonhaste com o que passou?&lt;br /&gt;                             Com teu passado tão longo,&lt;br /&gt;                             Com teu presente de dor?&lt;br /&gt;                             Sofreste? Sentiste saudade, amor,&lt;br /&gt;                             Pelos que ficavam tão longe&lt;br /&gt;                             Mesmo ao lado de ti?&lt;br /&gt;                             Alguém veio te buscar,&lt;br /&gt;                             Ou foste só para o nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             Mãe, conta-me como morrer&lt;br /&gt;                             Se puderes, pois minha moléstia&lt;br /&gt;                             Continua retornando, reciclando-se&lt;br /&gt;                             Como uma nódoa venenosa, em mim,&lt;br /&gt;                             Preciso, necessito saber,&lt;br /&gt;                             Mãe, conta-me como morrer,&lt;br /&gt;                             Se melhor é no sono profundo&lt;br /&gt;                             Ou de olhos bem abertos,&lt;br /&gt;                             Despedindo-se do mundo;&lt;br /&gt;                             Conta-me, conta-me como é o morrer...&lt;br /&gt;                             Se é como o adormecer na noite,&lt;br /&gt;                             Ou se é como o acordar na alvorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             Mãe preciso, preciso saber&lt;br /&gt;                             Como é o morrer, como é o caminho&lt;br /&gt;                             De espinhos, como se chega ao tal portal&lt;br /&gt;                             Da insondável eternidade; preciso&lt;br /&gt;                             Saber se tu resististe ao teu fim,&lt;br /&gt;                             Ou se ao contrário, tu ansiastes por ele.&lt;br /&gt;                             Foi fácil? Foi difícil?&lt;br /&gt;                             Ou simplesmente aconteceu?&lt;br /&gt;                             Eu queria saber a morte&lt;br /&gt;                             Antes de morrer, mãe,&lt;br /&gt;                             Mas isto me é impossível vivo&lt;br /&gt;                             E tu não voltarás para contar-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           (De repente olho pela janela&lt;br /&gt;                            E já é noite, o dia se foi).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-177488600718624704?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/177488600718624704/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=177488600718624704' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/177488600718624704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/177488600718624704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/09/undiscoverd-country.html' title='THE UNDISCOVER&apos;D COUNTRY'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-1980935980002918686</id><published>2008-09-11T15:32:00.001-03:00</published><updated>2008-09-11T15:36:22.731-03:00</updated><title type='text'>INSTANTE</title><content type='html'>De súbito, &lt;br /&gt;Com a mão no trinco do portão&lt;br /&gt;Fui tocado pelo raio de um sol&lt;br /&gt;Que vagabundeava &lt;br /&gt;Entre as nuvens de abril.&lt;br /&gt;Assim aquecido,&lt;br /&gt;Desejei que aquele instante&lt;br /&gt;Se tornasse eterno;&lt;br /&gt;Mas um sopro gelado esfriou-me o corpo&lt;br /&gt;E aquela frágil réstia de luz, &lt;br /&gt;Apagou-a o vento do outono.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-1980935980002918686?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/1980935980002918686/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=1980935980002918686' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/1980935980002918686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/1980935980002918686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/09/instante.html' title='&lt;strong&gt;INSTANTE&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-4389492157444991384</id><published>2008-09-11T15:16:00.003-03:00</published><updated>2008-09-11T15:38:03.921-03:00</updated><title type='text'>ENVELOPES</title><content type='html'>Quem acompanha concursos públicos e revistas de arquitetura aqui no Brasil, deve ter observado que está visivelmente na moda entre os arquitetos tupiniquins, “envelopar” totalmente edifícios (como seus colegas d’além mar) com chapas perfuradas de aço corten, de alumínio, placas de granito, ripas de madeira, lâminas de cobre, etc.. Tal recurso é utilizado para conferir unidade à massa edificada e servir como meio de fornecer proteção solar e ventilação natural para os espaços internos do projeto, além do propósito evidente de conferir um ar de “contemporaneidade” à arquitetura, naturalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me deparo com mais uma destas edificações em algum “site” arquitetônico não posso deixar de pensar nas palavras do falecido arquiteto holandês Aldo van Eick: "Admiro o que é simples, mas a simplificação, eu a detesto". Evidentemente quem usa esta solução não precisa preocupar-se com composição de fachadas, aberturas, proteção solar, revestimento de empenas, estes problemas que pedem atenção na arquitetura corrente; ou seja, adota-se um partido que simplifica vários procedimentos inerentes ao processo de detalhar-se o exterior de um edifício. Ainda não vi nenhum destes projetos executados aqui por Sampa, mas me pergunto: como se comportará uma massa virtualmente opaca, uma espécie de “caixa preta” diante da sua vizinhança, de que maneira poderá se relacionar amistosamente com seu entorno, com a população, com seus usuários? Difícil não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algum tempo atrás, folheando uma L’Architecture d’Aujourd’hui antiga deparei-me, por puro acaso, com um projeto no qual o arquiteto francês Jean Nouvel “envelopa” um centro cultural (em St. Herblain, no Loire-atlantique) com chapas de aço perfuradas, projeto este que já estava concluído em junho de 1989, uma década antes que o emblemático pavilhão da W. H. Oosten de Steven Holl, em Amsterdã, se transformasse em ícone deste curioso maneirismo estético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ressalve-se, no entanto que, ao passo que o pequeno volume construído de Holl tem a cor agradável do cobre patinado em verde, o Nouvel teve a infelicidade de pintar o seu (de escala muito maior) de preto, transformando-o em um cubo opaco que a AA classifica como “tenebroso”, descendo-lhe o pau sem cerimônia ou complacência. E o resultado é mesmo uma negação do “construir”, feio, indefinido, um objeto sem significado largado em meio ao asfalto de um imenso estacionamento sem uma árvore sequer. Traduzo o finalzinho da matéria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"há outro cubo negro: a Ka’aba de Meca, que abriga em seu seio a pedra do sacrifício de Abraão, a pedra sobre a qual o pai iria imolar seu filho se não fosse a intervenção do deus. A Ka’aba não é um signo, mas um mistério, uma celebração, a fundação de um culto. Sua vestimenta (sic) negra é a afirmação da impossibilidade de representar-se aquilo que não pode ser visualizado. A Ka’aba de St. Herblain foi concebida para que nela se façam representações profanas. Sua cor é uma negação em si, ela é um objeto arquitetônico onde a luz foi sacrificada no altar de uma indefinida e vã perfeição. &lt;br /&gt;Decididamente este não é um edifício inocente. Não se sabe se o que se esconde em Saint-Herblain, sob o aspecto de um cubo provocante atirado sobre um lago de asfalto, é o sacrifício da modernidade ou um drama da razão..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nós, latino-americanos, este certamente é um drama de colonização tardia, nada temos na nossa cultura e na nossa história que justifique estes cacoetes formalistas importados que fazem a feição da cidade neoliberal, ainda mais quando provenientes de pseudo-vanguardas que há muito abandonaram seu caráter revolucionário, tendo sido cooptadas pelo capital especulativo imobiliário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Em tempo, o uso da chapa metálica perfurada em si não me desagrada, tanto que já a utilizei algumas vezes como “brise-soleil” (na verdade desde 1977, em um projeto para a EMURB no Jabaquara) em fachadas orientadas para o leste ou o oeste, em placas verticais de dupla face móveis, com dimensões tipo 1,25 x 2,50 ou 3 m, mas nunca vedando todas as fachadas da edificação).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-4389492157444991384?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/4389492157444991384/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=4389492157444991384' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/4389492157444991384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/4389492157444991384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/09/envelopes.html' title='&lt;strong&gt;ENVELOPES&lt;/strong&gt;'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-3048701035298952246</id><published>2008-09-11T14:28:00.006-03:00</published><updated>2008-09-27T12:25:31.474-03:00</updated><title type='text'>SOBRE HABITAÇÕES DE INTERESSE SOCIAL</title><content type='html'>No que diz respeito à minha geração de arquitetos, bem cedo descobrimos que a arquitetura não mudaria o mundo, que a estrutura econômica vigente não permitiria a justa e definitiva solução da questão da "habitação social", tão sonhada pelos modernistas “heróicos”. Em seu livro “O Urbanismo”, Françoise Choay comenta a posição de Friedrich Engels sobre o assunto: [... &lt;em&gt;”Engels recusa, portanto, os modelos socialistas utópicos, cujo pensamento compara, neste aspecto, aos dos capitalistas exploradores do proletariado. Além disso ele repele o método geral dos modelos, não por razões de facilidade, mas por desconfiança a respeito das construções a priori e porque se recusa radicalmente a separar a questão do alojamento do seu contexto econômico e político”...]¹. &lt;/em&gt;  Neste sentido Engels não deixa de ter razão; no entanto mais de um século já se passou desde a publicação de “A Questão do Alojamento” e acho que não se justifica a atitude de cruzarmos os braços e ficarmos esperando eternamente por uma revolução proletária para resolver o problema da habitação social, deixando de lado as ações possíveis, baseadas na realidade deste momento da história. Certamente assim não estaremos mudando o mundo, mas trabalhando, pelo menos, para deixá-lo um pouco menos injusto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu modo de ver, em primeiro lugar vem a questão fundiária, que cabe ao Estado dar uma solução baseada no interesse e na inclusão social. Há favelados que moram no mesmo lugar por cinco, dez, vinte, quarenta anos seguidos e não possuem título de posse da terra - tais situações tem de ser definitivamente regularizadas. No entanto, de maior importância ainda seria que os governos municipais cessassem com os atos selvagens de remoção de favelas a pedido de empresários do setor imobiliário ou demoradores dos bairros ditos "nobres". &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No rol das ações possíveis, a autoconstrução financiada pelo Estado é uma solução para as classes de baixíssima renda, dispensando inclusive o projeto arquitetônico tradicional, ficando o papel do arquiteto voltado para a implantação correta das habitações e a um cuidadoso plano de parcelamento do solo, tendo em vista a necessidade da articulação das novas edificações com o tecido urbano existente, a criação de espaços públicos adequados, sua inserção no contexto da vizinhança, o respeito à paisagem e ao meio-ambiente, à segurança geológica, etc. Enfim, não se pode prescindir de um plano urbano abrangente, que não contemple apenas o uso do solo e um sistema viário mínimo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há anos nossas entidades de classe vêm batalhando por esta modalidade de planejamento e contra a exclusão física dos conjuntos habitacionais de interesse social da cidade real - mas infelizmente, nem estas entidades nem a classe dos arquitetos e urbanistas têm força política neste país. No atual governo, pelo menos, o ministério das cidades vem promovendo consultas à comunidade e grupos interessados para a elaboração de um Plano Nacional de Habitação, ação participativa esta que jamais ocorreu nos governos anteriores, quando a política habitacional era imposta de cima para baixo, com os resultados lamentáveis que estão aí, à vista de todos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à autoconstrução (em se supondo como resolvida a parte fundiária), acho que o financiamento do Estado poderia ser direto ao cidadão, sem uma incorporadora e/ou construtora como intermediária, encarecendo e burocratizando o processo. O dinheiro seria liberado em parcelas, na aquisição do material de construção e para o pagamento da mão de obra necessária. Tenho minhas reservas quanto ao uso habitual do mutirão, pois a construção civil ainda é a maior fonte de trabalho para o operário não especializado, ainda numeroso neste país, e o mutirão, embora socialmente solidário, não gera emprego². Assim sendo, um esquema de financiamento público que contemplasse a possibilidade de contratação direta da mão de obra pelo mutuário, estaria também contribuindo para resolver o problema de emprego em sua comunidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em outras palavras, o futuro morador compraria, sem intermediários, o material de construção para a sua casa própria por meio de uma carta de crédito de um agente financeiro do Estado e contrataria um pedreiro e ajudantes da sua confiança para o serviço, com o dinheiro do financiamento e sem "gatos" no caminho. Fiscalização e apoio técnico ficariam a cargo das prefeituras, cujos funcionários seriam liberados de funções meramente burocráticas para realizarem um trabalho socialmente relevante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto do sistema vigente de HIS que questiono é a obrigatoriedade do trabalhador se tornar proprietário do imóvel financiado pelo Estado. Por que não alugá-lo? Se o operário, ou o comerciário, precisam de mobilidade para conseguir emprego, para buscarem melhores condições de trabalho, por que, então, limitá-los pela propriedade física de um imóvel? Imaginem o problema de um cidadão que tem uma HIS e trabalha em Guarulhos, que é despedido do seu emprego e em seguida acha uma colocação para si em uma fábrica em Itapecerica da Serra. Certamente ele irá ficar em uma "sinuca de bico" ou decide vender a propriedade, pela qual ainda está pagando, na "bacia das almas", ou resolve atravessar diariamente esta metrópole engarrafada, ou ainda opta por esperar uma vaga mais perto do seu lar, ficando assim desempregado por um bom tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não seria mais razoável o Estado fazer uma carteira de interessados e construir (ou reformar) prédios  com apartamentos - ou casas - para aluguel em vários bairros e em múltiplas cidades deste país? E o sistema ser concebido de tal forma que o inquilino depois de pagar 20 ou 25 anos de aluguel, se tornasse proprietário do último imóvel locado, o que provavelmente coincidiria com a sua aposentadoria? A mesma coisa aconteceria em caso de morte ou incapacitação do chefe da família, esta última se tornaria proprietária do imóvel ocupado - ou de outro dentro do sistema. Não parece mais adequado, mais lógico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A origem disto tudo é que o antigo Sistema Nacional de Habitação foi fundado durante a ditadura militar e tinha o objetivo ideológico subliminar de transformar o proletariado em uma classe de pequenos proprietários, esperando-se com isso diminuir seu potencial "revolucionário". Hoje isto pode parecer ridículo, mas acreditem, era este o pensamento de políticos, militares e burocratas em geral há algumas décadas atrás. Então, acho mais razoável como política habitacional, mesclar-se a construção de imóveis para aluguel com imóveis para aquisição definitiva dentro de uma proporção adequada entre uns e outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a São Paulo, especificamente, a reforma e ocupação para uso habitacional dos imóveis vazios e frequentemente deteriorados do seu centro histórico, me parece ser uma solução urbana eficaz para o problema da habitação de interesse social. O comércio (inclusive o popular) é numeroso na região, que é acessível por duas linhas de metrô, trens da CPTM e corredores de ônibus que terminam em dois terminais urbanos de grande porte.&lt;br /&gt;O acesso dos futuros moradores ao emprego e aos equipamentos urbanos de qualidade (escolas, bibliotecas, parques e praças,etc.) existentes no centro certamente elevaria a qualidade de vida da população lá residente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A burguesia não voltaria para um centro revitalizado por sua ojeriza às demais classes sociais? Pois que fiquem em seus bairros macaqueados como parte de uma “global city” por aqui inexistente. Atualmente o centro tem a vocação urbanística de local ideal de moradia para as classes de menor renda, o Estado deveria aplicar, no caso, o capítulo da responsabilidade social da propriedade privada constante em nossa Constituição para desapropriar as centenas de imóveis abandonados (do primeiro andar para cima, o térreo é sempre alugado para o comércio), para reformá-los e destiná-los às habitações de interesse social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Marx e Engels andavam as turras (quase sempre)com Proudhon e seus discípulos socialistas, e nesta briga entrou a questão da habitação operária, que este último pretendia resolver de uma maneira "paternalista", segundo Choay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- A meu ver, o maior benefício do mutirão é político e não econômico; ele serve para demonstrar às comunidades o que eles podem realizar ou conquistar, quando unidos em torno de um objetivo comum.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-3048701035298952246?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/3048701035298952246/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=3048701035298952246' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/3048701035298952246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/3048701035298952246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/09/sobre-habitaes-de-interesse-social.html' title='SOBRE HABITAÇÕES DE INTERESSE SOCIAL'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-8439274321537566081</id><published>2008-04-15T14:39:00.003-03:00</published><updated>2008-09-20T14:33:36.092-03:00</updated><title type='text'>CARTA AO ARQUITETO HUMBERTO ORTIZ</title><content type='html'>Prezado colega Humberto Ortiz; ao ler o seu excelente artigo sobre o “arranha-céu” a ser construído em Lomas de Chapultepec, na Cidade do México, não pude deixar de recordar outro artigo recém publicado no Vitrúvius (Arquitextos 095), de autoria de Luis Fernando Janot, que abordava o mesmo tema embora de maneira um pouco mais genérica. Em suma, referia-se ele às municipalidades que, para inserirem-se no “mercado global”, tratam de erigir vistosos monumentos arquitetônicos que possam se constituir em referência universal do lugar, às custas de solucionarem os problemas urbanos reais de suas comunidades. Para isto, arquitetos do “Star-System” mundial são contratados a peso de ouroa fim de deixarem sua “marca”, muitas vezes bizarra e escandalosa, no Burgo que os convocou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamento profundamente que isto esteja acontecendo em um país com uma tradição cultural tão vasta e significativa como o México, e logo pelas mãos do Rem Koolhaas, que considero apenas um oportunista ambicioso com algum talento e muita habilidade em seu “self-marketing” de “Super-Star”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas veja arquiteto Ortiz, no Rio de Janeiro, há alguns anos atrás, um sátrapa desvairado (o prefeito César Maia) contratou o Jean Nouvel (outro oportunista histórico) para fazer o projeto da sede do Guggenheim no Brasil; pois bem, ao vir ao conhecimento público o estudo do museu (muito infeliz, uma mescla de folclore kitsch com um “high-tech” exibicionista), a revolta no meio arquitetônico foi tal que nosso alcaide desistiu da empreitada, mas não sem antes pagar cerca de 2 milhões de dólares ao colega francês por um estudo em um país onde se paga 10 mil dólares pelo projeto de arquitetura completo de um grupo escolar. A verdade é que há uma mitificação injustificada destes arquitetos “globais”; eu, por exemplo, não trocaria uma ponte do Robert Maillart por cinco do Santiago Calatrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à miséria humana (esta sim, global), que você contrapõe ao desperdício brutal de recursos em arquiteturas supérfluas, o que dizer a mais sobre tal questão? Vivemos em um planeta onde dezenas de milhões de seus habitantes padecem com a fome endêmica, onde a cada 5 segundos uma criança morre por desnutrição grave, o que resulta em 12 mortes por minuto, perfazendo um total de 720 por hora e, conseqüentemente, 17.280 por dia, ou sejam, mais de 6 milhões de óbitos por ano (fonte: "Médicos sem Fronteiras").&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quanto ao “arranha-céu do Koolhaas, faço votos para que os arquitetos da Cidade do México consigam unir-se e demover o seu prefeito desta aventura “gobal” e elitista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa sorte,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Oliveira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Esta carta foi publicada originalmente no portal Vitrúvius).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-8439274321537566081?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/8439274321537566081/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=8439274321537566081' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8439274321537566081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8439274321537566081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/04/carta-ao-arquiteto-humberto-ortiz.html' title='CARTA AO ARQUITETO HUMBERTO ORTIZ'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-548821708043846063</id><published>2008-04-15T14:27:00.006-03:00</published><updated>2008-09-20T14:42:29.098-03:00</updated><title type='text'>BAR BERGHOF</title><content type='html'>Olhei o relógio: meia noite. Anita, ao meu lado, bocejava sobre um copo de gim. Estávamos no balcão da boate, um precário mezanino de madeira debruçado sobre o salão. Na penumbra lá em baixo, casais dançavam enlaçados, embalados por um pianista aborrecido e sonolento; cá em cima, na meia-luz, um sussurro constante elevava-se das mesas. Seus ocupantes habituais chamavam o lugar de Sanatório, pois aqui se curavam de suas dores comuns: dor de cotovelo, dor de corno, dores do corpo, dores da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem um cigarro? – uma loura alta, visivelmente bêbada, oscilava diante de mim com um sorriso contrafeito. Olhei para o lado, Anita adormecera em meio aos copos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos dançar, - disse eu. Ela assentiu e seguiu adiante, bamboleando entre as pernas estendidas à sua passagem. Na escadinha, seus sapatos rangeram de leve e quando pararam estávamos rodando na pista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-... &lt;em&gt;Oh the old streets of Nantucket&lt;/em&gt;... – A minha parceira dançava bem, como se estivesse sóbria, mas parecia não se dar conta de mim, com o queixo fincado  &lt;br /&gt;no meu ombro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-... &lt;em&gt;I wish she would&lt;/em&gt;... - Olhei as mesas ao redor com curiosidade, aqui em baixo (na planície, como dizíamos,) eu me sentia sempre como um estrangeiro, meu território era o jirau acima. Não reconhecia nenhuma das faces que passavam por perto; no balcão os freqüentadores me eram pelo menos familiares, talvez por ouvi-los contar todas as noites as mesmas mazelas. Rodávamos. Uma grande lua de acrílico nascia atrás do palco. A balaustrada superior girava, girava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-... &lt;em&gt;So long a time&lt;/em&gt;... -...&lt;em&gt; I wish&lt;/em&gt;... - Um homem acendeu seu isqueiro ao meu lado e, por alguns segundos, pude ver o rosto do meu par; era extraordinariamente belo e assim emoldurado por cachos dourados, assemelhava-se ao de um anjo de afresco. Impressionou-me. Pensei em dizer-lhe alguma coisa, qualquer coisa, mas nada que valesse a pena me veio à cabeça. Procurei em volta algo para mostrar-lhe e que pudesse interessá-la; porém o que poderia eu achar de interessante numa boate escura? Só vultos a rodar, cadeiras, corpos, copos. Por fim encontrei uma mesa ruidosa, onde se sobressaia um obeso senhor de olhos arregalados, com sua gordura espremida em um summer reluzente. O curioso era ser ele o único do grupo a vestir-se de branco, seus companheiros de esbórnia trajavam-se todos de negro. Apontei-o para a minha dama, fazendo uma observação despretensiosa qualquer. Ela parou de dançar e olhou-o demoradamente (inclinara atenciosamente a cabeça enquanto eu falava); evidentemente atinha-se a algum detalhe. O pianista cessara de tocar e a música do toca-fitas soava muito alta, tornando burlescos os gestos do homem, sem o discurso que deveria acompanhá-los. Mas ela demorava-se demais a fitá-lo, puxei-a novamente para mim e recomecei a dançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele veio aqui para morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fitei-a intrigado – O que... Quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O homem que você me mostrou. Ele veio aqui para morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Diante do meu espanto ela fincou novamente o queixo no meu ombro e &lt;br /&gt;continuou a olhar inocente e esquecidamente sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-... &lt;em&gt;So long a time&lt;/em&gt;... – (voltara o pianista ao seu instrumento). Deixei-a junto a uma mesa de pista (para pedir um cigarro, ainda queria fumar) e dirigi-me para a escada do Sanatório. No caminho passei pela mesa do futuro defunto; ele falava sem parar, revirava os olhos, ria, todos a sua volta soltavam ruidosas gargalhadas. Evidentemente era uma figura bastante divertida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar ao balcão, encontrei Anita dormindo como uma criança; sua cabeça resvalara da mesa para o banco e neste ela se aninhara, encolhendo-se de frio. Cobri-a com o meu paletó, sentei-me no chão, ao seu lado, e ali fiquei a distrair-me, brincando com os seus cabelos, O pianista continuava a solar, em sua modorra de fim de noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Têm um cigarro? – Olhei para cima, era o anjo de novo. Desta vez dei-lhe o cigarro e convidei-a para irmos até o bar. Descemos outra vez para a planície e caminhamos até a antiga bancada de granito e madeira que se constituía no &lt;em&gt;american-bar&lt;/em&gt; do Berghof. Sentamo-nos nas banquetas de couro e a bela pediu um &lt;em&gt;dry- martini &lt;/em&gt;enquanto que eu ia de uísque duplo com gelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí, menina, está se divertindo aqui na casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sorriu vagamente e fez que não com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me diga uma coisa; você falou mesmo, lá atrás, que aquele sujeito de summer veio aqui para morrer, ou já estou meio de porre e imaginei ouvir isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele veio aqui para morrer esta noite. Por isto convidou tantos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez fiquei francamente estupefato enquanto ela olhava apática, as garrafas nas prateleiras do bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas como você pode... como pode saber disto, que ele irá morrer hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque sou sua esposa; ele vai suicidar-se daqui a pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu a fitava literalmente de queixo caído; ela falava com tanta segurança que aquilo tudo não podia ser uma simples conseqüência da bebedeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é casada com ele? E como... você não deveria estar ao seu lado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Pimenta foi muito bom comigo... não quero vê-lo morrer. É isto. Mas estou apenas um pouco tonta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pimenta? Ele chama-se Pimenta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pedro Pimenta. Vivíamos no Paraguai... ele tinha negócios com exportação de café, por lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o que aconteceu? Por que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele adoeceu no mês passado, diagnosticaram um tumor no cérebro. Inoperável. E assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para o grupo do Pimenta, a tertúlia continuava como antes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está mesmo falando sério? Seus companheiros sabem o que vai acontecer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pedro os convidou para uma despedida. Todos sabem que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E como ele irá... se matar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com veneno de cascavel. Trouxe com ele do Paraguai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava abismado; esta estória alucinada com uma loura bela e misteriosa no enredo, venenos de serpentes, farras, suicídios e tudo o mais... Era o bastante para um final de noite, resolvi embriagar-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chefe! Mais um duplo aqui! Quer mais um Martini?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossos amigos o chamam de Pedro Coração de Pimenta, mas comigo ele sempre foi tão gentil... Se não fosse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô chefe! Traz um Martini também! E... à que horas se dará o... o passamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não precisou responder. Um pequeno tumulto se instaurara na planície, o Pimenta havia caído sobre as garrafas e a mesa, os homens de negro agitavam-se ao seu redor, algumas mulheres davam gritinhos agudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma pessoal! – Falou um dos seus acompanhantes - O nosso amigo aqui bebeu um pouco demais, vamos levá-lo para casa. Vamos indo, gente... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saíram rápidos com o corpo, o meu anjo levantou-se da banqueta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tenho de ir a um funeral - Sua voz arrastada tinha uma ponta de tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas espere, você vai sair assim? – Eu a havia segurado pelo braço, mas logo a soltei, dando-me conta da inconveniência da minha atitude. Hesitei um pouco e então a beijei carinhosamente nas pálpebras perguntando pelo seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Clawdia – ela me disse – com W. Tchau, amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de vê-la desaparecer em meio ao lusco fusco esfumaçado da planície,&lt;br /&gt;voltei ao meu jirau, e lá estava a Anita desperta, debruçada na balaustrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que aconteceu lá em baixo? – perguntou-me ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um homem desmaiou, ou bebeu de mais, sei lá. Ou envenenou-se, quem sabe, na planície é assim mesmo, Anita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-548821708043846063?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/548821708043846063/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=548821708043846063' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/548821708043846063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/548821708043846063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/04/bar-berghof.html' title='BAR BERGHOF'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-8585707816372873719</id><published>2008-03-22T15:24:00.006-03:00</published><updated>2008-09-11T17:11:57.470-03:00</updated><title type='text'>CIDADE E UTOPIA</title><content type='html'>Sempre achei que o modernismo foi magnífico ao lidar com escalas pequenas ou médias (as habitações e edificações em geral, o quarteirão) e infeliz na organização dos grandes espaços e no projeto em escala urbana. Esta singularidade pode ser vista desde Le Corbusier e Mies van der Rohe até Oscar Niemeyer, em nossos dias (veja-se de nosso Mestre, por exemplo, a diferença de qualidade entre a bela sede do Partido Comunista Francês e a Universidade de Constantine, ou o Memorial da América Latina). Relendo uma revista “Domus” antiga (1987) encontrei uma entrevista com o crítico alemão Wolf Jobst Siedler com o título acima, e que aborda as dificuldades dos arquitetos modernistas em lidar com as cidades, da qual traduzo os trechos mais interessantes (apesar de achar, no autor, um certo reacionarismo latente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[... Todas as cidades se auto-renovam através de nexos particulares. No entanto eu tenho dúvidas a este respeito; eu me pergunto se não existem elementos constantes no “gestalt” de uma cidade, que permanecem apesar das transformações sociais e formais desta última. É sempre com espanto renovado que eu me deparo com as plantas das cidades da antiguidade escavadas – tais como Sybaris, Lokris ou Metapont – tudo nelas me parece familiar, até a disposição das ruas. Em toda a parte, seja no Egito ou na Mesopotâmia, as ruas eram largas o bastante para que uma carroça de bois por elas passasse. As ruas principais eram duas ou três vezes mais largas do que as locais, nelas várias carroças podiam trafegar ao mesmo tempo. Na periferia das cidades os edifícios tinham dois ou três andares enquanto que nas avenidas eles tinham três ou quatro. Podemos imaginar nos mudando para uma destas casas sem dificuldades. Elas estão no nosso imaginário, tudo nos é familiar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estas cidades foram destruídas há 3000 ou 4000 anos atrás e deveriam parecer muito estranhas para nós. Mas se pelo menos os planos viários da Paris dos Bourbons, ou os de Londres da rainha Vitória, ou ainda os de Berlim de Schinkel, tivessem sobrevivido, suas dimensões não teriam se revelado muito diferentes dos da Babilônia. Parece-me que isto tem tudo a ver com “constantes”: o olho humano reconhece uma face a uma distância de 80 metros; a voz humana alcança 60 metros, podendo assim alguém chamar um conhecido do outro lado da rua ou falar com as crianças de uma janela tanto em Pompéia quanto em Philipsburg. A transformação das cidades primitivas para as da antiguidade, e destas para as medievais e em seguida até as cidades do século dezenove, foram, neste aspecto, muito pequenas. Tais “constantes” sempre sobreviveram; e assim, estas tipologias urbanas com mil anos de idade são mais familiares para nós do que as produzidas com uma visão futurista, no século vinte. Vamos imaginar que daqui a outros mil anos, as fundações de Chandigarh ou Brasília* viessem a ser redescobertas e escavadas: quem as olhasse, então, teria a sensação de que algo inteiramente novo começara ali, algo que não havia existido na história das civilizações nos 5000 anos anteriores. Minha pergunta é bastante simples: em se construindo, não deveríamos nos voltar com as novas técnicas para os fundamentos básicos de toda e qualquer vida humana? Não teria a crença no projeto de novas cidades baseada apenas em um ponto de vista intelectual nos levado a um desastre – um desastre intelectual ou mesmo formal? Em relação à forma, a arquitetura moderna foi consideravelmente superior à desenvolvida no final do século dezenove. No que diz respeito ao desenho da forma, Le Corbusier, Mies van der Rohe e Frank Lloyd Wright foram magistrais: a linha pura, o cubo perfeito. O modernismo perdeu-se não na concepção da forma, mas na conceituação teórica....]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que, como eu, o Wolf Siedler também acha que o modernismo funcionava ao nível do edifício em si, mas quando chegava à escala da cidade ou dos grandes conjuntos arquitetônicos, “saía do eixo”. O plano do Le Corbú para Paris, destruindo todo o Marais para nele colocar alguns “arranha-céus”, parece hoje coisa de um lunático; é inimaginável como ficariam Nemours, na Algéria, o Rio de Janeiro e São Paulo, reurbanizados através de imensos edifícios-minhocões, com vários quilômetros de comprimento, passando por cima do relevo e das cidades, arrematados com autopistas de altas velocidades em suas coberturas... Quanto a Mies, basta comparar a qualidade dos seus edifícios para o MIT com o plano insosso do Campus, também de sua autoria, e por aí vai, seria até tedioso enumerar aqui os fracassos do urbanismo modernista...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, Wolf Siedler termina a sua entrevista dizendo que a utopia modernista da cidade implicava “em por os pés para fora da história”, contando com a aparição de um novo tipo de homem, "libertado" pelo automóvel de sua vizinhança paroquial, possuidor de uma “nova cultura”, enfim, um ser idealizado, homogeneizado, inexistente e conclui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[... As pessoas querem entrar em seus automóveis e irem para o campo, elas querem a liberdade de locomoção, elas querem também poder sair de vez em quanto da sua vizinhança, algo que não podiam fazer facilmente outrora. Mas na noite de domingo elas &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; querem voltar para um “arranha-céu” no meio do campo, elas querem voltar para casa em uma tranqüila rua local ou em uma praça movimentada de uma cidade...]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns fundamentos das cidades parecem ser arquetípicos, como o espaço público em escala gregária, permitindo o encontro,o contato pessoal, o casual, o inesperado;   a sensação de segurança que a comunidade (vizinhança) dá; a possibilidade de acesso ao conhecimento e a cultura comuns, ao lazer, etc. Seria então a Utopia das cidades um exercício inútil? A resposta, creio que está nestes versos de Eduardo Galeano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                      Para que serve a Utopia?&lt;br /&gt;                      Ela está diante do horizonte,&lt;br /&gt;                      Me aproximo dois passos&lt;br /&gt;                      E ela se afasta dois passos.&lt;br /&gt;                      Caminho dez passos&lt;br /&gt;                      E o horizonte correu&lt;br /&gt;                      Dez passos mais à frente.&lt;br /&gt;                      Por muito que caminhe&lt;br /&gt;                      Nunca a alcançarei.&lt;br /&gt;                      Para que serve a Utopia?&lt;br /&gt;                      Serve para isso, para caminhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota – Fiz a tradução do inglês para o português um tanto livremente, pois a tradução do alemão para o inglês estava um pouco confusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* - Troquei o nome de uma desconhecida cidade alemã planejada por Brasília, esta sim a altura de Chandigarh.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-8585707816372873719?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/8585707816372873719/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=8585707816372873719' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8585707816372873719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8585707816372873719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/03/cidade-e-utopia.html' title='CIDADE E UTOPIA'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-5210850367294880065</id><published>2008-01-07T17:59:00.000-02:00</published><updated>2008-01-07T18:11:05.822-02:00</updated><title type='text'>REFAVELA</title><content type='html'>As cenas de violência policial no despejo dos moradores da favela Real Parque estiveram presentes em dezembro pp. na mídia de São Paulo. O que não foi dito é que esta favela existe desde 1965 (anterior, portanto, à própria marginal do Rio Pinheiros), tendo sido formada por operários da construção civil que trabalhavam na época, na construção do estádio do Morumbi, há mais de 40 anos, portanto. Com o Plano Diretor Participativo de 2004, o local constituiu-se em uma ZEIS-1, zona destinada por lei a ter 80% de sua área ocupada por habitações de interesse social para pessoas de baixa renda. No entanto, o governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo, arrogantemente, não revelaram nem o que farão da gleba e muito menos o destino que darão aos desalojados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, parece-me que voltamos à Renascença ou ao Barroco, quando o urbanismo era a "arte urbana", ofício que se adotava para embelezar ruas e praças nobres das cidades, para deleite da aristocracia decadente e da burguesia ascendente. Hoje, em Sampa, enquanto se ergue uma monumental e desnecessária ponte estaiada sobre o rio Pinheiros, bem em frente desta favela, uma comunidade inteira é brutalmente despojada de seus lares e pertences, seus barracos demolidos e seu destino... bem, este só o prefeito, o governador e Deus devem saber. Ah, e a proximidade deste ato com o Natal e as festividades de fim de ano acrescenta sadismo e crueldade à ação das "autoridades".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os moradores da favela Real Parque dizem ter conhecimento de que a SEHAB está desenvolvendo um projeto para o local, com prédios de 12 pavimentos, contemplando 750 famílias. Acontece que moram hoje na favela 1.200 famílias com renda média entre 1 e 3 salários mínimos e que não terão condições de arcar com o custo do condomínio de prédios de 12 andares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabedores também de que, por ser a área uma ZEIS 1, deveria existir um Plano Participativo com Conselho Gestor Paritário, os moradores da favela já teriam ido há tempos à subprefeitura do Butantã e na SEHAB solicitar a implementação do Conselho Gestor Paritário (com sua participação), mas até hoje nenhuma providência foi tomada além da de retirá-los do local a pau. Há também quem diga que a construtora Gafisa, que está erguendo ao lado da favela um dos seus condomínios de luxo, está oferecendo algum dinheiro aos favelados para que estes se retirem do local (isto aliado à pressão da PMSP, que quer a gleba desocupada até meados de janeiro); uma mescla imoral de negócios particulares com gestão pública, como se vê. (Aliás, não acho a denominação “favela” pejorativa, afinal ela existe há mais de cem anos, é quase mítica e está imortalizada no cancioneiro popular, em romances e contos, em poesias e novelas, no teatro e no cinema, etc.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[..."A porta do barraco era sem trinco&lt;br /&gt;Mas a lua furando nosso zinco&lt;br /&gt;Salpicava de estrelas nosso chão;&lt;br /&gt;Tu pisavas os astros, distraída “...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes versos, de Orestes Barbosa, referem-se à favela do morro do Salgueiro (RJ) e estão, certamente, entre os mais belos escritos da língua portuguesa. No entanto, como urbanistas, não devemos romantizar a favela; ela é, simplesmente, a solução que o povo "sem-teto" dá ao seu problema habitacional: ocupando áreas devolutas, se possível próximas a locais onde existam oportunidades de trabalho. Por esta razão é que é tão importante a regularização da situação fundiária destas comunidades, antes mesmo de qualquer intervenção física visando o aumento da qualidade de vida no lugar. Insisto que é importante a manutenção desta população na vizinhança escolhida (por eles) para o seu assentamento. No Rio de Janeiro ainda se tenta a reurbanização de favelas ao lado de bairros ricos ou de classe média, mas em São Paulo a classe média baixa e o proletariado foram e estão sendo relegados a bairros periféricos da cidade, com poucos recursos e atrativos urbanos, transporte público deficiente, altas taxas de desemprego, violência policial, presença de grupos de extermínio, traficantes, etc..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade já estamos em janeiro e ainda não vi nenhum dos nossos institutos (IAB, ASBeA, Sindicato) ou dos nossos mestres urbanistas, manifestaram-se sobre o assunto ou seja, a questão não lhes despertou interêsse algum. Ou será por que o carnaval ainda não passou?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-5210850367294880065?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/5210850367294880065/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=5210850367294880065' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/5210850367294880065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/5210850367294880065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/01/refavela.html' title='REFAVELA'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-6540463525705490342</id><published>2008-01-02T01:02:00.002-02:00</published><updated>2008-09-20T14:43:40.444-03:00</updated><title type='text'>ARQUITETURA X MEIO-AMBIENTE</title><content type='html'>O assunto do momento é arquitetura sustentável; problemas relativos ao meio-ambiente, à energia renovável, à preservação dos corpos d’água e temas afins estão constantemente em destaque em fóruns de debates, rádios e TV’s, jornais e revistas, salas de aula, etc.. Podemos observar também que esta (a arquitetura sustentável) começa a despontar como instrumento de &lt;em&gt;marketing&lt;/em&gt; do capitalismo para incrementar novos negócios imobiliários e mesmo para a criação de uma “indústria da ecologia” (no mau sentido da expressão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro aqui que os bons arquitetos brasileiros sempre estiveram preocupados com a relação entre suas obras e o meio ambiente, a paisagem, com a criação e preservação de áreas verdes, o conforto térmico e a ventilação e iluminação naturais dos espaços construídos, etc. No entanto, estamos assistindo na mídia em geral, a banalização da questão  da construção “sustentável” como se esta pudesse ser equacionada em termos de fórmulas e receitas de arquiteturas ecologicamente corretas, sem levar em conta o meio urbano onde elas se inserem, os mecanismos de produção capitalista da edificação e o trato da habitação como uma mercadoria a ser vendida como um bem de consumo qualquer (além da exploração desenfreada do homem e da natureza pelo sistema econômico-social vigente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, estamos começando a ver grandes incorporadoras e empreiteiras fazerem a promoção dos seus condomínios de luxo como " sustentáveis" por que usam água da chuva para a descarga das privadas e "energeticamente suficientes" porque suas piscinas são aquecidas por um coletor solar. Esta maneira de abordar o assunto (a casinha ecologicamente correta) acabará por levar o problema real para o lugar comum da "moda" do momento, destinado a ser esquecido após uma temporada de "sucesso" midiático. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A questão ecológica é hoje, fundamentalmente, uma questão de Política Internacional. Os países ditos "do primeiro mundo" desenvolveram-se explorando brutalmente a natureza (e os países do terceiro mundo), até chegarmos ao ponto atual de saturação do meio ambiente, prejudicando, assim, as possibilidades de real crescimento social e econômico das nações da periferia do capitalismo. Os estados "ricos" hoje querem manter seu padrão de consumo e nível de vida à custa da estagnação dos estados ditos "em desenvolvimento", pois nossa atmosfera não suportaria mais o crescimento do seu atual grau de poluição. Esta injusta desigualdade material não pode ser mantida em nome da ecologia - há que se buscar um acordo em que os primeiros abram mão de parte de seus privilégios para que os segundos possam se desenvolver sem maiores danos ao meio-ambiente. Combustíveis fósseis, monoculturas, bio-energia, desmatamento, sustentabilidade, tudo isto deve ser discutido, mas com base nesta premissa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li há pouco tempo uma entrevista com Rajendra Pachauri (Prêmio Nobel da Paz), onde ele diz textualmente que "&lt;em&gt;países em desenvolvimento, como o Brasil e a Índia, têm&lt;/em&gt; &lt;em&gt;que cuidar de seus interesses mais urgentes, como o desenvolvimento e o&lt;/em&gt; &lt;em&gt;combate à pobreza&lt;/em&gt;... &lt;em&gt;Não é justo exigir destes países a mesma responsabilidade na preservação do ambiente que dos países desenvolvidos, que estão em outro estágio de conforto e progresso. A comunidade internacional precisa entender que as responsabilidades não podem ser divididas em partes iguais&lt;/em&gt;". Acho que a despolitização do debate pode levar a questão ecológica, como já disse, a mero modismo destinado a cair no esquecimento das causas banalizadas por sua abordagem superficial, esquecimento este que só interessa aos grandes poluidores da atmosfera, como os EUA e o Japão. Outro lado alarmante deste assunto é a sua "financeirização" pelo capital especulativo, com os tais "créditos de carbono" negociados em bolsas de valores e mercados futuros por fundos e corretoras; eis aí mais um fator complicador da questão, com estes papéis, com o selo da ecologia, sujeitos às negociatas e às crises sistêmicas do capitalismo. &lt;br /&gt;]&lt;br /&gt;Comenta-se também que há no momento um excesso de consumo, por parte da humanidade, prejudicial ao meio-ambiente; frizo, no entanto, que apenas uma parcela muito reduzida da população do mundo tem acesso a este nível de consumo desenfreado de bens supérfluos. Vivemos em um planeta onde dezenas de milhões de seus habitantes padecem com a fome endêmica, onde a cada 5 segundos uma criança morre por desnutrição, o que resulta em 12 mortes por minuto, perfazendo um total de 720 por hora e, conseqüentemente, 17.280 por dia, mais de 6 milhões por ano (fonte: "Médicos sem Fronteiras"). Isto sem contar as mortes por doenças infecciosas (devido à falta de infra-estrutura e saneamento urbanos), catástrofes da natureza, epidemias, pragas, guerras... Insisto que, subjacente a esta onda de "sustentabilidade" midiática, selos verdes, créditos energéticos, está a intenção dos países centrais do capitalismo em frearem o crescimento do terceiro mundo, a fim de manterem seu consumo "normal", sem o risco de outros estados desenvolverem-se ameaçando a "sua" atmosfera. Para mim, uma sociedade "ecologicamente correta" terá de incluir o acesso de todos os seus membros à alimentação farta e sadia, à moradia decente, à educação e cultura continuadas. Diante desses fatos, discussões do tipo “construir com garrafas &lt;em&gt;pet&lt;/em&gt;" são “conversa para boi dormir". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para finalizar pergunto: as 12 mil bombas nucleares guardadas nos arsenais dos “grandes” por acaso não se constituem em ameaça (gravíssima) ao meio-ambiente? Nunca vi este assunto discutido nos fóruns sobre ecologia ou pela mídia. Estranho, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dados acrescentados em 26/03/08&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantamento da UNICEF em 2005 - no nosso planeta existem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 640 milhões de crianças morando em sub-habitações,&lt;br /&gt;- 500 milhões de crianças vivendo sem saneamento básico,&lt;br /&gt;- 400 milhões de crianças sem acesso à água potável,&lt;br /&gt;- 300 milhões de crianças sem acesso à informação (rádio, TV, etc.),&lt;br /&gt;- 270 milhões de crianças sem seviços de saúde disponíveis,&lt;br /&gt;- 140 milhões de crianças que nunca foram à escola,&lt;br /&gt;-  90 milhões de crianças que sofrem de desnutrição grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem comentários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-6540463525705490342?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/6540463525705490342/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=6540463525705490342' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/6540463525705490342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/6540463525705490342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2008/01/arquitetura-x-meio-ambiente.html' title='ARQUITETURA X MEIO-AMBIENTE'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-8993275901223624232</id><published>2007-12-20T19:48:00.001-02:00</published><updated>2008-09-20T14:44:45.766-03:00</updated><title type='text'>CARTA DO NOVO URBANISMO</title><content type='html'>No ano passado a Carta do Novo Urbanismo (Charter of the New Urbanism, CNU), documento básico do movimento de origem norte-americana denominado &lt;em&gt;Congress for the&lt;/em&gt;&lt;em&gt; New Urbanism&lt;/em&gt;,completou dez anos de sua promulgação, razão pela qual acho oportuno tecer aqui alguns comentários sobre ela, que com tanta  freqüência tem sido comparada com a Carta de Atenas dos CIAM &lt;em&gt;(Congrès Internationaux&lt;/em&gt; &lt;em&gt;d’Architecture Moderne), &lt;/em&gt;como símbolo da negação dos princípios modernistas contidos nesta última. Tal comparação faz algum sentido porém, o que acho equivocado, é considerá-la como um retorno ao modelo urbano norte-americano tradicional (baseado na grelha cartesiana) quando a nova tipologia imaginada corresponde mais a uma mistura do conceito de &lt;blockquote&gt;Cidade-Jardim&lt;/blockquote&gt; de Ebenezer Howard com o modelo da cidade européia medieval, compacta, multi-social e estreitamente ligada à natureza e ao campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arquiteta Clara Irazábal, em artigo na revista “Arquitextos” do Portal Vitruvius de dezembro de 2001 (3), coloca a CNU de 1966 como oposição teórica tipicamente americana e pioneira à Carta de Atenas, mas esta oposição já existia na Europa, dentro dos próprios CIAM’s, pelo menos desde o final da II Guerra Mundial. Relembrando, os CIAM’s nasceram na esteira do movimento moderno, um pouco como reação ao academicismo que cercou o Concurso da Liga das Nações, em 1927. Estes congressos foram liderados principalmente por Le Corbusier e deveriam funcionar como fóruns para a discussão de problemas arquitetônicos e urbanísticos em geral, mas na verdade acabaram servindo como plataforma  para as idéias de LC e sua &lt;em&gt;Ville&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Radieuse&lt;/em&gt;; sob sua influência, durante o IV Congresso em Atenas (1933), uma “Carta” de princípios sobre planejamento urbano (a Carta de Atenas) foi redigida, infelizmente de caráter apolítico, sem menção aos regimes fascistas e nazista que surgiam na época e que tinham, entre suas inúmeras taras e obsessões, o horror ao modernismo na arte e na arquitetura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os princípios da Carta de Atenas foram largamente aplicados na reconstrução das cidades da Europa e da Ásia, no pós-guerra, e na recuperação do &lt;em&gt;déficit&lt;/em&gt; habitacional das cidades norte-americanas; no entanto, arquitetos de todo o mundo começaram a perceber que a saúde de seus subúrbios e &lt;em&gt;banlieues&lt;/em&gt; não ia tão bem assim e principiaram a considerar em seus projetos a história e a cultura dos locais em que trabalhavam. No CIAM de Dubrovnic (1956), o grupo que o preparou, denominado Team 10 (4), deconstruiu no congresso os princípios da Carta de Atenas que começou a partir de então a ser contestada pelos metabolistas japoneses (Kenzo Tange, Kiyonori Kikutake), Louis Khan, Pierre Vago (UIA) o grupo da Casabella (Vittorio Gregotti, Ernesto N. Rogers, Giancarlo De Carlo) e outros. O próprio Le Corbusier encontrava-se desiludido com o Capitalismo e a Revolução Industrial; seus projetos desta época, como as Unités d’Habitacion, mostram uma volta ao natural (como a madeira bruta das formas impressas no concreto e os seixos rolados nos balcões) e a reintegração das funções sociais em um único edifício (habitação, comércio, lazer, cultura). Assim, podemos dizer que a Carta de Atenas morreu de morte natural, com o advento de novas condições históricas e não por obra da &lt;em&gt;Charter&lt;/em&gt; &lt;em&gt;of New Urbanism&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A ocasião&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho oportuna uma revisita à CNU pela análise que contém de problemas urbanos muito semelhantes aos que afligem atualmente a cidade de São Paulo, a saber: esgarçamento do tecido urbano devido ao aparecimento incessante de novos subúrbios, crescimento desordenado e sem a orientação das condições culturais e dos modelos históricos de desenvolvimento da metrópole, déficit crônico de habitações, transportes e espaços públicos, guetos de pobreza, interrupções e feridas na malha urbana causadas por condomínios privados fechados, monstrengos urbanísticos como Alphaville, Aldeia da Serra e similares (que se constituem em cidades exclusivas para a burguesia), falta de limites precisos entre a cidade e a natureza (ou o campo), etc. A propósito, não creio que a leitura, o estudo e a divulgação de experiências estrangeiras sobre suas cidades constituam-se em algum tipo de postura “neo-colonialista” ou subdesenvolvida, se soubermos metaformoseá-las para a nossa cultura. Estamos às portas da terceira revolução industrial, quando a troca de mercadoria e bens de consumo será paulatinamente substituída pelo intercâmbio de informações e saber. Temos de ficar atentos pois talvez esteja aí a oportunidade de realizarmos finalmente uma modificação nas estruturas de produção e mercado baseada não no lucro, mas na distribuição igualitária dos bens materiais e culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comentários sobre a CNU&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro parágrafo da “Carta do Novo Urbanismo” diz respeito, e em profundidade, às questões urbanas do Brasil: “O Congresso por um Novo Urbanismo vê a falta de investimentos nos centros urbanos, o crescimento desordenado das cidades, a crescente separação física por renda e raça, a deteriorização do meio ambiente, a perda de terras agrícolas e zonas silvestres e a erosão da herança física construída da sociedade, como um desafio para a inter-relação edificação-comunidade”. É bom assinalar aqui que o crescimento desordenado de nossas cidades ocorreu, principalmente, pela falta de uma política de redistribuição fundiária na primeira metade do século passado, quando começou a migração da mão de obra dos campos, empurrada pelo desemprego e pela fome, para as grandes cidades, formando o proletariado urbano e o “lúmpem” subempregado e dependente de “bicos” temporários e precários. Esta força de trabalho também era convocada por empreiteiros por ocasião de grandes obras como a construção de hidroelétricas, auto-estradas, metrôs, etc., e depois abandonada à própria sorte. Tal situação persiste até os dias de hoje praticamente inalterada, dada a ganância de acumulação de riquezas da nossa burguesia e a falta de uma efetiva reforma agrária que fixe o camponês na terra, independentemente da cadeia produtiva dos "agro-negócios".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à separação racial e econômica da comunidade, ela existe por preconceito das elites, que abandonam as áreas “contaminadas” pela pobreza e pela falta de uma política urbana firme e dura, de integração social. Assim, imóveis desocupados existem às centenas por toda a Grande São Paulo e poderiam ser desapropriados para uso habitacional por parte da população  de baixa renda; as normas fundamentais para regulamentarem-se tais ações existem na nossa Constituição, no capítulo da Função Social da Propriedade Privada, mas falta vontade política aos nossos governantes para transformá-las em leis e fazê-las respeitadas pela sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nós apoiamos a restauração de centros urbanos e cidades existentes dentro de regiões metropolitanas coerentes e coesas, a reconfiguração dos bairros em expansão em comunidades com verdadeira diversidade social e sentido de vizinhança, a conservação do meio ambiente nativo e a preservação do patrimônio construído”. A ênfase da Carta na diversidade de ocupação justifica-se tanto no plano do uso do solo quanto na miscigenação, dentro do espaço urbano, das diferentes classes sociais. Por outro lado, a falta de limites físicos das cidades, que por aqui avançam indefinidamente sobre o campo, causando a destruição das áreas rurais, da paisagem silvestre e o desperdício absurdo de recursos energéticos, é efeito das ações coordenadas realizadas pela administração pública e pelos incorporadores imobiliários para saciarem a sede dos ricos por bairros-jardins “fashion”, condomínios com campos de golfe etc.; são estes últimos os grandes vilões da falta de coesão de nossas estruturas urbanas. Quanto à inter-relação edificação/comunidade, esta é constantemente arrasada (pelo menos em SP) pelo modismo dos condomínios fechados, verdadeiros diques contra o uso do espaço público, destruidores da integração moradores/bairro e formadores de nichos elitizados dentro da malha urbana pré-existente. “nossos bairros deveriam ser projetados tanto para pedestres e para outros meios de locomoção, quanto para automóveis, igualitariamente; metrópoles e cidades deveriam ser conformadas e fisicamente definidas por espaços e edifícios públicos de acessibilidade universal; lugares urbanos deveriam ser caracterizados por projetos de arquitetura e paisagismo que celebrassem a história, o clima, o eco-sistema e as tradições construtivas locais”. Como podemos observar, a maior causa da deteriorização de nossas cidades são os automóveis; barulhentos, fedorentos, emitem gases e partículas poluentes que formam densas camadas de névoa fuliginosa que encobrem nossas cidades, o que é facilmente constatável olhando-as a bordo de um avião; certamente temos menos luz aqui em baixo do que tínhamos há quarenta, cinqüenta anos atrás. São assassinos ocasionais também; além das vítimas de seus próprios desastres matam, apenas em São Paulo, cerca de setecentos pedestres por ano. A sua substituição por transporte público, dificultando-se ao máximo o seu uso, é um imperativo social que nossos políticos não têm a coragem de assumir por contrariar os interesses das elites, sejam eles (os meios de transporte público) o andar a pé, a bicicleta, o trem, o metrô, o ônibus, o bonde, o táxi, tanto faz. O final da introdução sugere uma arquitetura contextualista para as cidades, a preservação do seu patrimônio histórico e natural e uma predominância formal da arquitetura institucional e das áreas públicas sobre as de caráter privado como habitações e comércio. As cidades européias são assim, via de regra, e esta conduta urbana já era recomendada por Ziegfried Gideon e Bruno Zevi para a arquitetura modernista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diretrizes regionais, metrópoles, cidades e vilas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Regiões metropolitanas são espaços finitos com fronteiras geográficas limitadas pela topografia, pelos corpos d’água, faixas litorâneas, terras para agricultura, zonas silvestres e bacias hidrográficas. A Metrópole é constituída por múltiplos núcleos que são cidades, subúrbios, vilas, cada qual com um centro e limites identificáveis”. Provavelmente aqui o grupo pensa em giga-metrópoles norte-americanas como Los Angeles ou Dallas/Houston, mas nós temos por cá exemplos parecidos, como os da Grande São Paulo (São Paulo, o ABC, Mauá, Osasco, Guarulhos, Diadema, Poá, Suzano, etc.) e o do Grande Rio (RJ, Barra, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Belfort Roxo, Nilópolis, etc.) com problemas semelhantes, mas bastante agravados pela miséria de grande parte da sua população. De resto, centros e limites de bairros estão profundamente ligados à história física dos lugares e são, geralmente, identificáveis visualmente. Nunca é demais relembrarmos a necessidade de preservarmos esta história através de sua paisagem urbana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Regiões metropolitanas são unidades econômicas fundamentais no mundo atual. Políticas públicas, cooperação governamental, planejamento físico e estratégias econômicas devem refletir esta realidade”. É muito difícil no Brasil, conseguir-se cooperação entre as administrações das cidades que compõem estas metrópoles, bem como um planejamento urbano integrado entre elas, pois que cada uma é dirigida por partidos de ideologias diferentes que se digladiam entre si (geralmente o socialismo democrático versus o liberalismo econômico); este é, certamente, o maior dos males que afligem nossas administrações municipais; as recém eleitas não levam adiante o que as antecessoras planejaram. A existência de um órgão gestor de políticas urbanas permanentes e independente dos governantes que se revezam a cada quatro anos na direção das cidades, seria uma garantia de continuidade das políticas urbanas para nossas metrópoles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As metrópoles mantêm relações temporárias mas frágeis com suas zonas silvestres e agrícolas. As relações são ambientais, culturais e econômicas. Fazendas e florestas são tão necessárias às metrópoles quanto um jardim é para a habitação”. Quanto à relação das metrópoles com as zonas rurais e silvestres, como dissemos anteriormente, os planos diretores deveriam definir a ocupação e o uso do solo de forma a impedir a proliferação, na campanha, de assentamentos urbanos tais como loteamentos fechados do tipo resort e condomínios horizontais que, além de segregarem espacialmente as classes sociais, desestruturam a relação de limites precisos entre a cidade e o campo. Sugerimos que sejam definidas por estes planos, fronteiras geográficas claras para as cidades e que, uma vez atingidas estas, com a saturação do interior do perímetro construído, seja criado um novo assentamento com uma zona agrícola e silvestre entre ambas, unidas por uma estrada parque (nunca uma Autobhan). Lisboa já adota solução semelhante, além de outras cidades européias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como conservação histórica da paisagem, além das medidas citadas acima, devemos prever a recuperação conservação e proteção ambiental dos corpos e linhas d’água (como, aliás, já estabelece a legislação federal), e a recomposição das matas ciliares ao longo de suas faixas marginais para proteção dos eco-sistemas renovados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cidades e vilas deveriam reunir um amplo espectro de espaços de usos público e privado para beneficiar seus cidadãos de quaisquer classes sociais. Habitações econômicas deveriam ser distribuídas homogeneamente pelos bairros, para aumentar as oportunidades de trabalho e evitar a concentração da pobreza”. Quanto a este parágrafo, saliento que propiciar habitação digna para todos os cidadãos desta República é tornar o mundo um pouco mais justo e certamente, obrigação do Estado. Já quanto a diversidade social e étnica, esta virá com políticas habitacionais de inclusão das HIS no tecido urbano dos bairros das classes A e B. O sentido de vizinhança seria dado pelo compartilhamento do espaço público e a proibição de condomínios fechados (não se permitindo a construção de mais de um edifício habitacional por lote).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A organização física regional deveria ser contemplada com uma sólida rede de transportes alternativos. Sistemas de transporte público, de pedestres e de bicicletas deveriam maximizar a circulação e o acesso na região, reduzindo assim, a dependência do automóvel”. O modernismo foi a maior ruptura com o passado na história das artes (música, pintura, escultura, arquitetura, urbanismo), vindo junto com a segunda revolução industrial e a formação do proletariado moderno; a “arte urbana” foi substituída pelo urbanismo dos CIAMs, que preconizava a separação radical das funções da cidade e apoiava-se fortemente no uso do transporte individual para a ligação entre os seus setores. Foi somente na segunda metade do século XX que começamos a perceber que estas deveriam desenvolver-se respeitando suas estruturas históricas e que somente através do transporte coletivo, com a eliminação do veículo particular, poderíamos humanizá-las novamente; mas esta será uma briga feia, contra a indústria automobilística e as empresas gigantes do petróleo – ao nosso favor temos a degradação da atmosfera do planeta pela emissão de CO² e o aquecimento global a serem detidos (em Nova Iorque, por exemplo, apenas os ricos possuem automóvel, a grande maioria da população só anda de transporte coletivo e, quando precisam sair de Manhatann, alugam um veículo qualquer). Para cidades com topografias planas, uma boa alternativa de transporte particular são as ciclovias, pois bicicletas, além de não poluírem a atmosfera, fazem bem à saúde dos ciclistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Atividades institucionais, culturais e comerciais deveriam estar integradas com os bairros e unidades de vizinhança, nunca isoladas em longínquos complexos de uso único”. Aqui, o bom senso: mais mercadinhos, quitandas e feiras livres e menos mega-supermercados, mais comércio de bairro e menos “shopping-centers”, para que possam ser freqüentados por pedestres e não apenas por “automobilistas”. Seria bom pensarmos mais nas crianças e idosos, para que não dependam tanto do automóvel para se locomoverem aos seus locais de atividades (escolas, parques, quadras de esportes, etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, a ênfase renovada da Carta na distribuição democrática da moradia social entre as habitações das classes de maior renda é importantíssima para evitar-se a criação de guetos de pobreza, promover-se a convivência e mesmo o confronto entre as diversas classes sociais e criarem-se novas oportunidades de emprego em locais próximos a estas moradias. No Rio de Janeiro esta convivência, mesmo que conturbada, ainda existe pela existência de favelas ao lado de bairros ricos ou de classe média, mas em São Paulo a classe média baixa e o proletariado foram relegados a bairros periféricos da cidade, com poucos recursos e atrativos urbanos, transporte público deficiente, altas taxas de desemprego, violência policial, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diretrizes para o quarteirão, a rua e a edificação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, em geral, a Carta enfatiza novamente a preocupação com a escala dos bairros, que a maioria das atividades do dia a dia possa ser feitas a pé, que distâncias pequenas a serem percorridas eliminam a necessidade do uso do automóvel e que estas qualidades permitam a formação de um sentimento real de comunidade no lugar. Áreas verdes deveriam ser bem distribuídas entre os bairros, locais para esportes também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os principais objetivos dos projetos de arquitetura urbana e paisagismo são a definição das ruas e demais espaços públicos como lugares de uso comunitário”. Acho que podemos acrescentar aqui “levando-se em conta a história física do local”; devemos também lembrar que são as diversas escalas dadas ao espaço público que determinarão o caráter da cidade (monumental, acolhedor, etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Projetos individuais de arquitetura deveriam adaptar-se às suas vizinhanças, a continuidade do tecido urbano é mais importante que o estilo”. Aqui, o grupo do CNU pisou na bola – estilo (tipologia arquitetônica) nada tem a ver com tecido urbano; ocupação e uso do solo, escala, gabaritos de altura, técnicas construtivas, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nas metrópoles contemporâneas, seu desenvolvimento deve levar em conta a presença do automóvel, mas de maneira tal que respeite a presença do pedestre e a forma do espaço público”. Ressalvo que um planejamento urbano responsável, hoje, deve limitar e desestimular a presença do automóvel – lembrem-se da nossa atmosfera e portanto, do nosso clima!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A preservação e manutenção de edifícios, bairros e das paisagens históricas, confirmam a continuidade e evolução dos assentamentos humanos.” Perfeito, sem comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, lembro que a urbanização é o principal item que caracteriza uma civilização, do seu nascimento até a sua extinção. Ao longo da História, incontáveis cidades foram destruídas pela barbárie e pela guerra, desde Micenas até Hanói, de Constantinopla a Hiroxima. Hoje em dia já não são necessárias as guerras para a destruição de nossas metrópoles: a especulação imobiliária encarrega-se do assunto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-8993275901223624232?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/8993275901223624232/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=8993275901223624232' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8993275901223624232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8993275901223624232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/12/carta-do-novo-urbanismo.html' title='CARTA DO NOVO URBANISMO'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-8164573344012954912</id><published>2007-06-27T17:53:00.001-03:00</published><updated>2008-09-20T14:45:37.601-03:00</updated><title type='text'>HISTÓRIA FEIA</title><content type='html'>Em 2004 meu escritório ganhou um Concurso Nacional para o desenvolvimento de um novo bairro na Barra Funda, patrocinado pelo IAB-SP, a SEMPLA e a EMURB, projeto este que prometia alavancar a Operação Urbana Água Branca, então estagnada. Compuseram o júri os arquitetos Paulo Zimbres (Brasília), Luis Fernando Freitas (RJ), Alberto Botti (SP), Alfredo Garay (Buenos Aires, autor de “Puerto Madero”), Nádia Somekh (SP), Jorge Wilheim (SP), José Magalhães Júnior (SP) que decidiram por unanimidade o resultado do Concurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início de agosto daquele ano, fomos chamados para uma reunião na SEMPLA pelo então Secretário, Arquiteto Jorge Wilheim, que nos colocou a necessidade de concluirmos o projeto até novembro, para que a Câmara Municipal, sob a forma de projeto de lei, o aprovasse ainda em 2004. O prazo era curtíssimo, os honorários não eram lá essas coisas, mas formamos uma equipe com meia dúzia de outros escritórios de profissionais conceituadíssimos em suas disciplinas, em São Paulo e no Brasil, e atiramo-nos ao trabalho com o entusiasmo daqueles que querem ver seus projetos transformarem-se em realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, entregamos o anteprojeto em outubro (pelo qual recebemos os honorários) e o projeto básico no início de dezembro, como havíamos nos comprometido. Só que neste ínterim, a Marta Suplicy perdeu as eleições para a Prefeitura...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nossa decepção, com a mudança de governo mudou também o comportamento dos colegas da EMURB para conosco. De displicente, no início, tornou-se grosseiro e com o andar da carruagem, bastante mal educado. Nosso contrato foi suspenso pelo novo prefeito (José Serra) logo no início de janeiro, mas a EMURB, matreiramente, não nos avisou do fato, aproveitando-se de nossa ignorância sobre o que se passava para solicitar-nos modificações e correções sem fim em um projeto com mais de 300 folhas tamanho A1, fora planilhas, pareceres, tabelas e memoriais. Terminada a revisão, ao tentarmos receber os honorários restantes (50% do valor contratual), descobrimos que o projeto não tinha mais um Gestor (?). Apelamos então para o IAB, que muito nos auxiliou. Seu presidente, o arquiteto Paulo Sophia descobriu quem era a gestora do projeto, que nosso contrato estava suspenso e marcou uma reunião nossa com a presidente da EMURB, então a arquiteta Heloísa Proença. Nesta reunião ficou combinado que faríamos ainda algumas modificações que a EMURB desejava e que seríamos pagos na medida em que fôssemos entregando o trabalho. Assim, quando entreguei, em outubro, uma parte significativa do projeto revisada e cobrei meus honorários correspondentes, fiquei sabendo pelo Diretor de Operações Urbanas, para meu espanto, que não havia previsão no orçamento da EMURB para o pagamento de nossos honorários, fato este que me foi confirmado pelo arquiteto José Magalhães Junior da SEMPLA e que nosso contrato estava no jurídico por determinação da Presidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguimos então uma audiência com o prefeito José Serra, que, com extrema grosseria, falou na nossa frente e com a maior cara-de-pau que não iria nos pagar, pois se tratava de um projeto "eleitoreiro da Marta" e que o cobrássemos da EMURB na Justiça; e ainda tivemos de ouvir do Sr. Andréa Matarazzo, subprefeito da Sé, que nosso projeto era ingênuo, pois que “jamais uma família iria morar no mesmo bairro que os seus empregados” (sic), ignorando (o subprefeito) que discriminação social é crime grave em nosso país até em elevador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí está o verdadeiro nó desta questão que envolve o relacionamento dos pequenos escritórios de arquitetura como o meu com o Estado; a morosidade do nosso Judiciário encoraja políticos irresponsáveis como o José Serra a atitudes como esta, pois sabem que só daqui há dez, doze anos, haverá uma sentença definitiva para este caso. De qualquer maneira, luto contra um câncer há sete anos e certamente não viverei para ver a cor deste dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, por ter ganhado um concurso aberto de urbanismo, passei por um verdadeiro inferno nos últimos anos, fiquei com o escritório atolado em dívidas até o pescoço, que não tenho a menor idéia de como pagar, e ainda tenho de entrar com uma ação de cobrança contra a EMURB, que me será paga daqui a uns quinze anos em precatórios, de triste reputação. E pessoalmente ainda fica a tristeza de perceber que, com trinta e sete anos de profissão, ainda não consigo ser tratado ao menos com dignidade e respeito, não só por clientes, mas também por "colegas".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-8164573344012954912?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/8164573344012954912/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=8164573344012954912' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8164573344012954912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8164573344012954912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/06/histria-feia.html' title='HISTÓRIA FEIA'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-8672501020781326095</id><published>2007-06-08T17:29:00.000-03:00</published><updated>2007-06-08T17:33:04.935-03:00</updated><title type='text'>DE VOLTA AO PASSADO</title><content type='html'>O passado deixa um rastro&lt;br /&gt; Que como caçadores seguimos&lt;br /&gt; Atrás daqueles que nos amaram&lt;br /&gt; E dos que nós amamos,&lt;br /&gt; Dos duendes dos jardins,&lt;br /&gt; Das risadas infantis,&lt;br /&gt; Da turminha do colégio,&lt;br /&gt; Da primeira namorada.&lt;br /&gt; São pegadas de fantasmas&lt;br /&gt; Que buscamos, fragmentos,&lt;br /&gt; Ecos do que foi e morreu,&lt;br /&gt; Sinais do que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Seguimos esta trilha longa e mítica&lt;br /&gt; Onde o real é apenas parte&lt;br /&gt; Do que reencontramos nesta volta&lt;br /&gt; Em que as lembranças, às vezes,&lt;br /&gt; São como pequenas cenas &lt;br /&gt; Iluminadas, de um teatro de marionetes,&lt;br /&gt; Onde fantoches representam o que passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E são lembranças tão antigas...&lt;br /&gt; Um pátio, uma voz,&lt;br /&gt; Uma laranja na mão,&lt;br /&gt; O colar da mãe – o de contas nacaradas!&lt;br /&gt; Os brinquedos no chão, &lt;br /&gt; Um flamboyant em flor,&lt;br /&gt; Costelas de Adão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E os odores, o cheiro&lt;br /&gt; Do café com leite,&lt;br /&gt; Da manteiga (Aviação), do pão...&lt;br /&gt; Bolachas Maria! Biscoitos de maisena!&lt;br /&gt; Goiabada marca Peixe com queijo Palmira!&lt;br /&gt; E os sons da manhã, sabiás&lt;br /&gt; Bem-te-vis, rolinhas, tico-ticos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Minha toalha é de renda de bico&lt;br /&gt;   Pega a laranja do chão, tico-tico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O peixeiro abria o portão,&lt;br /&gt; Cesto de vime na cabeça,&lt;br /&gt; Ia até a porta da copa:&lt;br /&gt; - “Peixe fresco freguesa”! &lt;br /&gt; O tripeiro vinha de triciclo.&lt;br /&gt; Mostrava sua mercadoria;&lt;br /&gt; Fígados de boi, dobradinhas, rins,&lt;br /&gt; Que minha avó fazia no espeto&lt;br /&gt; Com toucinho e molho de vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E tinha o bonde, circular&lt;br /&gt; Gávea- Leme, que pontuava&lt;br /&gt; Com sua presença o rolar das horas;&lt;br /&gt; Tinha o “Taioba” do Seu Militão, &lt;br /&gt; Motorneiro alegre que passava acenando&lt;br /&gt; Para os moleques que gritavam o seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Na Adolfo Lutz as brincadeiras&lt;br /&gt; Iam até o final da tarde, pique,&lt;br /&gt; Jogo de amarelinha nas calçadas,&lt;br /&gt; Bola de gude no quintal da Dona Aurora &lt;br /&gt; E a pelada (com bola de couro!) disputada&lt;br /&gt; No asfalto ardente; depois, o banho,&lt;br /&gt; Roupinha limpa e ver a noite chegar&lt;br /&gt; Enquanto se esperava o jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As noites da Gávea eram frescas&lt;br /&gt; Com a montanha e a floresta ao lado;&lt;br /&gt; Morcegos voejavam nos pés de abil,&lt;br /&gt; Gambás rondavam os quintais,&lt;br /&gt; Os cachorros latiam na escuridão.&lt;br /&gt; Tudo mudava então:&lt;br /&gt; Corredores ensolarados transformavam-se&lt;br /&gt; Em túneis tenebrosos, atrás do portão&lt;br /&gt; A rua solitária e silenciosa&lt;br /&gt; Iluminada por um único lampião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Portas eram então trancadas,&lt;br /&gt; Janelas cerradas,&lt;br /&gt;        As casas e as famílias fechavam-se&lt;br /&gt;        Sobre si mesmas e passavam &lt;br /&gt;        A noite em sua espera tranqüila&lt;br /&gt;        Do sol, que nasceria &lt;br /&gt;        Dos lados do Corcovado,&lt;br /&gt;        Atrás do Redentor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-8672501020781326095?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/8672501020781326095/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=8672501020781326095' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8672501020781326095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8672501020781326095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/06/de-volta-ao-passado.html' title='DE VOLTA AO PASSADO'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-7437055963809920600</id><published>2007-05-11T15:47:00.001-03:00</published><updated>2007-05-11T16:02:02.154-03:00</updated><title type='text'>Emílio Ambasz</title><content type='html'>Traduzo a seguir, uma entrevista do arquiteto Emílio Ambasz à revista Domus em maio de oitenta e nove.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Desde o começo deste século (XX) existe uma preocupação geral em criar-se um novo tipo de arquitetura. A premissa ideológica era de que um novo homem estaria surgindo das páginas da história, um homem liberto das divisões de classe tradicionais. Para ele seria necessário um novo sistema de propriedade, de classe social e, portanto haveria de surgir um novo tipo de arquitetura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por cinqüenta anos a arquitetura moderna procurou não ter nenhum tipo de relação com a sua história. Então, nós percebemos que havia ali um preconceito intelectual, que perdêramos um imenso tesouro de experiência arquitetônica. Arquitetos profissionais responderam a esta questão voltando-se para livros de arquitetura do passado como referência. Os chamados “pós-modernos” são, na maioria dos casos, pessoas muito acadêmicas, ávidas por citações de pés de página e uma metodologia escolástica sem defeitos. Eles têm medo de inventarem ornamentos, pois têm medo de inventarem imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso período histórico é o único que, ao invés  de criar imagens adequadas para representar seus mitos, desenvolveu uma metodologia para gerar uma infinidade de imagens. Assim, a imagem que melhor representaria o nosso período seria o próprio método por meio do qual tais imagens seriam geradas – algo como a fórmula de Sol LeWitt* para criar imagens sem uma delimitação definitiva. E assim, nós temos arquitetura sendo ensinada como uma metodologia para criar imagens arquitetônicas sem crítica de valores. Não me espanta como é difícil para indivíduos, em nossa cultura, criar imagens definitivas; isto implicaria em fazer-se um juízo de valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos de meus trabalhos enfatizam as preocupações clássicas da arquitetura, como a presença da luz, o som das águas, o agenciamento das perspectivas e o uso humanizado do espaço para gerar sentimentos de segurança e esperança. Não sou contrário aos esforços para mantermos um “continuum” com a história, nem sou contra a procura da ornamentação. Eu acredito na invenção do ornamento quando ele provêm do uso de materiais naturais, quando ele é intrínseco a estrutura do que está sendo construído. Eu o valorizo como continuidade de um processo de inovação, não de recuperação. Arquitetos que se voltam para fontes históricas apenas para utilizarem-se de elementos que tenham significado para si próprios, acabam utilizando-se de uma linguagem hermética, acessível apenas para os que nela se iniciem. Você pode proceder desta maneira se insistir em viver dentro de um convento, mas não conseguirá resolver problemas reais tais como habitação recortando pequenos portais e cornijas e colando-os nas fachadas para exprimir um desejo de modulação.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* -Sol LeWitt - artista minimalista norte-americano já falecido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-7437055963809920600?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/7437055963809920600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=7437055963809920600' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/7437055963809920600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/7437055963809920600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/05/emlio-ambasz_11.html' title='Emílio Ambasz'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-8536202470522507452</id><published>2007-04-15T10:06:00.000-03:00</published><updated>2007-04-15T11:08:03.102-03:00</updated><title type='text'>A Mulher do Bodum.</title><content type='html'>Iniciei meu curso de graduação em 1965, na Fauldade de Arquitetura e Urbanismo da antiga Universidade do Brasil, hoje FAU-UFRJ. O edifício da Faculdade, estalando de novo, ficava (e ainda fica) na Ilha do Fundão, juntamente com o complexo da Faculdade de Engenharia, ambos belos projetos do arquiteto Jorge Moreira e da equipe   do Escritório Técnico da Universidade do Brasil. Naqueles tempos, a ilha era um fim-de-mundo, com os dois prédios, um alojamento de estudantes que ficava em um velho presídio desativado, um botequim que chamávamos de "candango" e mato, muito mato; a paisagem vista das vidraças da faculdade era tristonha, um cemitério de navios onde apodreciam velhos cargueiros do Lloyd.&lt;br /&gt;Pois bem, devido a este afastamento da cidade, a diretoria da faculdade permitia que nós varássemos a noite nos atelieres de desenho (que eram muitos, para cada turma), para finalizarmos os trabalhos curriculares e foi numa "virada" destas que um colega nosso, veterano do quinto ano e meio amalucado, conhecido pelo estranho apelido de "Bodum",resolveu levar consigo uma prostituta(das bravas) para distraí-lo durante a noite atarefada. Raiada a manhã, o Bodum resolveu ir tomar um café na lanchonete para espantar o sono e deixou a moça com a incumbência de ir fazendo pinguinhos de nanquim com a "oxford" no jardim do seu projeto.&lt;br /&gt;Não haviam se passado nem cinco minutos quando entrou na sala o regente da cadeira de "Grandes Composições", arquiteto reacionário e de produção eclética que gozava da antipatia de todos nós por sua rabujice perante tudo o que fosse "moderno" e por seu anti-comunismo feroz.&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;Mas quem é a senhora&lt;/strong&gt;? Indagou o mestre com visível espanto e indignação.&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;Eu sou a mulher do Bodum&lt;/strong&gt;! Respondeu a menina, resposta esta evidentemente infeliz, naquela situação.&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;Pois vá chamar o seu Bodum imediatamente, que eu quero ter uma conversa com ele &lt;/strong&gt;, replicou a besta-fera.&lt;br /&gt;E foi assim que o "seu Bodum foi suspenso por meio ano e a FAU passou a ser fechada pontualmente às 18 hs, acabando-se nossa "sopa" de virar ali as noites de trabalho e farra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-8536202470522507452?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/8536202470522507452/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=8536202470522507452' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8536202470522507452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8536202470522507452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/04/mulher-do-bodum.html' title='A Mulher do Bodum.'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-7370438116487559674</id><published>2007-04-14T16:35:00.000-03:00</published><updated>2007-04-14T16:38:24.906-03:00</updated><title type='text'>As Torres de Ohrn.</title><content type='html'>As Torres de Ohrn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na antiga cidade de Ohrn, ou Ohren, duas torres negras erguiam-se da cimalha de suas muralhas, guardando à noite o sono de seus habitantes; não eram elas guarnecidas, porém seu aspecto sombrio bastava para afastar os seres crepusculares que viviam a rondar, como lobos famintos de uma alcatéia, a cidadela. Assim, em seus quartos bem aquecidos, os burgueses de Ohrn podiam dormir tranqüilos, protegidos pelos noturnos gigantes que os guardavam daquele povo apenas pressentido, de sua fome adivinhada, de sua tristeza presumida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram as torres de sólida construção, mas velhas, tão velhas que ninguém sabia de sua origem no tempo e nem haviam notícias do povo que as tinham erguido com blocos de duro gnaiss, rudemente talhados em pedreiras desconhecidas. Tão afeitos eram os burgueses aos seus negócios que de suas maciças presenças não se davam conta, enquanto atarefavam-se no mercado de Ohrn, nem mesmo quando o sol poente lançava suas longas sombras sobre a praça e trancados eram os portões da cidadela; mas tal desinteresse, em breve, haveria de mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em certa noite de abril o burgomestre insone, chegando-se ao balcão, viu que uma das torres desaparecera, ficando assim perdida a bela simetria, antes por todos ignorada. Ao amanhecer reuniram-se os burgueses na praça, para assustados, comentarem o acontecido. Que magia forte seria aquela? Ou mais seria obra de engenharia? Quem ou o que a levaria? E aonde (se possível fosse) teriam a torre escondido? Sem convicção ou fé resolveram então, esperarem pela noite e a nova madrugada para verem se tudo ao (para)-normal não voltaria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o mistério ficou, a torre não reapareceu. Desta manhã em diante, em todas as madrugadas, os assustados burgueses assomavam às suas janelas e varandas, a procurar pela torre que restara, conferindo sua necessária permanência (e orando pelo retorno da desaparecida). Desta maneira as noites tornaram-se mais longas e os dias mais curtos, enquanto que a angústia e o medo tomavam conta da pacata cidade; a ausência de uma das guardiãs de Ohren, causa de toda aquela assimetria, não saia da memória dos seus cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sete dias e sete noites assim passaram-se e então, o que era por todos temido, aconteceu; a sétima madrugada chegou sem a derradeira torre. Após a discussão de praxe na praça sobre o ocorrido, trancaram-se os burgueses em seus lares, aflitos, vulneráveis, amedrontados; velas foram acesas, orações nos cantos murmuradas, víveres estocados e armas azeitadas para protegerem-se dos seres crepusculares que fatalmente viriam despojá-los de seus bens e haveres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ocorria que a turba atrasava-se, os bárbaros demoravam; iam-se as noites, vinham os dias e os seres temidos não apareciam. Assim sendo, pouco a pouco, voltou a cidade ao normal, à sua ordem habitual; o mercado funcionava, a Bolsa fazia o pregão, havia nos cafés o aperitivo do meio dia, as noites eram vencidas sem sustos por sonos com sonhos sem culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, aconteceu. Abertas as janelas numa gelada manhã invernal, viram os burgueses os seres crepusculares vagando silenciosamente pelas ruas, caminhando em hordas intermináveis em meio a branco e espesso nevoeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De início, nada para si tomaram; passavam olhando o luxo das vitrines, as aldravas de ouro dos portões, os frontões de ornamentos rebuscados, como se aquilo não bem compreendessem ou que não lhes dissesse respeito; apenas para espanto dos burgueses, reviraram as latas de lixo e tiraram dali o seu repasto, que devoraram na beira das calçadas; chegada a noite (não se acenderam os lampiões) reuniram-se na praça os bárbaros e ali dormiram seu sono ameaçador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Alma nenhuma da cidade de Ohrn atreveu-se naquele dia o seu abrigo deixar, portas e venezianas permaneceram trancadas, espiavam o povo pelas frestas das janelas, a multidão infinda que não terminava de  passar. Então eram assim os temidos seres crepusculares? Esquálidos, de cinzas e de chagas cobertos, a moverem-se como marionetes em meio ao sepulcral silêncio que reinava nas ruas de Ohren? Dormiram cheios de pavor os burgueses nesta noite e quando tinham pesadelos era para o medo que acordavam, trancafiados em seus quartos abafados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã ouviram um breve burburinho vindo da praça e depois o silêncio. Horas se passaram sem novas sonoridades; teriam as criaturas abandonado a cidade sem nada levar? Um a um, alma a alma, corpo a corpo, foram deixando suas mansões os burgueses, dirigindo-se como de hábito, para a praça. Encontraram-na deserta, sem marca alguma dos maltrapilhos; mas ao erguerem os olhos para a torre da igreja acharam-na diferente; o que seria, o que estaria... Ah! Faltava-lhe o sino! Então era assim, as criaturas roubaram o sino de Ohrn, sua Matriz ficara emudecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para que o desejariam? Não tinham igreja nem torre sineira onde pendurá-lo pudessem (tinham apenas sua fé); o que com ele fariam? Fundir-no-iam para com o bronze ficar? Mas de coisas mais ricas de sobra as tinha a cidade, quantas eram peças e móveis preciosos que em Ohrn abundavam! Todas valiosas e mais fáceis de as levarem? Bem, antes assim. Uma guarda noturna  formada foi por velhos e desajeitados criados para patrulharem as ruas da cidade  e o alarme soarem se os  seres crepusculares voltassem, enquanto melhor solução não se achasse para a ausência das torres guardiãs. Mas como seria dado o alarme, se o sino roubado fora? Espantaram-se novamente os burgueses de Ohrn; seria o fato uma esperteza dos tais seres? Sem torres que os guardassem ou sino que os alertassem como ficariam, obesos por demais que eram e muito pouco afeitos às práticas guerreiras, militares?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomaram outras providências então; um mensageiro despachado foi e dias depois, célere, voltou trazendo consigo os Cavaleiros Templófagos, negros em suas pesadas armaduras de couro e aço, suas faces ocultas por bicos de metal perfurado. Um círculo formaram  na praça com os seus corcéis e imóveis esperaram o que havia de vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiantou-se então um burguês, o mais venerável da cidade, e com tremelicante voz contou-lhes que haviam, que horror, perdido as torres do burgo, suas ancestrais protetoras e o sino da Matriz, que do perigo os alertava. Quem ou o que os defenderia então dos seres crepusculares logo após o paredão? Por acaso os cavaleiros e a que preço, não tomariam para si a missão deste pequeno e pobre burgo defenderem? E qual seria sua comissão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez-se então o silêncio em primeiro; depois, o mais alto dos Templófagos falou que sim, que para defenderem seu burgo tinham vindo, para os protegerem dos miseráveis estavam ali, que tal tarefa poderiam fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não queremos vosso ouro disse, sempre a pelejar, dele não aproveitaríamos um grama sequer. Mas ao invés do ouro queremos o poder sobre Ohren e como garantia, o casamento com vossas virgens; tornando vossas filhas nossas damas, uma nova aliança estabeleceremos convosco e um forte vínculo com vossas famílias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retiraram-se então os burgueses para a Matriz e fechadas as portas confabularam; “e nossos acordos, nossas promessas, nossos negócios comerciais, selados pela união de nossos filhos, como ficarão? Nossas famílias, como receberão os Templófagos, nossos devires, como serão?” - ponderavam. Uma sábia voz então se alevantou dizendo em alto e bom som:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Ó tolos, sabemos que tal tropa avançará em nossos cofres, além de levarem nossas filhas; mas que escolha teremos nós? Por acaso preferis que o povo crepuscular as leve para suas cabanas ou para forcejar nos campos”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Tem razão o sábio” disseram, “melhor entregarmos nossas filhas e nosso ouro para cavaleiros do que para o povaréu, o sábio tem razão”. Combinado o que havia de ser feito, saíram os burgueses para a praça e com os Templófagos selaram a nova aliança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar dos anos, as palavras que o sábio dissera foram se confirmando; os cavaleiros altos impostos impuseram sobre as famílias de Ohrn, casaram-se com grande pompa com suas filhas, embebedavam-se e comiam até estourarem em banquetes descomunais, tornaram-se gordos e lentos, mal cabendo nas armaduras faiscantes e limitaram seus deveres militares a uma cavalgada vagarosa em torno das muralhas do burgo, a cada seis ou sete dias, para afastarem os famintos seres dos portões da cidade. Os filhos por aqueles gerados eram cuidados por mães maldizentes de seu destino, que lhes impusera no caminho da vida, homens fedorentos que não sabiam sequer comerciar na praça. Em Ohrn começava-se a conspirar, os jovens burgueses que sem esposas ficaram, por conta dos acontecimentos, fundaram e reuniam-se em uma sociedade secreta estranhamente denominada de “O Sino”, onde tramavam a expulsão dos Templófagos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, em outra gélida noite de inverno, com a cumplicidade das esposas que lhes franquearam as portas, sorrateiramente os conspiradores entraram em seus lares e apunhalaram os maridos-cavaleiros, durante o seu sono profundo de bêbados saciados, apaziguados. Deixaram então as mulheres a cuidarem dos cadáveres e a lavarem o sangue dos pavimentos e dirigiram-se a praça de Ohren, onde fizeram uma imensa fogueira. Pouco a pouco os burgueses saindo foram de seus palacetes, dirigindo-se para praça, onde brindaram e dançaram pela morte de seus genros; os rapazes também dançavam faziam troças e desafios, “agora sim”, diziam “teremos viúvas como esposas, a vida gozaremos segundo as leis de Deus e dos homens”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repentinamente, alguém ouviu um som; outro também. Cessaram as festas e danças, nos cantos da praça apuraram-se os ouvidos e suspendeu-se a respiração. Não havia dúvida, era o sino de Ohrn que soava na escuridão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Paulo, Abril de 2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-7370438116487559674?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/7370438116487559674/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=7370438116487559674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/7370438116487559674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/7370438116487559674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/04/as-torres-de-ohrn.html' title='As Torres de Ohrn.'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-8645136369255634875</id><published>2007-04-08T19:30:00.000-03:00</published><updated>2007-04-08T20:46:08.627-03:00</updated><title type='text'>A Forma do Território</title><content type='html'>A seguir alguns trechos de "A Forma do Território" e outros, de Vittorio Gregotti:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- [... &lt;em&gt;Para estudar-se as possibilidades de uma análise antropológica e geográfica da paisagem, os vários aspectos ligados à abordagem multi-dimensional do arquiteto com o meio ambiente têm de serem observados&lt;/em&gt;...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- [...&lt;em&gt; O arquiteto impõe a sua estética na vizinhança natural...]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- [...&lt;em&gt;Os elementos responsáveis pela transformação da paisagem no tempo, compreendem variações climáticas e das estações, infra-estrutura dos colonizadores, a agricultura e fenômenos naturais como enchentes, etc&lt;/em&gt;...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- [...&lt;em&gt; Nosso começo é compreender que a natureza é transformada em culturas agrícolas para o homem aumentar a sua produção de bens às custas das características originais do terreno &lt;/em&gt;...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- [...&lt;em&gt;Qualquer território, com a excessão dos desertos, tem uma explicação histórica porque determinados pedaços de terra foram usados ou não e nós estamos continuamente recriando a geografia através da nossa experiência e cultura&lt;/em&gt;...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- [... &lt;em&gt;Uma nova hipótese assume a paisagem no significado do seu conteúdo e com um mínimo de modificações...desenhar cartograficamente os valores do território tendo em vista a intervenção na geografia&lt;/em&gt;...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- [...&lt;em&gt;Existem elementos na paisagem que, por sua proeminência, entorno e implantação adquirem um caráter excepcional e um significado denso &lt;/em&gt;...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trecho seguinte é extraído de uma conferência de Gregotti na "New York Architectural League":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- [...&lt;em&gt;O pior inimigo da arquitetura moderna é a idéia de espaço considerado exclusivamente em termos de suas exigências econômicas e técnicas, indiferentes à idéia de lugar.&lt;br /&gt;Segundo acreditamos, o ambiente construído que nos cerca é a representação física de sua historia e o modo como acumulou diferentes níveis de significado para formar a qualidade específica de lugar,&lt;strong&gt; não &lt;/strong&gt; exatamente em decorrência daquilo que pareça ser em termos perceptivos, mas aquilo que é em termos estruturais.&lt;br /&gt;...Na verdade, através do conceito de lugar e do princípio de assentamento, o ambiente torna-se a essência da produção arquitetônica; a partir deste ponto de observação, é possível vislumbrar novos princípios e métodos para o projeto, princípios e métodos que dão precedência à localização em uma área específica. Este é um ato de conhecimento do contexto que decorre de sua transformação arquitetônica; a origem da arquitetura não é a cabana primitiva, a caverna ou a mítica "Casa de Adão no Paraiso".&lt;br /&gt;Antes de transformar um suporte numa coluna e um telhado num tímpano, antes de colocar pedra sobre pedra, o homem colocou uma pedra no chão com a finalidade de identificar um lugar no meio de um universo desconhecido, para que assim pudesse conhecê-lo bem e modificá-lo&lt;/em&gt;...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do evidente valôr que Gregotti dá à geografia e à paisagem, parece-me óbvio que o lugar tenha precedência sobre a arquitetura ou um assentamento humano. Nossos ancestrais nômades escolhiam um sítio sombreado e com água, ou em uma elevação, para sua segurança, e depois disto faziam ali suas tocas, ou erguiam sua tendas ou choças. Esta escolha visava não apenas à obter conforto material e segurança física mas também levava em consideração aspectos simbólicos ou mágicos que o protegessem dos maus espíritos e atraisse os bons. O mesmo valia para a agricultura; além do relevo e da hidrografia o homem, ao procurar um local fertil para semear e colher, baseava-se na sua visão do mundo e do cosmos, na sua relação com os vivos e com os mortos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-8645136369255634875?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/8645136369255634875/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=8645136369255634875' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8645136369255634875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/8645136369255634875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/04/forma-do-territrio.html' title='A Forma do Território'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-4102008492439356907</id><published>2007-04-07T13:29:00.000-03:00</published><updated>2007-04-07T13:34:42.772-03:00</updated><title type='text'>O Limite de Chandrashekar</title><content type='html'>Em 2020 os povos da Terra ainda não tinham se habituado à descoberta, havia já uma década,  que o sol, contrariando tanto a astronomia conhecida quanto as probabilidades de eventos físicos acidentais, havia entrado em colapso gravitacional e que, esgotando prematuramente o seu combustível nuclear, em  seguida expandiria a sua coroa transformando-se em uma gigante vermelha para finalmente, segundo  o limite de Chandrashekar, contrair-se se tornando uma nova anã branca na galáxia. Assim, o outrora denominado Astro-Rei estava se transmutando em uma pequena estrela brilhante, mas que antes disto queimaria os planetas próximos ao seu corpo ardente. A opinião de físicos, astrônomos e cientistas em geral era de que, pelo andar dos acontecimentos, o calor ainda naquele ano, tornaria impossível qualquer chance de sobrevivência da vida em todas as suas facetas, pois oceanos, mares e rios evaporar-se-iam formando uma camada de nuvens impenetrável à luz solar criando um definitivo “efeito-estufa”, quando então imensos incêndios consumiriam florestas e plantações, calcinando tudo o que se encontrasse sobre a crosta terrestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um período de estupefação geral, a humanidade caíra aparentemente em uma espécie de apatia fatalista,  de uma aceitação melancólica e resignada do seu destino, embora continuasse a utilizar todas as fontes de energia disponíveis para refrigerar-se e a produzir toda espécie de aparelhos e geringonças para que isto se tornasse possível, trancando-se na atmosfera artificial de seus lares, fábricas e escritórios; no entanto os incêndios grassavam nos campos cada vez com maior freqüência, o gado morria nos pastos queimados, os corpos dágua evaporavam e a fome e a sede rondavam por toda a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na janela do seu apartamento em Botafogo, Mário olhava o panorama desolado aos seus pés; lojas fechadas devido aos constantes saques de alimentos e bebidas, ruas vazias, pois não havia sentido em desperdiçar-se combustível em automóveis e era impossível suportar-se o calor já de uns 60º C, o rádio e a televisão ligados naquela eterna espera por notícias (ou  por um milagre). Pensava então na melhor forma de suicidar-se (junto com a namorada?), para não morrer de sede, fome, sufocado  ou ainda queimado em algum  inevitável  incêndio. Tiro? Não possuía um revolver, nunca tivera armas em casa; o gás havia sumido faziam semanas; comprimidos, não os tinha nem havia jeito de consegui-los com o comércio saqueado e trancado. O jeito era saltar da janela, o que lhe dava arrepios, o salto no vazio, para o quê, para onde? Sacudiu a cabeça, tomou um gole da água avidamente racionada e foi dar uma espiada em Vera, que dormia no quarto, o corpo nu coberto de suor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário sentou-se na beirada da cama; ela ressonava, dormiam agora doze, quinze horas por dia, naquele quartinho quente. Será que Vera saltaria com ele? Nunca indagara como ela gostaria de morrer, o assunto parecia ser tabu entre os dois. Puxa-vida. Gostaria ver os pais antes do fim, mas estes moravam em Jacarepaguá, não havia mais como chegarem até lá. Mas eis que toca na televisão (único contato com o mundo, pois os telefones já há meses haviam emudecido) a vinheta do telejornal; Mário arrastou os pés até a sala e caiu derreado, numa poltrona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-... notícia recebida de nosso helicóptero Águia Dois, há batuque no morro da Mangueira, parece que a escola está descendo para o asfalto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário sintonizou o rádio também, o noticiário estava no ar, a Mangueira descia as ladeiras, o povo fantasiado como podia, a bateria retumbando firme, comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, a ala das velhas baianas rodando as saias, o puxador cantando um samba antigo. Correu para o quarto e sacudiu a namorada;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acorda, Vera, a Mangueira saiu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Mangueira, Vera, a Mangueira desceu do morro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera, estremunhada, enxugou o rosto com o lençol e sentou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mangueira, a escola de samba, a Mangueira saiu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Neste calor? Não acredito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário voltara para a sala, Vera seguiu-o vagarosamente;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, Vera, olha, são imagens do helicóptero...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na telinha, realmente, rodopiavam lá em baixo umas figurinhas em verde e rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não será um vídeo, Mário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não, está no telejornal, e o rádio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentaram-se em frente ao aparelho, logo Vera levantou-se, foi até a cozinha, voltou com duas bolachas e um copo d’água;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É pros dois...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaram ali na sala, quietos, os olhos grudados na televisão;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô Ribeiro, aqui fala o Tomasino do Águia Um, parece que a batucada está começando no morro do Salgueiro  vamos nos aproximar para um close... sim, está sim, a escola está descendo o morro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô Tomasino, está me ouvindo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-... Tomasino direto do Andaraí, os Acadêmicos do Salgueiro estão saindo... mais baixo, chega mais perto! Tem gente, muita gente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No rádio de Mário soa forte a voz do repórter;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui do morro do Salgueiro vos fala o repórter Lico, em nossa super-refrigerada “van”, o samba está rasgado por aqui... Ali! Vamos entrevistar o Veco, presidente da escola... Veco! Veco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...Chama viva que clareia, clareia, &lt;br /&gt;     Deixa queimar que o sangue vai ferver na veia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veco, com este calorão de sessenta graus, a sua escola vai sair no asfalto? Tá até derretendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamo, vamo sim Lico, vai descê todo mundo, vamo si acabá sambando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...Bota fogo na fogueira, Iáiá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vão sair outras escolas, Veco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai sair, vai sair sim, Lico, vai sair tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-... Do fogo que ilumina a vida,&lt;br /&gt;    Vermelho incendeia a avenida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário e Vera olhavam estáticos para o locutor, que suava em bicas na telinha, enquanto dava novas notícias; já haviam saído a Imperatriz Leopoldinense, em Ramos, em Madureira o Império Serrano e a Portela, na Gamboa a Estácio de Sá... Começaram a ouvir ao longe, uma bateria cadenciada;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está ouvindo, Vera? É aqui? Será a São Clemente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ou o Sovaco do Cristo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram as duas; enquanto a televisão e o rádio espalhavam a notícia destes acontecimentos, a euforia e uma certeza iam tomando conta do povo, que via ali a morte possível e cheia de glória. Tomasino gritava do Águia Um;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os blocos também estão saindo, passamos por Santa Tereza, as ruas estavam lotadas, agora estamos sobre Laranjeiras, aqui tem bloco saindo também, deve ser o Concentra Mas Não Sai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ou os Gigantes da Lua... Águia um, Águia Um, está me ouvindo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou Ribeiro, neste momento sobrevoamos o largo de Pilares, há uma escola e um bloco descendo em direção da praça, devem ser os Caprichosos de Pilares e os Zumbis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No rádio, a voz histérica do locutor;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O repórter Lico está na linha e tem mais informações para os nossos ouvintes;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá, Valdir, deixamos Andaraí, estou neste momento em Madureira, a Portela e o Império Serrano estão nas ruas, parece que vão se encontrar no meio do bairro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exaltação tomara conta da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro; os botequins abriam suas portas e a pinga rolava de graça, papel picado voava dos edifícios, os foliões beijavam-se nas calçadas, tiravam suas fantasias nos locais menos quentes e faziam amor deitados sobre seus trapos coloridos. Novos foliões saiam de suas casas, juntavam-se às escolas ou procuravam seus blocos; Escravos da Mauá, Embaixadores da Folia, Este É Bom Mas Ninguém Sabe, Rabugentos Da Penha, o Bloco das Carmelitas, o do Bigode, o Bohemios do Irajá, o Caciques de Ramos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Alô Ribeiro, aqui é o Tomasino, já vemos alguns foliões caídos no asfalto, mas os outros continuam, procuram uma avenida; aqui na Rio Branco estão o Empolga Às Nove, o Cordão do Boitatá, o Bola Preta. Meu Deus deve estar fazendo uns sessenta, setenta graus lá em baixo e ninguém para...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Valdir, Valdir, está me escutando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nosso repórter Lico está na linha; fala Lico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estamos chegando a Vila Isabel, o Segura Para Não Cair e o Sorri Para Mim estão por aqui... Amigo, amigo, aqui é da radio Nobel, fale aqui no microfone...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tô cherando que nem gambá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tás cheirando à cachaça, mano; fecha a janela senão não agüento o calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Águia UM, Águia UM, onde você está?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobrevoando Ipanema, Ribeiro, na General Osório já estão o Simpatia É Quase Amor e a Banda de Ipanema, todo o mundo de garrafa na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui no estúdio temos novas notícias do nosso correspondente em Niterói; Fala Batista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui na cidade de Niemeyer temos nas ruas os Unidos do Viradouro e as notícias que recebi de Nilópolis dizem que a Beija-Flor também saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô Valdir, aqui na Vila estou com um diretor da escola na linha; fala Latinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós vamo morrê tudo bebum mermão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o povo começava a morrer mesmo, de exaustão, de choque térmico, de desidratação, de hipoglicemia. Na janela, Mario e Vera olhavam fascinados o novo mundo abaixo deles; em certo momento, olharam um para o outro, Mário foi buscar uma garrafa de uísque, um chapéu e amarrou, a guisa de capa, um lençol no pescoço; Vera vestiu um sutiã e uma saia rodada, pegou uma vassoura como estandarte e desceram ambos, beijando-se docemente nas escadas, para a rua. Na Voluntários da Pátria vinha passando um cordão com uma faixa de abre alas onde estava escrito – Os Batutas De Chandrashekar. O bloco era meio avacalhado, mas Mário e Vera não hesitaram: entraram evoluindo no asfalto, ele com passes de mestre sala e ela com a graça de  uma porta-bandeira, guiando seu povo para o último desfile.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Paulo, sexta-feira da Paixão de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N. - A assessoria científica foi de Pedro Góes, e o samba-enredo do Salgueiro é de autoria de Moises Santiago, Waltinho Honorato, Fernando Magaça e Luiz Antonio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-4102008492439356907?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/4102008492439356907/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=4102008492439356907' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/4102008492439356907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/4102008492439356907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/04/o-limite-de-chandrashekar.html' title='O Limite de Chandrashekar'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-700214162358735961</id><published>2007-04-05T18:43:00.000-03:00</published><updated>2007-04-05T19:03:11.426-03:00</updated><title type='text'>Dr Lúcio</title><content type='html'>Há algum tempo, li no Vitruvius um artigo da arquiteta Cecília Rodrigues sobre o Estádio do Pacaembú, no qual adorei a frase que ela citou do Dr. Lucio, a resposta do mestre a um parecer solicitado  sobre um terminal de ônibus a ser instalado no Passeio Público da cidade do Rio de Janeiro(&lt;em&gt;não pode, naturalmente.&lt;/em&gt;) e aproveito para narrar um fato que presenciei há uns trinta e sete anos atrás, que demonstra a seriedade e a solidez de caráter com que ele tratava os assuntos ligados ao patrimônio histórico da nação. Nesta época eu era estagiário de um escritório de arquitetura cujo titular (permitam-me não citar seu nome) trabalhara muitos anos, como estágiário e depois como arquiteto, com o Dr. Lucio. Depois de algum tempo, o mestre conseguiu (seu prestígio internacional era imenso) que seu pupilo fosse trabalhar na França, no escritório do Bernhard Zerfhuss, onde ele ficou por alguns anos acompanhando a obra da sede da UNESCO, em Paris. Voltando ao Brasil, abriu seu próprio escritório mas continuou muito amigo do Dr. Lucio (era esta a única maneira dele se referir ao mestre, em público ou em particular). Pois bem, o escritório foi então convidado para participar de um concurso privado para a sede de um Banco, em um terreno que fazia esquina com a praça Pio X e a Rua da Quitanda, dando também para a rua da Alfândega; o prédio faria frente, portanto, para a igreja de Nossa Senhora da Candelária e o gabarito para a praça era, senão me engano, de dez pavimentos mais térreo, mezzanino e cobertura. Meu chefe, então, "bolou" um partido em que o edifício seria segmentado em três volumes contínuos e justapostos, valendo-se dos diferentes gabaritos da Pio X, da Rua da Quitanda e da rua da Alfândega (os dos dois últimos eram maiores do que o da praça). Satisfeito com sua solução, que achava que era a "sacada" para ganhar o concurso ( e era realmente uma solução engenhosa), levou-a, por precaução, para a apreciação do Dr. Lucio, pois a Candelária era e é, naturalmente, um edifício tombado. Lembro-me que quando ele voltou da entrevista, acorremos todos para saber o que dissera o mestre. "Não pode ser, H., o gabarito tem de ser o da praça Pio X" fora o único comentario do Lucio Costa ao projeto e, podem acreditar, nem passou pela cabeça do meu chefe argumentar ou discutir o partido, apenas disse-nos, "o Dr, Lucio não deixou, vamos fazer com um único gabarito" e nada mais lhe foi perguntado (por nós, estagiários). Assim era o Dr. Lucio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-700214162358735961?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/700214162358735961/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=700214162358735961' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/700214162358735961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/700214162358735961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/04/dr-lcio.html' title='Dr Lúcio'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-3396347471581512470</id><published>2007-03-26T15:04:00.000-03:00</published><updated>2007-03-26T15:11:06.596-03:00</updated><title type='text'>ABRIL</title><content type='html'>Logo estará sobre nós o céu de abril&lt;br /&gt;                             Com sua abóbada de um pálido azul&lt;br /&gt;                             Por onde passam galáxias que não vemos&lt;br /&gt;                             E abaixo faz seu arco o sol laranja,&lt;br /&gt;                             Lançando longas sombras sobre a terra,&lt;br /&gt;                             Tornando o que é pequeno, gigante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             Abril. Voltará o prazer de andar na rua,&lt;br /&gt;                             Com, ao mesmo tempo, calor e frio,&lt;br /&gt;                             No claro-escuro alternado das calçadas,&lt;br /&gt;                             Olhar os alegres fiapos de nuvens&lt;br /&gt;                             Correrem velozes pelo céu, o vento&lt;br /&gt;                             Levar as folhas, levantar saias e jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             A cidade ficará humanizada&lt;br /&gt;                             E nela a vida mais fácil de levar-se;&lt;br /&gt;                             Irá bem uma boa feijoada,&lt;br /&gt;                             Ou um cozido, como de praxe, à portuguesa,&lt;br /&gt;                             Se não um prato (fundo) de macarronada,&lt;br /&gt;                             Uma branquinha e depois, copos de vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             Com abril vem a época adequada&lt;br /&gt;                             Para ver-se uma boa peça e jantar depois da cena,&lt;br /&gt;                             Sentar-se nos cafés, ir ao cinema, virar os sebos&lt;br /&gt;                             Atrás do livro que sumiu e se quer reler,&lt;br /&gt;                             Ouvir se possível, na Filarmônica&lt;br /&gt;                             A terceira das quatro estações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             Será a hora de aquecer-se, de aninhar-se,&lt;br /&gt;                             Voltarão os cobertores para as camas,&lt;br /&gt;                             Casacos e suéteres para os corpos. Engordar.&lt;br /&gt;                             Os Cucas introduzirão as sopas nos cardápios,&lt;br /&gt;                             Os chás, os bolos, o chocolate quente,&lt;br /&gt;                             Biscoitos, tortas, pastéis e aguardentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             Na França estaríamos em germinal&lt;br /&gt;                             O nome revolucionário de abril,&lt;br /&gt;                             Mas germinal lá é primavera, melhor&lt;br /&gt;                             Seria aqui fructidor, o outono.&lt;br /&gt;                             Quando estão maduros os frutos de termidor&lt;br /&gt;                             Ou então vendemiáire, o mês dos ventos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             Abril são ruas cheias (é doce caminhar&lt;br /&gt;                             Ao sol do outono), lojas, luzes, vitrines,&lt;br /&gt;                             Brilharão nos bairros ricos da cidade,&lt;br /&gt;                             Ficando a miséria em suas esquinas&lt;br /&gt;                             E ela é tanta, que não basta só&lt;br /&gt;                             A estação que chega, para escondê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             À noite chegarão como sempre vêm,&lt;br /&gt;                             Os trapeiros virando o lixo dos burgueses,&lt;br /&gt;                             Estranhos proletários das calçadas&lt;br /&gt;                             A cata de garrafas e de latinhas,&lt;br /&gt;                             Com suas carroças que passam adernadas&lt;br /&gt;                             Sob o peso das caixas de papelão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-3396347471581512470?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/3396347471581512470/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=3396347471581512470' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/3396347471581512470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/3396347471581512470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/03/abril.html' title='ABRIL'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-3699063804356075696</id><published>2007-03-23T14:44:00.002-03:00</published><updated>2007-03-23T15:54:05.599-03:00</updated><title type='text'>Planorcom Versus MMM Roberto</title><content type='html'>Horrorizou-me a intervenção que a Planorcon (?) fez no aeroporto de Santos Dumont e que foi publicada na edição do Arcoweb de 17/03/2007. Onde estavam o IPHAN, o IAB-RJ que permitiram mais este crime assacado contra o patrimônio da arquitetura moderna deste país tão infeliz ao cuidar de sua cultura? Que absurdo aquele corredor de acesso aos "fingers", chupadíssimo de vários projetos de aeroportos "high-tech" extremo-orientais, escondendo o prédio dos MMM Roberto e velando do saguão de entrada um dos mais belos panoramas do mundo, ocultados por uma mais do que canhestra estrutura metálica? &lt;br /&gt;Nos últimos anos, com a desfarrapada desculpa do Pan-2007 o Cesar Maia tem construído qualquer cacareco, por pior que seja, na pobre Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que já foi "mui heróica e leal" e hoje parece que é governada por um débil mental. Por que tudo ao Sul do Equador tem de ser sempre para pior? Principalmente em nossa pátria (cf. Vinicius), pátria-nossa tão pobrinha ( e que vai ficando cada vez mais feinha). Para mais comentários, só com Camões...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No mais, Musa, no mais, que a lira tenho&lt;br /&gt;Destemperada e a voz enrouquecida,&lt;br /&gt;E não do canto, mas de ver que venho&lt;br /&gt;Cantar a gente surda e endurecida.&lt;br /&gt;O favor com que mais se acende o engenho&lt;br /&gt;Não no dá a pátria não, que está metida&lt;br /&gt;No gosto da cobiça e da rudeza&lt;br /&gt;Dhüa austera, apagada e vil tristeza.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem se dispuser a consultar o indigitado anexo aeroportuário (?) no www.arcoweb.com.br, repare como o corte transversal é uma cópia deslavada e tecnicamente empobrecida da seção típica do aeroporto de Kansai, em Osaka, Japão, do arquiteto italiano Renzo Piano. Arquitetura "low-tech"! (Vejam-se, p.e. as revistas Domus nº 764 ou a L'Architecture D'Aujourd'Hui nº276). A chupada é descarada e indefensável já que se trata de projeto de repercussão mundial, de grande visibilidade na mídia e formalmente de muita originalidade e criatividade, com a marca indiscutível do seu autor. Mas que falta de imaginação! Olá arquitetos da Planorcon! Dêem uma espiada no aeroporto de Sevilha, do Rafael Moneo, para constatarem que é possível desenhar-se um aeroporto sem se cair em clichês pseudo-tecnológicos e sem renunciar ao contexto do lugar!(V. Domus 736)&lt;br /&gt;Outro item importante:  O "Renzo Piano Workshop" ganhou o projeto em um concurso internacional de arquitetura; alguém sabe, por acaso, como foi que a Planarcom "ganhou" este projeto? Se concurso houve, um ou outro colega ouviu falar-se dele? Pois é...&lt;br /&gt;Enfim, dói no coração ver a bela treliça tridimensional do Piano, em forma de coluna vertebral de um sáurio gigantesco (80 m de vão + balanços) transformada em espinhela de uma mera lagartixa, sapecada de qualquer jeito sobre o belo prédio dos irmãos Roberto. Quando a Lina Bardi via barbaridades como essa, aconselhava: planta hera, meu filho, tapa com hera. Hera, unha-de-gato, qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Oliveira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-3699063804356075696?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/3699063804356075696/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=3699063804356075696' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/3699063804356075696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/3699063804356075696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/03/planorcom-versus-mmm-roberto.html' title='Planorcom Versus MMM Roberto'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-2234469781543174799</id><published>2007-03-19T11:34:00.000-03:00</published><updated>2007-03-19T11:37:44.937-03:00</updated><title type='text'>Preservação de Espaços de Reclusão na Cidade.</title><content type='html'>Escrevi esta mensagem a propósito de um belo artigo de Paula Janovitz, editora do Carbono 14 e chefe do serviço de divulgação do IPHAN em SP, publicado originalmente no portal de arquitetura da web "Vitrúvius" denominado "Memórias Difíceis - Espaços de Exclusão na Cidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara Paula, acho que a sua colocação é sobretudo Ética, versa sobre a oportunidade da preservação do Mal, ou melhor dizendo, sobre a preservação ou não de edifícios, monumentos e espaços que representam ou abrigaram o Mal (no sentido que Platão lhe dá, em sua "República", de oposto do Bem).*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim a questão é muito complexa; por exemplo, quantos monumentos da antiguidade não foram construídos com trabalho escravo? O Mal aí não está na sua função histórica, mas no próprio ato de sua construção; mas representam a cultura de uma época e deste modo devem ser preservados. Milhares de edifícios na história da humanidade acolheram o Mal em suas formas mais cruéis; se você já foi a Veneza deve ter visto as masmorras do Palácio dos Doges, aquele horror todo debaixo de tanta beleza... E a shakespeareana "London Tower" de tantos crimes famosos, os belos castelos medievais dos Senhores da Guerra, quantas atrocidades não viram eles em séculos de história? E mais os monumentos que simbolizam a exploração do homem pelo homem, desde Versailles até a sede do Citybank, em Nova Iorque? Catedrais góticas e igrejas barrocas podem expressar o desejo humano de transcendência através da religião, mas também o poder temporal desta última que tantos homens e mulheres mandou para a fogueira e o cadafalso por meio da Inquisição (vejam os Giordano Bruno, os "heréticos" as "feiticeiras", os  alquimistas, os judeus da Península Ibérica, etc.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por aqui, além dos fatos recentes que você citou (DOPS, DOI-CODI), quase todas as cidades históricas possuem o seu "Largo do Pelourinho" onde os escravos negros eram publicamente humilhados e supliciados. Há muita ambigüidade nestas questões; se formos considerar que não devemos manter espaços relacionados com o Mal, fica difícil avaliar o que preservar, quando nossos próprios espaços urbanos abrigaram sociedades e ritos tão injustos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhemos os campos de extermínio nazistas – não os vejo como espaços de preservação da dor ou da culpa e sim como  campos sagrados dos que ali foram torturados e perderam sua vida. Sinto-os mais como imensos cemitérios sem sepulturas, assim como nós temos os nossos do dia a dia , com lápides ou cruzes para lembrarmos-nos dos nossos mortos, e como tal devem ser preservados (neles, além dos judeus morreram ciganos, deficientes físicos, "maquis" franceses, "partisans" italianos, comunistas em geral, resistentes poloneses...). Quanto a realimentarem o nazismo, para isto eles não são necessários; certos homens não esquecem o seu passado. Outro dia descobri que Kosovo é o nome da batalha onde em 1389 os Sérvios foram derrotados pelos turcos otomanos; mais de meio milênio passou-se e o ódio mútuo entre cristãos ortodoxos e muçulmanos continua até hoje. Abraços perplexos do Euclides.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;* Bem - segundo o filósofo grego Platão, a idéia suprema do mundo das idéias. No diálogo "República", Sócrates a descreve para Glaucon: [... é minha opinião que nos derradeiros limites do mundo inteligível está a idéia do Bem, que se percebe com dificuldade, mas que não pode se perceber sem concluir que ela é a causa universal de tudo que existe de bem e de belo, que no mundo sensível é ela que cria a luz e a ausência da luz; e que é necessário vê-la para se conduzir com sabedoria, tanto na vida privada quanto na vida pública...] - in Pequeno Dicionário de Filosofia e Ciência de Góes Monteiro de Oliveira, Pedro, pag. 8.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-2234469781543174799?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/2234469781543174799/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=2234469781543174799' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/2234469781543174799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/2234469781543174799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/03/preservao-de-espaos-de-recluso-na.html' title='Preservação de Espaços de Reclusão na Cidade.'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-6626213478538731819</id><published>2007-03-17T10:47:00.000-03:00</published><updated>2007-03-17T10:49:58.811-03:00</updated><title type='text'>Cantiga</title><content type='html'>A linda rosa&lt;br /&gt;Floresceu em pleno outono&lt;br /&gt;No obscuro jardim&lt;br /&gt;Da velha fotografia.&lt;br /&gt;Cresceu triste, sem pomar,&lt;br /&gt;Sem alegria, Sem cantar.&lt;br /&gt;Um dia veio o jardineiro&lt;br /&gt;De uma burguesa má, muito má,&lt;br /&gt;Com sua tesoura de aço&lt;br /&gt;E decepou a rosa assim,&lt;br /&gt;Bem assim,&lt;br /&gt;E ela adormeceu para sempre&lt;br /&gt;Por não ter por que acordar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-6626213478538731819?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/6626213478538731819/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=6626213478538731819' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/6626213478538731819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/6626213478538731819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/03/cantiga.html' title='Cantiga'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-5805164138255577555</id><published>2007-03-05T16:59:00.000-03:00</published><updated>2007-03-05T17:08:43.017-03:00</updated><title type='text'>A CARTA</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                            Dia cinzento e abafado&lt;br /&gt;                            Depois do tempo perfeito de ontem;&lt;br /&gt;                            Os aviões decolam&lt;br /&gt;                            E passam sobre mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                            Mandei hoje de manhã&lt;br /&gt;                            A seguinte carta:&lt;br /&gt;                            Prezado Senhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                            O escorpião queria atravessar um rio&lt;br /&gt;                            E como não soubesse nadar&lt;br /&gt;                            Pediu ao sapo que o levasse em suas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          -Achas que sou um tolo? – disse o sapo&lt;br /&gt;                         - Estando sobre meu lombo&lt;br /&gt;                            Você poderá picar-me&lt;br /&gt;                            Com teu venenoso ferrão&lt;br /&gt;                            E eu serei um batráquio morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          -Não seja estúpido, sapo,&lt;br /&gt;                          -Replicou o escorpião&lt;br /&gt;                          -Se eu assim o fizesse,&lt;br /&gt;                            Tu afundarias na correnteza&lt;br /&gt;                            E eu, contigo, me afogaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          -Verdade - concordou o sapo&lt;br /&gt;                          -Suba, mano, que num instante&lt;br /&gt;                            Deixo-te na outra margem do rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                            Subiu o escorpião nas costas do sapo&lt;br /&gt;                            E quando já ia este, sossegado,&lt;br /&gt;                            Pelo meio da travessia,&lt;br /&gt;                            Picou-o com o ferrão venenoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           &lt;br /&gt;                           O sapo bradou:&lt;br /&gt;                          -Louco! Insensato!&lt;br /&gt;                            Por que fizeste isso?&lt;br /&gt;                            Agora morreremos ambos, tu afogado,&lt;br /&gt;                            E eu do teu veneno!&lt;br /&gt;                            Que sentido há nisto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;                            E o escorpião disse para o sapo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                         - Tu te esqueces, tolo,&lt;br /&gt;                            Que antes de tudo sou um escorpião?&lt;br /&gt;                            E que matar é a minha natureza, agindo assim&lt;br /&gt;                            Estou apenas cumprindo o meu destino.&lt;br /&gt;                            Realizando a minha missão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          &lt;br /&gt;                            E, deste modo, morreram os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;                            Depois, telefonei e a secretária disse&lt;br /&gt;                            Que o senhor saíra e não voltaria,&lt;br /&gt;                            Fora ver o quarto do filho. Ou da puta.&lt;br /&gt;                            Com este e mais vários desaparecidos&lt;br /&gt;                            Em breve não haverá mais um &lt;em&gt;burgeois&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;                            Do outro lado da linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                            Outra carta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                            Prezado Senhor...&lt;br /&gt;                            Tenho de seguir&lt;br /&gt;                            O meu destino&lt;br /&gt;                            De escorpião&lt;br /&gt;                            Mas também sou o sapo,&lt;br /&gt;                            Tenho de atravessar a vida,&lt;br /&gt;                            Chegar à outra margem:&lt;br /&gt;                            Então, me diga,&lt;br /&gt;                            Como fazer?&lt;br /&gt;                            Como cruzar o rio&lt;br /&gt;                            Sem me ferir?&lt;br /&gt;                            É-me impossível&lt;br /&gt;                            Evitar tal fato,&lt;br /&gt;                            É preciso viver&lt;br /&gt;                            O real,&lt;br /&gt;                            É preciso louvar&lt;br /&gt;                            O veneno,&lt;br /&gt;                            É preciso amar&lt;br /&gt;                            A travessia&lt;br /&gt;                            Mesmo que esta seja&lt;br /&gt;                            Interrompida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-5805164138255577555?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/5805164138255577555/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=5805164138255577555' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/5805164138255577555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/5805164138255577555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/03/carta.html' title='A CARTA'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-4617026737238793377</id><published>2007-03-02T10:03:00.000-03:00</published><updated>2007-03-02T14:00:11.079-03:00</updated><title type='text'>O Povo Das Ruas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Devido à nefanda política higienista adotada pela administração municipal (tanto a atual quanto a que lhe deu origem) acho oportuno o debate sobre a questão dos &lt;em&gt;Sem Teto&lt;/em&gt; e aproveito para lembrar aos que me lêem que o nosso país é a pátria dos &lt;em&gt;Sem; Sem Teto, Sem Terra, Sem Saúde, Sem Escola, Sem Comida, Sem Trabalho,&lt;/em&gt; etc..&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seria justo considerarmos como &lt;em&gt;Sem Teto&lt;/em&gt; os favelados, os habitantes dos cortiços, os que moram de favor com parentes ou amigos...; porém vamos nos ater ao Povo das Ruas, que não é constituido apenas por mendigos mas, em grande parte, por pessoas que vendem sua força de trabalho em "bicos" temporários ou a empregam em serviços por conta própria como, por exemplo, a coleta de lixo reciclável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabemos que os &lt;em&gt;Sem Teto&lt;/em&gt; se constituem em um fato social complexo, que é real tanto no terceiro quanto no primeiro mundo; os EUA contam com cerca de 200.000 "&lt;em&gt;Homeless&lt;/em&gt;" permanentes há mais de vinte anos e 700.000 transitórios, que se renovam a cada estação, enquanto que na Europa este número também beira o milhão. No Brasil, pelo último censo do IBGE (2005), temos um deficit de moradias da ordem de 7.000.000 de unidades, o que nos dá uma idéia da escala do problema.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora a miséria e a fuga do campo causada pela fome sejam componentes importantes desta questão, Também o são o desemprego, o sub-emprego, os salátios baixos, a violência doméstica, os desajustes familiares, o alcool e as drogas, crianças rejeitadas e idosos abandonados e, por que não, os de espírito livre e nômade, que não se adaptaram à nossa sociedade sedentária baseada na posse de bens físicos e conforto material.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim, estamos diante de um fenômeno tipicamente urbano, que será resolvido apenas parcialmente com o fim do deficit habitacional (o que poderá levar ainda anos ou mesmo décadas); de alguma maneira os direitos inerentes a cidadania têm de serem estendidos aos que continuarem, ou preferirem continuar nas ruas na forma de abrigos noturnos, assistência médica, psicológica e odontológica, amparo legal (direitos humanos), escolaridade, trabalho, tudo isto adaptado, quando for o caso, à cultura nômade de parte desta população.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Soluções criativas para tais problemas são inúmeras (como a do ex-boxeador Nilson Garrido que montou uma academia sob o viaduto do Bexiga), o importante é combater a mentalidade do atual Sátrapa da cidade e dos seus áulicos, como o sub-prefeito da Sé, que criminalizam os moradores de rua, tratam-os de forma autoritária, como se fossem uma escória humana e não como cidadãos em plena posse de seus direitos civís, construindo ridículos dispositivos "anti-mendigos", mantendo albergues com regime carcerário, tudo isto dentro da mentalidade reacionária e INADIMISSÍVEL das classes ditas superiores deste país de esconderem a fealdade, a pobreza e os miseráveis que eles próprios criaram.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E para finalizar este artigo, volto ao tema do deficit e das políticas habitacionais do nosso país pelos comentários do arquiteto italiano Giancarlo de Carlo (já falecido) sobre o CIAM ocorrido em 1928 em Frankfurt:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Hoje, quarenta anos depois do congresso, constatamos que aquelas propostas transformaram-se em casas, bairros e subúrbios, e depois, em cidades inteiras, manifestação palpável de um abuso perpetrado de início com os pobres e em seguida com os não tão pobres assim; álibis culturais para a especulação econômica mais feroz e a incapacidade política mais obtusa. E, no entanto os “por quês” esquecidos com tanta freqüência em Frankfurt ainda têm dificuldades de assomarem à superfície. Ao mesmo tempo temos o direito de perguntar “por que” a moradia deve ser a mais barata possível e não, por exemplo, relativamente cara; “por que” em vez de fazer todo o esforço possível para reduzi-la a níveis mínimos de superfície, de espessura, de materiais, não deveríamos torná-la espaçosa, protegida, isolada, confortável, bem equipada, rica em oportunidades de privacidade, comunicação, intercâmbio, criatividade pessoal. Ninguém, na verdade, pode dar-se por satisfeito com uma resposta que apela para a escassez de recursos disponíveis, quando todos sabem o que se gasta nas guerras, na construção de mísseis, nos projetos de exploração da lua”...&lt;/em&gt; (no caso do Brasil, o&lt;em&gt; &lt;/em&gt;que se gasta em juros, subsídios, corrupção; devemos nos perguntar como queremos que morem nossos trabalhadores e não quanto eles podem pagar por isto).&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;DE CARLO, Giancarlo&lt;em&gt;. &lt;strong&gt;-&lt;/strong&gt; “Legitimizing Architecture: the revolt and the frustration of the school of architecture”.&lt;/em&gt; In BEKAERT, G. (ed.), Forum, vol. 23 nº 1, 1972, p. 3-51.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-4617026737238793377?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/4617026737238793377/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=4617026737238793377' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/4617026737238793377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/4617026737238793377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/03/o-povo-das-ruas.html' title='O Povo Das Ruas'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-580936222060931842</id><published>2007-03-02T08:08:00.000-03:00</published><updated>2007-03-02T08:10:00.158-03:00</updated><title type='text'>Formalismo, Forma e Função</title><content type='html'>Mies van der Rohe dizia que a arquitetura era a arte da construção (Baukunst), que sua (dela) essência era o construir e que a arte era a manifestação última de sua perfeição tectônica. Sustentava também que a construção não apenas determinava a forma mas era ela mesmo a própria forma (um tanto redundante, não é verdade?). Não concordo totalmente com este postulado: evidentemente a forma surge da construção mas anteriormente a esta, ela foi imaginada, pensada; sua qualidade intrínseca independe do método construtivo e até de sua realização como objeto; ela é uma manifestação do intelecto.&lt;br /&gt;Evidentemente a técnica construtiva transparece na forma (por exemplo, a pedra, a madeira, o concreto, o aço) mas a qualidade desta pertence ao reino das proporções, da sabedoria no uso da luz e dos materiais, pontos de apoio que cantam, da sua adequação ao meio ambiente, ao lugar.Parece-me que na arquitetura, damos forma à matéria com intenção estética, com o objetivo de construir abrigos para as atividades humanas. Já vimos  que "a arquitetura é a arte da construção", ou seja, a forma arquitetônica surge da matéria bruta organizada sabiamente segundo a tecnologia utilizada. Mas o entendimento da forma precede a sua materialização, ela é, na arquitetura, uma criação intelectual construída sobre hipóteses previamente apreendidas. Acho que para entender-se a arquitetura enquanto sitema funcional, é necessário dispor-se de uma experiência anterior elaborada pelo entendimento; o que é uma casa, uma igreja, um palácio, um hospital. Assim sendo, nossa compreensão da relação entre forma e função é fundalmentalmente empírica. Mas arquitetura não se resume ao trinômio forma-função-construção: ela tem de relacionar-se corretamente com a vizinhança, com a paisagem, ou seja, respeitar a escala do lugar, adequar-se ao clima local, utlilizar com sabedoria a luz, o vento, a tradição construtiva local. A forma tem de ser significativa também em seus aspectos imateriais, arquetípicos, simbólicos, deve saber lidar com o mito, os ritos sociais, o sagrado e o mágico.E o formalismo? Como dizia Bernard Huet, "formalismo não é uma questão de forma"; Walter Benjamin ressaltava que "o fascismo é o maior dos formalismos pois ele pratica uma estetização dos anseios da sociedade a fim de mascarar os seus conflitos". É isto aí, o formalismo é a estetização burocrática da arquitetura, a tecnologia utilizada como um fim em si, a mera adequação dos espaços aos signos e ao imaginário do poder, sem levar em conta suas exigências sociais; o formalismo é a estética do mercantilismo, a redução da vida real a estilos ultrapassados ou alienígenas, alheios a nossa cultura.Enfim, estamos falando da forma em contraposição ao formalismo; o século passado nos oferece exemplos conclusivos de como a burguesia apreende rapidamente os códigos formalistas ligados à estética da dominação, do dinheiro, do "status social". O sucesso permanente do neo-classicismo é prova disto, mesmo nas versões tresloucadas de Albert Speer e Marcello Piacentini. Mas o formalismo que mais rapidamente se espalhou pelo mundo foi o chamado pós-modernismo;  apesar da fragilidade do seu embasamento teórico e do evidente oportunismo dos seus fundadores, seu populismo barato, sustentado pela própria cultura norte-americana, causou uma destruição difícil de avaliarmos.A dimensão da catástrofe foi determinada pela extraordinária capacidade da mídia daquele país em influenciar globalmente os basbaques ávidos por aderirem ao "American way of life" e, principalmente, por que se tratava do primeiro movimento arquitetônico realmente "made in USA" (Frank Lloyd Wright foi um fenômeno isolado e único); e assim, um pequeno grupo de arquitetos charlatões conseguiu difundir suas idéias pelo mundo, com os seus imitadores de plantão infectando as cidades com obras caricatas que satisfizessem "os mercados" e agradassem "o gosto popular". Consumiu-se a arquitetura "Pop" como se consome as calças "jeans", a coca-cola, o hamburger, o chiclete, o rock'n roll, o "hot-dog", os filmes de Hollywood.Observando-se hoje estes acontecimentos das décadas de sessenta e setenta do século XX, podemos perceber o quanto era reacionário, como se encaixava perfeitamente no neo-conservadorismo nascente, este modelo do "kitsch", do mau gosto arrogante da classe média americana (apesar da impressão favorável que ele causou ao Príncipe Charles, lá em suas ilhas chuvosas). A verdade é que o movimento moderno esteve ligado, em suas origens, a um projeto socialista e com o enfraquecimento político das maiorias proletárias perante as forças da economia global e das "exigências" dos mercados, os atores culturais (principalmente os do terceiro mundo) ficaram ideologicamente fragilizados e profissionalmente dependentes, com o retraimento do Estado, e o avanço das elites dominantes e de suas fantasias estéticas.Na arquitetura dos países centrais do capitalismo, vemos hoje uma pesquisa de linguagem constante ou então uma procura de fundamentos formais e de método nas tecnologias ditas "de ponta" que não conseguem disfarçar o seu lado formalista, devido a ausência de uma ideologia que as sustente além dos fatores de produção e consumo (exceção, como sempre, para os Álvaro Siza, os José Luiz Mateo, os Herman Hertzberger,etc). Acho que nós, arquitetos da periferia do capitalismo, não podemos nos dar ao luxo desta reticência em enfrentar o real. Temos todo um território a organizar, cidades a reurbanizar, escolas, habitações, creches e postos de saúde a construirmos. Ao contrário da América do Norte e da Europa, que há anos estão derivando para a direita, a América do Sul parece estar buscando um caminho para diminuir suas diferenças sociais e aumentar a inclusão econômica e cultural de sua população. A hora de agirmos é esta.E por fim, a quem interessar possa, a frase famosa de Mies van der Rohe "God is in the detail", foi tomada emprestada de Gustave Flaubert, romancista francês: - "Le bon Dieu est dans le detail".&lt;br /&gt;&lt;a class="texto12" onclick="MM_openBrWindow('email.asp?num=22297','','width=400,height=400')" href="javascript:;"&gt;Euclides Oliveira&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-580936222060931842?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/580936222060931842/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=580936222060931842' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/580936222060931842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/580936222060931842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2007/03/formalismo-forma-e-funo.html' title='Formalismo, Forma e Função'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-116654199225048160</id><published>2006-12-19T13:21:00.000-02:00</published><updated>2006-12-19T13:26:32.263-02:00</updated><title type='text'>Simetria</title><content type='html'>A simetria (o espelhamento de uma forma segundo um eixo ou plano) é praticamente um elemento exclusivo dos seres vivos e de seus artefatos ou ainda, das criações intelectuais dos homens; isto acontece, pois os primeiros são objetos &lt;em&gt;designóides&lt;/em&gt;* (cf. Richard Dawkins), os segundos originados de um &lt;em&gt;design&lt;/em&gt;, consciente ou não, materializados por mãos, patas, bicos, etc., e os terceiros de estruturas teóricas como matemática, geometria, física, química, etc. Já nas formações inertes da natureza, (o mundo mineral) que não são derivadas de um projeto e que estão perenemente expostas ao desgaste pela força da gravidade, pelos terremotos, pelos ventos, pelo clima, a simetria é inexistente, pelo menos ao nível do olhar humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por que esta particularidade nos seres vivos? Segundo Jacques Monod&lt;br /&gt;isto é devido à teleonomia, a informação (um “projeto”) armazenada dentro de um ser vivo que orienta a morfogênese, o processo de moldagem de sistemas biológicos; assim, me parece evidente que, no decorrer da evolução das espécies desde uma molécula replicadora primitiva até o Homo Sapiens Sapiens, somente as forças externas da natureza e as funções vitais dos seres vivos impediram que estes fossem totalmente simétricos, pois pela economia da engenharia biológica não haveriam motivos para a diferenciação formal das partes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta maneira, podemos observar que a quase totalidade dos seres vivos é vermiforme, ou seja, a boca fica em uma extremidade do corpo e o anus em outra, o que é funcionalmente evidente. Quanto à simetria, observemos, por exemplo, um elefante (poderia ser um tigre, um macaco, um homem): seu corpo, se secionado por um plano horizontal não é simétrico, devido à força da gravidade e a necessidade de locomoção; se secionado por um plano vertical transversal também não o é devido à obrigatoriedade da relação boca - órgãos digestivos – anus (organização vermiforme). Já quanto a um plano longitudinal, a simetria finalmente aparece, simplesmente por que não havia razão para a diferenciação bilateral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, nos artefatos humanos, repetimos esta configuração – vejamos um pote; em relação a um plano horizontal, é assimétrico, pois a parte superior é aberta e a inferior fechada e em relação a um plano vertical é simétrico, pois não há razões para não sê-lo. Na arquitetura ocorre a mesma coisa embora, por nossa relação com as coisas vivas, a simetria parece-nos bela em si:&lt;br /&gt;Acho que quando não há razão funcional para não sê-lo, a arquitetura deve ser simétrica em relação a planos horizontais e verticais, transversais ou longitudinais. Quando não for este o caso, devemos compor os elementos arquitetônicos assimétricos com harmonia e saber e o resultado será, certamente, tão bom quanto o anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* [... os objetos &lt;em&gt;designóides&lt;/em&gt; não são acidentais. Eles de fato foram moldados por um processo magnificamente não randômico, o qual causa uma impressão quase perfeita de &lt;em&gt;design&lt;/em&gt;...]. Richard Dawkins, &lt;em&gt;A Escalada do Monte Improvável - uma defesa da teoria da evolução&lt;/em&gt;, cap. 1, pág. 15.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-116654199225048160?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/116654199225048160/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=116654199225048160' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116654199225048160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116654199225048160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/12/simetria.html' title='Simetria'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-116603883600214860</id><published>2006-12-13T17:37:00.000-02:00</published><updated>2006-12-13T17:40:36.023-02:00</updated><title type='text'>A Ressurreição de Lázaro</title><content type='html'>Quando Lázaro ressuscitou, toda a sua vida passada surgiu em seu espírito como um súbito clarão. Atordoado, ergueu-se do sepulcro familiar e olhou demoradamente as figuras ao seu redor, reconhecendo-as uma a uma. Em pé, diante do túmulo, enfileiravam-se sua esposa, já avançada em anos, seus dois filhos adultos, sua irmã, ressuscitada uns meses antes, um ou outro amigo mais chegado, o padre, com seus paramentos fúnebres, e os exumadores de nascituros. Saudou a todos com circunspeção e após assistir, silencioso, a uma breve cerimônia em sua intenção, abraçou e beijou os seus, ouvindo, em retribuição, as palavras compassivas e afetuosas usualmente dirigidas aos que retornam da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminados os ritos de praxe, dirigiram-se todos, em grupo, para a saída do cemitério, onde os aguardavam solenemente duas limusines negras e dois ou três basbaques que por ali ficaram a espionar os rostos alegres que surgiam no portal barroco, juntamente com as coroas de flores. De lá, Lázaro foi levado imediatamente ao hospital vizinho para aguardar, por algumas semanas, a regressão de sua doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No hospital, seus dias transcorreram em relativa calma, embora, no início, sofresse com as dores atrozes, características de sua moléstia, dores estas medicadas com poderosos analgésicos que o deixavam sonolento e fatigado. Com o passar do tempo e sua progressiva melhora, passou a receber visitas diariamente; de sua família, dos seus amigos e, principalmente, do seu neto querido que, por estar a cada dia mais novo, já pouco saía de casa. Dulce, sua esposa, gostava de comentar com ele os fatos ocorridos antes da sua ressurreição; o Pedrinho, bem, já o vira com seus próprios olhos; os sobrinhos também haviam saído da escola e agora ficavam praticamente o dia inteiro em casa, cada vez falando menos e balbuciando mais – umas gracinhas! Ela mesmo, que desde que saíra do túmulo, morava na casa da nora, já se sentia mais disposta no dia a dia, começara a fazer pequenos passeios solitários pela vizinhança, pensava em sair às compras ou visitar amigas recém-exumadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também Lázaro sentia-se melhor. Saíra da UTI, paulatinamente foram suspensas a monitorização do seu corpo e a alimentação parenteral; assistiu aliviado, a retirada das sondas e agulhas que tanto o incomodavam e mais – as dores abrandavam, o ânimo retornava, via-se, de repente, fazendo planos para o passado. Procuraria seu ex-patrão, o Doutor Trigueiro para por fim ao término de sua longa carreira na Engefiss S.A., onde haveria de começar, na década de quarenta, como um estagiário esperto e aplicado. O apartamento onde viveria com a Dulce fora readquirido por seus filhos, a mobília foi reavida e recolocada nos devidos lugares, só faltava mesmo a presença dos velhinhos, em breve para lá iriam os dois.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando Lázaro deixou o hospital, maio começava com seu céu de um azul sem mácula e seus dias frescos e ensolarados, seria o outono a estação que ele mais apreciaria dali  para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-“Ah! A mais bela época do ano...” pensava Lázaro enquanto seguia com Dulce para seu novo ex-apartamento. Naquele dia, ambos encaravam com confiança seu passado próximo e foi com alegria que iniciaram suas pós-mortes no lar que habitariam por trinta e dois longos anos, rejuvenescendo juntos e amando-se com crescente paixão, conforme o tempo regredia. E assim, Lázaro acompanhou o renascimento dos seus pais e sogros (que saudades do Pedrinho!), a adolescência e depois a infância dos filhos até o seu desaparecimento, o dia inesperadamente belo de seu casamento com a Dulce, linda de viver em seu  branco vestido de noiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois deste dia inesquecível, separaram-se, Dulce voltou para a casa dos pais e Lázaro foi para o quarto-e-sala da Avenida Gerbóia. Mas, mesmo assim, ainda se viam bastante, tinham longas conversas, namoravam e faziam amor no fusquinha do Lázaro – o síndico do seu prédio era rigoroso e moralista – até que, já na adolescência, foram cada um para o seu lado e não se encontraram mais; felizmente, para os dois, o desaprendizado constante não os deixava preocuparem-se com o passado ou sentirem saudades do futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo continuava a voltar. Dulce saiu do ginásio e entrou para um colégio de freiras e, não tendo mais seus filhos para cuidar, começou a brincar com bonecas. Lázaro começou a jogar disputadas peladas com os outros meninos da sua rua e depois, bola de gude ou peteca. Tobby, seu fox-terrier, reviveu e foi seu constante companheiro de aventuras e travessuras até o começo. O dono, a cada ano que desfazia, ficava menor e mais deseducado; colecionava gibis, – os livrinhos pornográficos haviam ficado para frente – modelos de aviões e, mais cedo, de automóveis, álbuns de figurinhas. Em seguida saiu da escola e, brincando com os amiguinhos, começou sua jornada para o fundo da infância, que o conduziria, em seu final, ao nada de onde saíra, no início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Oliveira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-116603883600214860?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/116603883600214860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=116603883600214860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116603883600214860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116603883600214860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/12/ressurreio-de-lzaro.html' title='A Ressurreição de Lázaro'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-116542567360984777</id><published>2006-12-06T15:17:00.000-02:00</published><updated>2006-12-08T09:37:50.876-02:00</updated><title type='text'>Notícias da Terrinha.</title><content type='html'>Li o número de outubro da l’architecture d’aujourd’hui sobre Portugal, que procura aferir como que a nova geração de arquitetos portugueses lidou com a herança cultural dos mestres do modernismo regionalista como Álvaro Siza, Gonçalo Byrne, etc. Enfim, trata-se ali de averiguar a influência sobre a produção arquitetônica que tiveram a queda da ditadura Salazarista e o ingresso de Portugal na Comunidade Econômica Européia, a febre desreguladora neoliberal, a entrada, no país, de arquitetos de outras nacionalidades e a explosão do número de profissionais formados em suas faculdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A geração da "Escola do Porto" (muito influenciada por Alvar Aalto) soube incorporar, com sabedoria, as tradições construtivas seculares de Portugal com o racionalismo europeu da primeira metade do século passado (aliás, como já o havia feito bem antes, no Brasil, Mestre Lúcio Costa). Chegada a era dos “pop-stars” na mídia arquitetônica, o próprio Siza foi alçado à condição de “estrela” do sistema, posição esta que ele nunca assumiu com a convicção de muitos dos seus colegas de fama, não se apegou a um estereótipo a ser banalizado pelo mercantilismo e consumismo vigentes. Como exemplo cito, a seguir (sem tradução, pois o trecho é de certa maneira poético), um artigo de Wilfried Wang sobre o próprio, publicado na revista Domus, nº. 770, págs. 21/ 22.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[... How many “standard” components from a “high-tech” project have actually survived to see another building? Perhaps Siza’s designs are old-fashioned in that regard; perhaps they are part of a dying era. Perhaps his office’s attempt to use computer is only partial; perhaps his reliance on sketches betrays his true antiquarian manners. Perhaps my apology for the work of Siza’s office is misguided and hopelessly nostalgic. Perhaps my understanding of his work is completely idealized. Perhaps architecture – no, not perhaps: definitely architecture has seen its golden years. But I would contend that the work from Siza’s office and his countless collaborators have contributed to this late glory. Passion and faith in architecture are rare, are becoming rarer still…]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, na produção contemporânea dos arquitetos portugueses aparece (aliás, como em toda a parte) uma banalização do pitoresco, do original, surge o “kitsch glamourizado”, percebe-se a ausência de um Projeto consistente como foi o da geração anterior; a influencia da mídia e da volatilidade do mercado imobiliário, a colonização da cultura local pelos vizinhos ricos já fizeram os seus estragos. Voltamos à contradição – regionalismo cultural versus globalização -, assistimos novamente a perda do potencial transformador da arquitetura, a formação de um novo perfil das cidades com origem na especulação imobiliária. Tanscrevo, a seguir, alguns comentários de arquitetos portugueses sobre este assunto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Grande nos diz que nos anos setenta e início dos oitenta&lt;em&gt; [... a "inteligência" arquitetônica de Portugal se posicionou ideologicamente à parte da corrente dominante da arquitetura européia, distanciando-se tanto das tendências neo-liberais da construção civil quanto dos "lobbies" político-financeiros.... No entanto, embora a Escola do Porto tenha se envolvido neste debate&lt;/em&gt; (sobre habitação social e urbanismo) &lt;em&gt;durante os anos oitenta, o desenvolvimento das cidades portuguesas foi deixado nas mãos de especuladores, agentes imobiliários e grandes grupos empresariais, quando não tocado por projetos urbanos importados de construtoras da Espanha, do Brasil, dos EUA e da Ingaterra que enfatizavam o seu "savoir-faire" em achar soluções fáceis para programas ambiciosos: enormes edifícios de escritórios,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;conjuntos complexos para negócios, parques temáticos, shopping centres...].&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Tiago Mota Saraiva depois de constatar que &lt;em&gt;[... Nos anos setenta a arquitetura portuguesa tornou-se conhecida.... pela habilidade de juntar as lições aprendidas do Movimento Moderno com a qualidade das técnicas de contrução locais testadas e provadas através dos séculos...],&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;finaliza assim seu artigo sobre ser ou não ser "global":&lt;em&gt; [...trinta anos atrás, o nº 185 da L'Architecture d'aujourd'hui (1976) testemunhava os arquitetos portugueses sendo influenciados por uma das mais importantes revoluções sociais e políticas da Europa no século XX&lt;/em&gt; (a revolução dos cravos). &lt;em&gt;Hoje, quando aquele progresso social revolucionário foi esquecido e parcialmente destruído, a prática arquitetônica portuguesa espalhou-se pelo mundo mas fortemente marcada pelo processo de globalização...].&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Já André Tavares se refere à "crise do crescimento"&lt;em&gt; [... Apesar do planejamento urbano e territorial em Portugal ter sido gravemente afetado pelos efeitos colaterais do liberalismo moderno, graças a reputação internacional de alguns arquitetos portugueses as faculdades de arquitetura em Portugal estão lotadas de estudantes. Face ao poder dos investidores, os arquitetos são incapazes de mudar esta situação; será sempre este o caso?...];&lt;/em&gt; e continua:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[... Incapaz de "salvar o mundo" o arquiteto tenta salvar seu prestígio reduzindo seu campo de ação, evitando o corriqueiro, aspirando por fama internacional e pontuando a paisagem com construções insólitas. E com isto suas ações não transformam nenhuma cidade, nem eles propoem novas maneiras de viver-se... Neste meio tempo, eles abandonam seus poderes a outros atores sociais em comunicação direta com os investidores e o Poder Público....].&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Um ícone da arquitetura globalizada em Portugal é a Casa da Música na cidade do Porto, de Rem Koolhaas (a quem sempre considerei um espertalhão, com muito talento mas oportunista). Hoje em dia, qualquer prefeito quer ter o seu "efeito Bilbao" e, aproveitando-se do fato, o Koolhaas baseou o seu projeto na célebre gravura de Dürer &lt;em&gt;"Melencolia"&lt;/em&gt; onde, ao lado de uma figura ou gênio da tristeza existe um volume geométrico denominado rhomboedhro, um poliedro truncado que serviu de modelo para o envólucro de metal da Casa da Música, sapecado meio que de qualquer jeito nos arredores de Oporto. Horrível.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Para terminar, é necessário fazer-se justiça ao trabalho de um italiano em Portugal; refiro-me ao projeto do Centro Cultural de Belém em Lisboa, do Vittorio Gregotti, que tão bem se adapta ao contexto local (esteve exposto aqui no Brasil na última Bienal de Arquitetura). Ele nos mostra como projetar sem agredir o meio ambiente e sem cair no vernacular, realizando um projeto contemporâneo inserido na escala e no “clima” da cidade velha. Como disse o Álvaro Siza,&lt;em&gt; [... a&lt;/em&gt; &lt;em&gt;polêmica que o projeto inicialmente suscitou foi substituída pela calma aceitação do monumento na cidade e a descoberta de uma das mais interessantes obras de arquitetura do nosso tempo...].&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podemos ver, ainda é possível projetarmos para uma comunidade e sua cidade, e não apenas para incorporadoras e construtoras ávidas de lucros fáceis com tipologias de arquitetura tanto sensacionalistas quanto vulgares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Oliveira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-116542567360984777?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/116542567360984777/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=116542567360984777' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116542567360984777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116542567360984777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/12/notcias-da-terrinha.html' title='Notícias da Terrinha.'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-116515448365926269</id><published>2006-12-03T10:37:00.000-02:00</published><updated>2006-12-04T09:19:23.743-02:00</updated><title type='text'>Por que a arquitetura de São Paulo é tão ruim?</title><content type='html'>Se temos bons arquitetos, por que a arquitetura da cidade de São Paulo é, de uma maneira geral, tão ruim? A resposta é o primitivismo do mercado imobiliário e a falta de cultura de nossas classes dominantes e “formadoras de opinião”. Algumas faculdades de arquitetura (umas três ou quatro) bem que tentam formar profissionais capazes de ir contra a “marquetagem” e o mau gosto vigentes, mas estes, pela selvageria da competição por trabalho existente no mercado, acabam por se diluir na mediocridade geral que é a face da produção arquitetônica atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 70 do século passado, imperavam nos edifícios para habitação multifamiliar os estilos neoclássico, “mediterrâneo” e neocolonial, além de um ecletismo de origem indecifrável nas habitações unifamiliares. Os projetos contratados com bons profissionais contavam-se nos dedos e até uma construtora mais progressista, a Forma e Espaço, encomendou projetos padrão, para serem repetidos “ad aeternum” a dois excelentes arquitetos paulistanos, não deixando de lado a visão de que projeto é um requinte ou, pelo menos, não necessário para cada edifício específico. Um desperdício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas décadas de 80 e 90, corretores e marqueteiros assumiram de vez a direção da produção arquitetônica massificada, gerando estas centenas e centenas de monstrengos que enfeiam a cidade; é a “vontade do mercado”.&lt;br /&gt;Eu me pergunto, as vezes, onde estão os edifícios habitacionais e comerciais projetados por Paulo Mendes da Rocha, Joaquim Guedes, Eduardo de Almeida, Jerônimo Bonilha, Décio Tozzi, Marcelo Ferraz, Ângelo Bucci e tantos e tantos outros? Devem existir alguns, mas muito poucos diante do inferno visual que nos assalta todos os dias aos sairmos às ruas desta cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não podemos ter boa arquitetura, pelo menos deveríamos ter alguma ordem tectônica em São Paulo, mas não, quase tudo é permitido e aprovado pela administração municipal, inclusive a apropriação freqüente do espaço público por particulares. Moramos em edifícios cujas fachadas ou são como que embalagens de produtos à venda ou beiram o ridículo estético e a mediocridade absoluta e não temos, ao menos, a opção de espaços públicos agradáveis (com raríssimas e superlotadas exceções) para freqüentar, de ruas que formem um local que não sirva apenas para o engarrafamento do trânsito, de uma arborização urbana que traga de volta o canto das aves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como modificar isto? Sinceramente não sei; sinto que passamos por um processo histórico que, aliado à falta de educação de nossas elites econômicas, produz a realidade estética que está aí, diante de nossos olhos.&lt;br /&gt;Educar ajuda; mas com a proliferação de faculdades de arquitetura que houve nas últimas décadas as coisas ficam bem mais difíceis. È isto aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Oliveira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-116515448365926269?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/116515448365926269/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=116515448365926269' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116515448365926269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116515448365926269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/12/por-que-arquitetura-de-so-paulo-to.html' title='Por que a arquitetura de São Paulo é tão ruim?'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-116422208131652031</id><published>2006-11-22T16:24:00.000-02:00</published><updated>2006-11-24T10:54:31.666-02:00</updated><title type='text'>Sobre o Monumental</title><content type='html'>Famoso é o início do memorial descritivo de Mestre Lúcio Costa para seu projeto do Plano Piloto de Brasília, quando este diz que é necessário ao urbanista, ao abordar o desenho da capital, estar imbuído de “&lt;em&gt;certa dignidade e nobreza de intenção&lt;/em&gt;” para chegar à monumentalidade da “Civitas”, explicando logo a seguir: [...&lt;em&gt;Monumental não no sentido da ostentação, mas no sentido&lt;/em&gt; &lt;em&gt;da expressão palpável, por assim dizer, consciente daquilo que vale e significa&lt;/em&gt;...], ou seja, que caberia ao arquiteto-urbanista conferir ao real os valores simbólicos ou míticos dos espaços construídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aldo Rossi considerava [...&lt;em&gt;os monumentos, signos da vontade coletiva, expressos através da&lt;/em&gt; &lt;em&gt;arquitetura&lt;/em&gt;...], conceito este próximo ao do Dr. Lúcio, se considerarmos que esta vontade subentende os valores e ritos cívicos, sociais, sagrados ou  mágicos de uma população. Já Louis Kahn tinha uma visão mais poética do monumental, trazendo-o para o nível do inconsciente ou mesmo do transcendental: [...&lt;em&gt;A monumentalidade é enigmática. Ela não pode ser&lt;/em&gt; &lt;em&gt;intencionalmente criada. Nem o material mais caro nem a tecnologia mais sofisticada precisam ser utilizados&lt;/em&gt; &lt;em&gt;em uma obra de caráter monumental&lt;/em&gt;...]. Há uma contradição nesta frase, como surgiria então o monumento? Apenas pelo programa (assembléia, catedral, palácio, etc.)? Seus próprios edifícios em Dacca o desmentem, ali a tecnologia e os materiais realmente são artesanais mas neles podemos ler claramente a intenção do arquiteto “&lt;em&gt;imbuído de dignidade e&lt;/em&gt; &lt;em&gt;nobreza de intenção&lt;/em&gt;” de chegar ao monumental (o que consegue com grande mestria).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escala, sabemos, também não conta como fator relevante, a Pequena Metrópolis de Atenas, com sua única cúpula, não é menos monumental do que São Marcos de Veneza, com cinco magníficas cúpulas, para ficarmos apenas em um exemplo Bizantino, mas somente o significado intrínseco de um edifício não basta para conferir-lhe monumentalidade. Sentimos logo a primeira vista que o Palácio da Alvorada é um edifício monumental, enquanto que a residência do Presidente da Finlândia, projetada por Reima Pietilei, em Helsinque, intencionalmente não o é. E seria realmente relevante o fato do edifício simbolizar valores? Assim sendo, seriam os palácios de Albert Speer monumentais, já que expressavam o credo (espúrio) nazista de uma raça ariana dominadora? Difícil... Como em tudo na vida, há aqui aspectos éticos que não podem ser ignorados, mas como encarar, por exemplo, edifícios que perduraram na história e que certamente foram construídos por escravos? Será a monumentalidade apenas um fato estético completamente indiferente à ética? De qualquer maneira não há como negar que as edificações de caráter monumental são quase sempre signos de poder político (republicano, monarquista, feudal), econômico ou religioso, ou seja, são expressões das classes dominantes e, muitas vezes, símbolos de opressão em suas sociedades, no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, com nossa terrinha mergulhada no culto ao mercado, o estilo neoclássico está presente como símbolo kitsch de poder e posição social para consumo de basbaques incultos das classes média e alta, numa monumentalidade de comédia, de pastiche; mais comum ainda, são os incorporadores erguerem seus mastodontes buscando o monumental através do “espetaculoso”, do insólito, da mistura sem coerência de materiais caríssimos de construção com um pseudo arrojo de linguagem formal. É como se a rua fosse o local para uma “guerra” de fachadas, cada qual querendo sobressair-se entre as demais, como que a dizer: “vejam, sou um sólido investimento e ainda confiro status a quem me comprar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, para Giulio Carlo Argan, a fachada, como elemento de monumentalidade, “&lt;em&gt;é um fato&lt;/em&gt; &lt;em&gt;visual pertencente ao exterior, sendo demonstrativo para o público do valor e do significado do edifício ao qual pertence. Não é um elemento de separação entre o interior e o exterior, mas os coloca em comunicação&lt;/em&gt;”. Neste caso, assino embaixo do que nos diz Argan: posso “ver” através de “curtain-walls” de vidro azul espelhado, banqueiros ávidos por lucros, empresários de olho no seu gordo caixa dois, industriais contando quantos empregados necessitam demitir até o natal, etc. Mas vejo que estou me referindo realmente à tipologias arquitetônicas e, gozações a parte, acho (ao contrário do Ricardo Bofill) que edifícios de habitação ou de serviços jamais deveriam possuir um caráter monumental dentro de uma estrutura urbana e sim, como queria Siegfried Gideon, servirem como “pano de fundo” para os edifícios públicos ou de interesse da comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para finalizar, todo monumento possui um caráter monumental? Acho que não; edifícios de grande valor histórico podem ser monumentos importantes sem nenhuma monumentalidade aparente. Assim, fica evidente que a forma tem muito a ver com o monumental; mas de que maneira? Proporções? Simetria? A monumentalidade seria um arquetipo em nosso inconsciente coletivo como insinua Khan?&lt;br /&gt;(continua).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-116422208131652031?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/116422208131652031/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=116422208131652031' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116422208131652031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116422208131652031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/11/sobre-o-monumental.html' title='Sobre o Monumental'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-116411992065027347</id><published>2006-11-21T12:32:00.000-02:00</published><updated>2006-11-21T12:38:40.833-02:00</updated><title type='text'>NOTURNO DA  GÁVEA</title><content type='html'>É noite alta&lt;br /&gt;No alto da Gávea.&lt;br /&gt;Insone, espio da minha cama&lt;br /&gt;As sombras que, vagarosamente&lt;br /&gt;Dançam no teto caiado de branco&lt;br /&gt;Serão os reflexos dos galhos das árvores?&lt;br /&gt;(Ou os longos dedos de um ser da noite?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá na rua um bonde passa&lt;br /&gt;Rangendo sobre os trilhos;&lt;br /&gt;De súbito freia na curva&lt;br /&gt;E depois segue em frente,&lt;br /&gt;Voando a nove pontos.&lt;br /&gt;(Será que falta muito para o fim da madrugada?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite perfumada de jaca e manga&lt;br /&gt;Passeiam sobre os muros os gambás;&lt;br /&gt;Lá fora, penso, sem sono,&lt;br /&gt;Passeando também sobre os muros&lt;br /&gt;Estará meu gato, o Brotinho&lt;br /&gt;A olhar inquieto, guloso,&lt;br /&gt;As gaiolas de passarinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temo por ele; temo o Leo,&lt;br /&gt;Temo o Lice; no silêncio da noite&lt;br /&gt;Elevam-se seus pausados latidos,&lt;br /&gt;Graves, pesados, assustadores.&lt;br /&gt;(Será ladrão na rua?)&lt;br /&gt;O Brotinho que se cuide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que me cuide eu, penso,&lt;br /&gt;O dia a muito que se foi,&lt;br /&gt;Já cantei (entredentes), rezei pro anjo,&lt;br /&gt;Fechei, abri e fechei os olhos&lt;br /&gt;Tantas vezes e o sono não vêm.&lt;br /&gt;Não ouço mais vozes,&lt;br /&gt;Papai, mamãe, a vovó, a Zizi,&lt;br /&gt;Os adultos se recolheram,&lt;br /&gt;Parece que todo o mundo dorme,&lt;br /&gt;Menos eu. Sinto um cheiro de flor;&lt;br /&gt;Serão as damas-da-noite&lt;br /&gt;Aromando a escuridão?&lt;br /&gt;Ou os lírios de um morto-vivo&lt;br /&gt;Debaixo da minha cama&lt;br /&gt;Deitado em seu caixão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Balanço a cabeça,&lt;br /&gt;Dormir, tenho de dormir (outro bonde)&lt;br /&gt;-       Que uma noite não é nada&lt;br /&gt;         Quem não dormir agora&lt;br /&gt;         Dormirá de madrugada -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E acordará nas asas da manhã”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O longo apito do guarda noturno&lt;br /&gt;Soa no alto da Gávea.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-116411992065027347?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/116411992065027347/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=116411992065027347' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116411992065027347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116411992065027347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/11/noturno-da-gvea.html' title='NOTURNO DA  GÁVEA'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-116325530160353775</id><published>2006-11-11T12:06:00.000-02:00</published><updated>2006-11-11T12:54:30.723-02:00</updated><title type='text'>Condomínios Fechados II</title><content type='html'>Em julho passado, escrevi um pequeno texto neste blog sobre condomínios verticais isolados da malha urbana, em São Paulo, com uma síntese dos males que eles trazem à cidade. Parece-me, como já disse anteriormente, que após 20 anos de neoliberalismo, as elites brancas (cf. Cláudio Lembo) estão sentindo as conseqüências do desastre social que causaram e houveram por bem protegerem-se delas isolando-se espacialmente das outras classes sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A classe média passou a imitar este comportamento como solução para seus problemas de segurança (e também como idealização de seu alpinismo social) e o resultado são estes prédios, estes condomínios, estas ruas, estes bairros fechados para o Outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto ao assunto porque ontem recebi um folheto sobre um destes monstrengos denominado “&lt;em&gt;Helbor Acqualife&lt;/em&gt;” (não, não é uma moradia para peixes) com “&lt;em&gt;upgrade livings&lt;/em&gt;” (apartamentos, como se dizia antigamente,) de 112 e 143 m2 com 3 e 4 dormitórios e amplos “&lt;em&gt;terraços gourmet&lt;/em&gt;” (antevejo problemas entre vizinhos por causa do cheiro da picanha). As plantas, como era de se esperar, são porcalhonas, com problemas de insolação e ventilação, de desproporção entre ambientes, e até de um lavabo que se abre diretamente para a sala de estar; mas a lista de elementos de “&lt;em&gt;pura magia e entretenimento&lt;/em&gt;” que formam este “&lt;em&gt;Resort&lt;/em&gt;” é hilária; passo a enumerá-las, pois pelo menos rendem boas risadas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;! – Guarita blindada (pelo visto o porteiro fica protegido enquanto abre a porta para um assaltante que chega com um &lt;em&gt;“três-oitão”&lt;/em&gt; apontado para a cabeça de um morador).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 – Acessos de pedestres com &lt;em&gt;pulmão de segurança&lt;/em&gt; (acho que o tal pulmão é uma faixa verde de uns sessenta centímetros junto ao meio-fio para cachorro fazer xixi).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 – Acesso de veículos com &lt;em&gt;pulmão de segurança&lt;/em&gt; (neste caso minha teoria vai para o beleléu, ou o carro passa por cima da grama).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 – Praça central com espelho d’água (começa o &lt;em&gt;acqualife&lt;/em&gt;!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 – Lago com pedras (&lt;em&gt;acqualife&lt;/em&gt; com &lt;em&gt;stones&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 – Praças de contemplação com pergolado junto ao lago (caso de narcisismo &lt;em&gt;acqualifal&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 – Cascata temática (lembram-se da &lt;em&gt;Casa da Dinda&lt;/em&gt; do Collor?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 – &lt;em&gt;Play –Zoo&lt;/em&gt;: brinquedos (bichos?) para crianças até cinco anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 – &lt;em&gt;Play Aventura&lt;/em&gt;: para crianças de 5-8 anos (deve ter um portão para elas fugirem do condomínio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 – &lt;em&gt;Play- Radical&lt;/em&gt;: brinquedos para crianças de 8-12 anos ( acho que deveria ficar na cobertura para body- jumping, vôo de asa delta, etc).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 – &lt;em&gt;Mini-tiroleza&lt;/em&gt; (será algum brinquedo radical?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 – Praça de apoio ao &lt;em&gt;play-ground&lt;/em&gt; ( deve ser para as babás sentarem aos junto aos seus pimpolhos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13 – Praça de apoio ao salão de festas (um local de uns 4,00 x 6,00 m com banquinhos; é preciso muita boa vontade para acreditar-se que se trata de uma praça).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14- Praça de apoio à churrasqueira (3,00 x 4,00 m, idem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 - Praça de apoio ao salão de jogos (apoiar o que?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 – Churrasqueira e forno de pizza (churrasco com pizza é, realmente, uma combinação perfeita).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 – Quadra de esportes (ah!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 – Pista de cooper rodeada por &lt;em&gt;arvoretas e equipamentos de ginástica&lt;/em&gt; (!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 – Solarium (aqui começa o &lt;em&gt;acqualiving&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 – Piscina infantil com brinquedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21 – Raia de 25 m coberta e climatizada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 – Jatos de hidromassagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23 - &lt;em&gt;Deck&lt;/em&gt; molhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 – Jatos d’água (?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25 – Área verde doada (quanta generosidade !).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26 – &lt;em&gt;Lobby&lt;/em&gt; (não, não se trata de um hotel, é o acesso social).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27 - &lt;em&gt;Lounge &lt;/em&gt;com cozinha &lt;em&gt;gourmet&lt;/em&gt; (para cozinhar em público).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28 – Varanda &lt;em&gt;gourmet &lt;/em&gt;(mas que frescura!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29 – Salão para jogos adulto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30 –&lt;em&gt; Home cinema&lt;/em&gt; (dez lugares...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31 – &lt;em&gt;Home office&lt;/em&gt; (futuro depósito do condomínio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;32 – &lt;em&gt;Beauty Care&lt;/em&gt; (um verdadeiro cabeleireiro condominial, senhores!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;33 – Sala de &lt;em&gt;Yoga&lt;/em&gt; (para os dias de chuva, quando as praças de contemplação tornarem-se desconfortáveis, apesar das pérgolas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;34 - Salão de festas infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;35 – Sala de recreação com teatro infantil (faltou o teatro para adultos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;36 – &lt;em&gt;Fitness by Reebock&lt;/em&gt; (deve ser uma sala para ginástica).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;37 - Sauna seca com ducha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;38 – &lt;em&gt;Spa&lt;/em&gt; com descanso (pela planta parece ser outra sauna com três espreguiçadeiras anexas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O folheto termina oferecendo maravilhosas coberturas &lt;em&gt;Penthouse&lt;/em&gt;. E o pior é que quem compra um &lt;em&gt;Upgrade Living&lt;/em&gt; (caríssimo) destes deve acreditar que esta tranqueira toda atochada no pavimento térreo agrega valores e qualidade de vida à sua habitação, e não percebe que toda esta ostentação e luxo de novo-rico só serve para atrair os assaltantes profissionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Oliveira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-116325530160353775?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/116325530160353775/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=116325530160353775' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116325530160353775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116325530160353775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/11/condomnios-fechados-ii.html' title='Condomínios Fechados II'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-116282035620023768</id><published>2006-11-06T11:32:00.000-02:00</published><updated>2006-11-06T11:39:16.210-02:00</updated><title type='text'>Engels e a Natureza</title><content type='html'>Acontece nesta semana em Nairobi (Quênia) a 2ª Reunião das Partes do Tratado de Kyoto (COP/MOP2) em conjunto com 12ª Reunião das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (COP 12 UNFCCC), para discutir o agravamento das condições ambientais no planeta. Embora denunciada pela ONG Greenpeace e até pelo ex-candidato do Partido Democrata a presidente dos EUA, Al Gore, não precisamos ler seus relatórios para avaliar a gravidade da situação presente; pela mídia pudemos acompanhar as mutações climáticas dos últimos anos, a seca na Amazônia, e no Rio Grande do Sul, chuvas excepcionais no cerrado, furacões e verões rigorosos no hemisfério Norte, alterações das quatro estações, diminuição das calotas polares, etc.. E com tudo isto a América do Norte, presidida por George Bush, recusa-se a assinar o Protocolo de Kyoto, apesar de ser ela o maior agente poluidor da Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste caso, podemos dizer que não foi por falta de aviso que se armou a catástrofe ambiental que vem por aí: cito, como exemplo, um artigo de Friedrich Engels (1820/1895 – filósofo alemão, colaborador de Karl Marx) escrito no ano de 1876, no qual ele se afasta um pouco da análise da exploração do homem pelo homem para dissertar sobre a exploração da natureza pelo homem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[... &lt;em&gt;Contudo, não nos deixemos contaminar pelo entusiasmo em face de nossas vitórias sobre a&lt;/em&gt; &lt;em&gt;natureza. Após cada uma destas vitórias a natureza adota sua vingança. É verdade que as&lt;/em&gt; &lt;em&gt;primeiras conseqüências destas vitórias são as previstas por nós, mas em segundo e terceiro&lt;/em&gt; &lt;em&gt;lugar aparecem conseqüências muito diversas, totalmente imprevistas e que, com freqüência, anulam as primeiras. Os homens que na Mesopotâmia, na Grécia, na Ásia Menor devastavam os bosques para obter terra de cultivo nem sequer podiam imaginar que, eliminando com os bosques os centros de acumulação e reserva de umidade, estavam assentando a base da atual aridez dessas terras. Os italianos dos Alpes, que destruíram nas encostas meridionais os bosques de pinheiros, conservados com tanto carinho nas encostas setentrionais, não tinham idéia de que com isso destruíam as raízes da indústria de laticínios em sua região; e muito menos podiam prever que, procedendo desse modo, deixavam a maior parte do ano secas as suas fontes de montanha, com o que não lhes permitiam, chegado o período das chuvas, despejarem com maior fúria suas torrentes sobre a planície. Os que difundiram a batata na Europa não sabiam que com esse tubérculo farináceo difundiam por sua vez a escrofulose.&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Assim, a cada passo, os fatos recordam que nosso domínio sobre a natureza não se parece em&lt;/em&gt; &lt;em&gt;nada com o domínio de um conquistador sobre o povo conquistado, que não é o domínio de&lt;/em&gt; &lt;em&gt;alguém situado fora da natureza, mas que nós, por nossa carne, nosso sangue e nosso cérebro,&lt;/em&gt; &lt;em&gt;pertencemos à natureza, encontramo-nos em seu seio&lt;/em&gt;...].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belas palavras, &lt;em&gt;Engels dixit&lt;/em&gt; fazem já cento e trinta anos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Oliveira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-116282035620023768?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/116282035620023768/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=116282035620023768' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116282035620023768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116282035620023768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/11/engels-e-natureza.html' title='Engels e a Natureza'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-116240761622762656</id><published>2006-11-01T15:36:00.009-03:00</published><updated>2010-07-28T12:22:53.712-03:00</updated><title type='text'>Arquitetura Pré-Histórica</title><content type='html'>Como arquiteto pouco versado em antropologia, sempre tive curiosidade sobre o início da arquitetura, da arte de construir; certamente ela existiu antes da figura do artesão, pois no começo da história o individuo deveria ter pouco valor perante o grupo. Imagino-a, no tempo, surgindo com as primeiras culturas do paleolítico e o começo da racionalidade, quando o homem percebeu que poderia criar seu próprio abrigo, além daqueles que a natureza oferecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo com Vittorio Gregotti que em primeiro veio a escolha do lugar, o território que o hominídeo escolhia para si embaixo das árvores, para abrigar-se das intempéries e dos predadores, junto ao riacho, fonte de água e alimento, nos pontos mais altos do relevo para dominar visualmente o sítio, etc.. Depois, passou a demarcá-lo, fazendo paliçadas que o protegessem do vento e das feras; a descoberta do fogo deve ter determinado a organização destes assentamentos provisórios em torno da fogueira, fonte de calor, luz e, mais tarde, local de preparo do alimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrigo é sinônimo de cobertura, e sendo os povos primitivos constituídos por caçadores e coletores nômades, estes deveriam habitar tendas (imagino eu) trilíticas ou cônicas, estruturadas por varas de madeira e cobertas com folhas secas ou couro de animais curtido. Em algum período entre o final do paleolítico e o início do neolítico, com o advento da agricultura e o conseqüente assentamento permanente do homem no território, outros materiais, mais sólidos e duráveis, começaram a serem usados para a construção dos abrigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente a vila neolítica típica era um aglomerado de casas (com um só cômodo comportando o local do fogo e o de dormir) de argila ou pedra, organizadas em torno de um edifício destinado a práticas religiosas ou mágicas. Os artesãos que as construíam deviam pensar mais em formas a serem repetidas do que em idéias construtivas onde pudessem colocar elementos de ordem pessoal (a cabana decorada dos pós-modernos). A pergunta que me faço é quando teriam começado a reflexão e a crítica sobre a tradição construtiva? Quando um ou vários artesões ousaram transgredir as normas pré-estabelecidas do grupo, tornando-se assim arquitetos, mesmo sem o saberem? De qualquer maneira, acho que podemos decompor os elementos das construções pré-históricas como segue:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt; – O chão; o lugar no território que o homem escolhe, delimita e risca, para ali erguer o seu abrigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt; - O muro; tecnicamente o suporte da cobertura que define o abrigo. Simbolicamente, a fronteira entre o público e o privado, o particular e o coletivo, a proteção, a segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt; – O teto; o abrigo contra o clima, a chuva e o sol, o calor e o frio. A forma de se cobrir gera a técnica e seu artesão , com a divisão social do trabalho, torna-se o construtor que, como já vimos, se transformará em arquiteto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt; – As aberturas; de início, apenas uma única e simples porta, permitindo a passagem do homem, do ar, da luz, do sol, do luar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5&lt;/strong&gt; - O espaço criado; o local do descanso, do sono, o lugar do fogo onde o homem se aquece, cozinha seu alimento, afasta a escuridão vencendo as trevas da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 – Outros espaços; Com a racionalidade veio a consciência do homem sobre o seu  Eu e a sua finitude no tempo, nascendo deste conhecimento a idéia da vida após a morte e dela o religioso e o mágico. Assim, todas as vilas neolíticas tinham um espaço central sagrado, que deve ter-se transformado posteriormente em espaço do poder político, anexo a um mercado público (acho eu), precursor de ágoras e praças. Deveriam haver armazéns para os grãos das colheitas; seriam eles coletivos? Em geral não há vestígios de fortificações ou paliçadas nas vilas neolíticas; elas vieram depois, com as invasões dos povos nômades, no início das Civilizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a disseminação e a evolução do habitat neolítico, Leonardo Benévolo nos diz que é possível considerar a história da arquitetura como a história do ambiente antrópico:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;[...A distinção do ambiente humano do ambiente natural e a do ambiente físico das outras circunstâncias, que formam as vicissitudes da vida individual e social, são distinções de fato, que cumpre verificar empiricamente em todos os lugares e em todos os tempos. Por isso, a história da arquitetura passa a ser uma seção da história geral e não exige uma metodologia separada...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...As fases principais da história da arquitetura dependem das grandes mudanças dos métodos de produção, que correspondem a saltos do desenvolvimento demográfico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) a passagem da coleta para o cultivo dos alimentos, que permite o assentamento estável e integrado da aldeia neolítica (há cerca de 10.000 anos);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) a formação dos grupos dirigentes - guerreiros, sacerdotes, escribas, artezãos especializados, distintos dos produtores de alimentos - que possibilita o surgimento da cidade e da civilização urbana (há cerca de 5.000 anos);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) a ampliação desta classe dirigente, em consequência da introdução de aparelhagens mais sensíveis - antes de ferro que de bronze - e da escrita alfabética (há cerca de 3.000 anos);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) a "revolução comercial" baseada na melhoria da produção agrícola e artesanal e numa nova organização do trabalho não servil (há cerca de 800 anos);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e) a "revolução industrial", isto é, o desenvolvimento ilimitado da produção e do consumo, que aplica na tecnologia os rtesultados da pesquisa científica (há cercade 200 anos).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue a parte mais polêmica destas assertivas de Benévolo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O ambiente contemporâneo caracteriza-se sobretudo pelos efeitos do desenvolvimento industrial: ele já recebeu no passado, recebe agora e está para receber uma série de transformações mais profundas e mais rápidas do que se registraram em qualquer outra época posterior ao aparecimento da cidade. Por conseguinte, é lógico considerar o ambiente anterior a essas transformações como &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;um todo unitário&lt;/span&gt;: a cidade pré-industrial (que compreende as cidades do passado antes da revolução industrial, e as cidades do presente ainda não alteradas pelos efeitos daquela)&lt;/span&gt;...]*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, existiria uma diferença morfológica e funcional profunda entre a cidade industrial e pós-industrial e as cidades barrocas, renascentistas, medievais, clássicas, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro ainda, como conclusão, que com o capitalismo veio a transformação da arquitetura de bem cultural ou de raiz para bem de consumo, de mercado. E que a partir deste acelerou-se não apenas a exploração brutal do homem pelo homem mas também a exploração desmedida dos recursos naturais do planeta, o que colocou a humanidade na situação de xeque ecológico que hoje vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Benévolo, Leonardo, 1923 -; A Cidade e o Arquiteto, pags. 30/31, Editora Perspectiva. Coleção Debates - Arquitetura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-116240761622762656?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/116240761622762656/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=116240761622762656' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116240761622762656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116240761622762656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/11/arquitetura-pr-histrica.html' title='Arquitetura Pré-Histórica'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-116230119778712969</id><published>2006-10-31T10:25:00.011-03:00</published><updated>2010-07-28T12:42:12.994-03:00</updated><title type='text'>Arquitetura e Crítica</title><content type='html'>Retirei de uma antiga entrevista de Kenneth Frampton para uma edição da revista AU, este trecho sobre crítica arquitetônica, afim de comentá-lo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[... &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A visão da prática crítica, ou da cultura crítica, como agente transformador da sociedade, leva a idéia de uma prática crítica da arquitetura, tornando a questão mais complexa. A crítica faz parte do mundo das idéias; é um objeto ideológico, já que não toca diretamente a realidade física&lt;/span&gt; “...].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A colocação de Frampton é um tanto confusa; evidentemente a crítica é sempre uma atividade intelectual, que lida com idéias, assim como também o é a prática arquitetônica (embora esta &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt; vise o ato de edificar). Me parece também evidente que a prática da arquitetura é necessariamente crítica, se esta não se limitar a reproduzir modelos ou "carimbar" tipos. No caso da crítica de arquitetura, para melhor compreendê-la podemos separá-la em duas vertentes principais, conforme o objetivo a que se propõem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma seria a crítica do real, do tectônico, do pensamento arquitetônico ou urbanístico materializado e a outra a crítica da prática profissional em sua vertente humanista e do conjunto de crenças em que se baseia; idealmente as duas deveriam se complementar, o que não é sempre possível. Mas de uma maneira geral a primeira diz respeito à estética e à técnica e a segunda à ética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me lógico admitir que sempre que o fazer arquitetônico estiver fundamentado sobre um sistema coerente de conceitos, suas realizações deverão ser criticadas em função deste sistema; por exemplo, fazia parte do corpo de idéias do modernismo, em seus tempos “heróicos”, a transformação da sociedade através da projetação de espaços dignos para o homem; a mídia especializada da época adotou e defendeu esta ideologia, utilizando-a em sua prática crítica. No entanto é possível uma crítica da arquitetura de um edifício fora (ou apesar) do seu contexto social, avaliando-se, por exemplo, se sua implantação foi correta, como ele se relaciona com a vizinhança, se a insolação e a ventilação estão de acordo com o clima local, a racionalidade da estrutura, do sistema construtivo, a qualidade do acabamento e sua durabilidade no tempo, suas qualidades plásticas, etc. No entanto, é a crítica da ideologia social e política que norteou o projeto, a que iluminará o seu valor tectônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, com a “vontade dos mercados” dominando grande parte da produção arquitetônica, a mídia impressa voltada para a arquitetura abandonou as suas antigas posições ideológicas e passou a ter, como objetivo maior, a competição mercadológica entre si, publicando, acima de tudo, o fotogênico, o luxuoso, o espetacular, quando não um “merchandizing” mal disfarçado dos interesses imobiliários das grandes corporações. A crítica autêntica passou a ter pouco espaço nas revistas especializadas e migrou, em grande parte, para a internet, que é hoje o lugar mais adequado para procurarmos artigos sobre arquitetura e urbanismo livres da “censura” dos Conselhos Editoriais, geralmente formados por marqueteiros e empresários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando resumir, acho que a crítica (de arquitetura, de música, de artes plásticas, literatura, etc.) deveria ser uma reflexão sobre a &lt;strong&gt;história no passado e no presente&lt;/strong&gt;  do exercício destas artes, relacionada diretamente à história geral da humanidade, com seus modos de produção e organização política (como quer Leonardo Benévolo), sujeita às futuras revisões que só o distanciamento do crítico/historiador, no tempo, permitirá (revisões estas que poderão nunca ter um fim). E quanto a prática crítica da profissão (que parece ser um agente complicador para Frampton), creio que todo bom arquiteto a exerça, refletindo contínua e constantemente sobre sua produção e na sua relação com o meio físico e histórico em que  se insere, para que o passo dado em cada novo projeto possa ser maior do que o do anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Oliveira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-116230119778712969?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/116230119778712969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=116230119778712969' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116230119778712969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116230119778712969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/10/arquitetura-e-crtica.html' title='Arquitetura e Crítica'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-116075452149021747</id><published>2006-10-13T12:44:00.000-03:00</published><updated>2006-10-13T12:48:41.516-03:00</updated><title type='text'>O ESPELHO DE MONDRIAN</title><content type='html'>Ao olhar-se pelo espelho, em uma certa manhã chuvosa, o homem viu-se vestido com uma camisa vermelha. Sentiu um repentino sobressalto, voltou o olhar para si - estava com uma camisa bege. Olhou de novo para o espelho; lá estava ele de camisa vermelha. Alarmado, correu para o quarto, acordou a mulher:&lt;br /&gt;-De que cor é esta camisa que estou usando?&lt;br /&gt;-Que...&lt;br /&gt;-Qual a cor da minha camisa, meu bem?&lt;br /&gt;-É bege, está ficando maluco, ou o que?&lt;br /&gt;Voltou para o banheiro, espiou o espelho de soslaio e pronto – camisa vermelha. Estaria louco mesmo? Suou frio, achou que ia passar mal.&lt;br /&gt;-Acalme-se, -pensou, - por Deus, tenho de me acalmar. Calma, calma!&lt;br /&gt;Voltou a mirar-se e não havia dúvida, era ele mesmo com uma camisa de um vermelho forte, vistoso. Procurou reparar nos outros objetos refletidos no espelho; a louça, os azulejos, o box do chuveiro e todos eles lá estavam, exibindo suas cores originais. Voltou para o quarto e trocou de camisa, vestiu uma azul-celeste, voltou ao banheiro e dirigiu-se mais uma vez ao espelho; viu-se, como temia, num modelo diferente de camisa, mas a cor era a mesma, vermelha. Correu, então, para a sala, onde havia um pequeno espelho junto à porta de entrada e, para choque seu, apareceu usando uma camisa azul. Voltou ao banheiro – camisa vermelha.&lt;br /&gt;Não cabiam dúvidas, não era sua vista e nem os espelhos em geral, era este, o do banheiro, que estava o que? Encantado? Não podia acreditar nisto; estaria ele, o Costa, surtando? Afinal o que era uma cor? Procurou racionalizar, o caso era, evidentemente, um fenômeno psíquico e não físico. Seria a camisa vermelha um sinal? Um aviso, uma mensagem? Enviada por que, por quem? Voltou a pensar nas cores (percebeu o quão pouco pensava nelas), seriam elas símbolos, o que simbolizaria o vermelho? Sangue, revolução... paixão? Mas qual, paixão antiga? Nova? Não, sangue... um acidente? Atropelaria alguém durante o dia, bateria o carro, morreria? Outra coisa, outra coisa... touradas!  O vermelho das capas dos toureiros? O touro. A espada, a ferida. O poente. A alvorada. Uma rosa, um tomate.&lt;br /&gt;Enfim desistiu do enigma, resolveu sair para o trabalho e, ao passar pela mulher, na copa, beijou-a no rosto e perguntou pela cor da camisa que estava usando.&lt;br /&gt;-Azul, ceguinho. Quer me gozar? -A mulher estava perplexa.&lt;br /&gt;-Brincadeirinha, amor, tchau.&lt;br /&gt;Costa chegou são e salvo ao escritório, mas passou o dia inteiro a mirar-se em espelhos, vitrines, até em poças d’água (chovia) e a cor da camisa era sempre a mesma: azul-celeste. Decididamente apenas um, apenas o espelho do banheiro estava errado. Ou encantado. Um fato sobrenatural. Mas faltava um último teste; ao chegar em casa levou a mulher para a frente do famigerado objeto e de novo perguntou pela cor de sua camisa.&lt;br /&gt;-Mas o que é isso, o que está acontecendo, Costa?&lt;br /&gt;-Me responde, meu bem, é importante para mim, diga, estou vendo meio embaçado, sei lá...&lt;br /&gt;-É azul, azulíssima, cerúlea, celestial, está satisfeito?&lt;br /&gt;-Não se zangue, querida, semana que vem vou ao oculista... (mas por que só a camisa? Por que não a...)&lt;br /&gt;-Por mim você iria amanhã mesmo...&lt;br /&gt;Nos dias que se seguiram, o Costa experimentou diversas combinações de calças e camisas, mas o resultado, no espelho do banheiro, era sempre o mesmo; apenas a camisa resplandecia em vermelho, as outras peças mantinham sua cor original. Estava quase por acostumar-se ao fenômeno ( iria falar dele com quem?), quando um dia a camisa apareceu-lhe cinza. De novo, num susto, olhou para baixo: camisa branca. Trocou de camisa, colocou uma vermelha. Retornou ao espelho: camisa cinza. Voltou a pensar se não haveria ali um sinal, uma advertência; no entanto, os dias anteriores haviam sido absolutamente normais, apesar da camisa pseudo-vermelha; nada ameaçava seu futuro a não ser o acaso.&lt;br /&gt;Desta vez, porém, o acaso esteve presente. No meio da tarde o telefone tocou em sua mesa, ele atendeu e lá estava a voz de sua mulher, meiga, tristonha:&lt;br /&gt;-Querido, seu pai acaba de me telefonar, sua avó faleceu; ele estava emocionado, pediu-me para te dar a notícia, venha para casa...&lt;br /&gt;Costa saiu do escritório triste, mas intrigado, pensativo; então havia realmente uma mensagem nas cores, no espelho. Significaria o cinza a morte? Mas a morte de outrem, não a dele? Que diabo, com quem assim comunicava-se, quem queria adverti-lo, prever-lhe o futuro? Qual futuro? O do dia por acontecer?&lt;br /&gt;Suas camisas continuaram na cor cinza por mais alguns dias e depois voltaram à cor (habitual?) vermelha. Que curioso, pensou, significaria o vermelho não a tragédia ou a paixão, mas apenas um dia normal,  confortável? Era isto! O vermelho significava felicidade! Pois, apesar do espelho “assombrado”, andava de bem com a vida em geral. Seu casamento seguia sem maiores entraves, a mulher amadurecia com graça, o filho entrara e progredia na escolinha e, afora a avó falecida, a saúde da família era boa, graças a Deus. Sentiu com convicção que era assim: o espelho comunicava-lhe o porvir diário, ou... isto! previa seu estado emocional durante o dia em conseqüência do...melhor mesmo era não pensar demais no assunto...; e assim foi-se acostumando às mensagens diárias (de quem, minha Nossa Senhora) que recebia pelo espelho; belos dias com a camisa vermelha, outros tristonhos, com a  cinza, mas todo homem tem seus dias cinzentos, melancólicos, assim era e é a vida.&lt;br /&gt;Certa manhã acordou com gripe; cabeça latejando, tosse, arrepios de frio. Não teve dúvidas, vestiu uma camisa qualquer, e correu ao banheiro para verificar sua mensagem do dia. A camisa estava amarela (era verde). Amarelo, o que significava? Segundo a bíblia, pensou, quando o Cristo morrera na cruz, o céu ficara amarelo; mas o amarelo não podia significar tristeza porque o  cinza...opa! Estava compreendendo o jogo de cores do espelho; o vermelho, o amarelo eram, como se chamavam mesmo... cores  primárias! Quais eram mesmo as outras? Foi para o computador e entrou na internet; colors, cores, teoria das cores... Leonardo da Vinci, pirâmide de Jaubert, ordem de Munsell... cores primárias: vermelho, amarelo, azul... Impressionou-o a definição do branco; “...harmonia do silêncio, o apelo do nada que existe antes do nascimento...” Mondrian! Lembrou-se do pintor que vira e gostara no Moma, quando fora a Nova Iorque, recordou que o guia dissera que este sempre empregava, em seus quadros geométricos, as cores primárias. Piet Mondrian, era seu nome. Passou, então, a chamar seu espelho de “espelho de Mondrian”.&lt;br /&gt;Bem, sua camisa ficou amarela por mais alguns dias e depois voltou ao vermelho habitual. Que alívio, pensou, pena não poder compartilhar esta fantástica experiência com alguém, era um fenômeno dele, o Costa, indivisível com o restante da humanidade.&lt;br /&gt;Numa dessas belas manhãs de outono, enquanto se barbeava, notou que sua camisa estava preta. Imediatamente um arrepio percorreu-lhe o corpo, angustiava-se, preto significava luto, a morte, o preto era a morte, pôrra! A sua morte, o “espelho de Mondrian” só se referia a si mesmo, ó meu! O que fazer? Caraco!&lt;br /&gt;Telefonou para o seu médico, tentou marcar a consulta para o mesmo dia.&lt;br /&gt;_Não é possível, Seu Costa, o doutor Renato está com a agenda lotada, horário para consulta só na quinta que vem...&lt;br /&gt;-Não podia ser, tinha de ser atendido naquele mesmo dia, insistiu, sentia-se mal, que lhe arranjasse um encaixe, uns minutinhos...  sua voz soava súplice...&lt;br /&gt;Graciosamente a atendente deu um jeitinho e na hora do almoço lá estava ele, no consultório, diante do médico.&lt;br /&gt;-O que é que há, Costa, o que está sentindo?&lt;br /&gt;Atrapalhou-se um pouco, percebeu que não planejara seu discurso, o que falar, não poderia ser sobre espelhos e cores…&lt;br /&gt;-Sinto-me mal, Dr. Renato, um mal estar esquisito, indefinido, será que minha pressão está alta? O coração, talvez?&lt;br /&gt;- A ver, Costa, tire sua camisa (preta?) e sente-se na maca.&lt;br /&gt;O médico examinou-o cuidadosamente, auscultou-lhe pulmões e coração, apalpou o fígado e o baço, tomou-lhe a pressão.&lt;br /&gt;-Quanto por quanto, doutor?&lt;br /&gt;-Normal, Costa, fique tranqüilo.&lt;br /&gt;Dirigiu-se ao interfone;&lt;br /&gt;-Dalva, faça um eletro no doutor Costa.&lt;br /&gt;Vinte minutos após, lá estava ele de volta a sala do médico.&lt;br /&gt;-Não vejo, em princípio, nada de anormal em você, Costa. Por acaso anda tenso? Como vai sua família, seu trabalho?&lt;br /&gt;-Tudo bem, doutor Renato, mas este corre - corre...&lt;br /&gt;-Vou receitar-lhe uma pequena dose de calmante, Costa, acho que você está apenas estressado. Caso não melhore, telefone-me para investigarmos mais a fundo este seu mal estar.&lt;br /&gt;Saiu do consultório, aliviado, mas intrigado. Seria então a morte de um “outro”, de um ente querido, um amigo? Não podia ser, a tristeza era cinza...pôrra! Tenho de contar a alguém o caso do espelho, senão fico maluco, catzo!&lt;br /&gt;Naquela tarde Costa foi chamado pelo seu chefe, que felicitou-o, dizendo que o tinha promovido a Supervisor de Grupo, que teria uma salinha própria, um aumento razoável no salário, etc., etc.. Ficou agradavelmente surpreso.&lt;br /&gt;-Não sei o que dizer, doutor Martelli, estou admirado que...&lt;br /&gt;-Não há do que se admirar, Costa, meus cumprimentos, você mereceu, mas  agora desculpe-me, estou um pouco ocupado...&lt;br /&gt;Despediu-o com um tapinha amável na face, levou-o até a porta, recomendou-lhe:&lt;br /&gt;-Faça jus a esta promoção, Costa. Avanti, bambino! Via! Via!&lt;br /&gt;À noite foi jantar com a esposa para comemorar, pediram uma garrafa de Barolo  em homenagem ao chefe, voltaram alegres para casa, fizeram sexo amorosamente, mas ficara-lhe a pergunta, a dúvida – o significado do preto. Dinheiro? Poder? Progresso, ou o que?&lt;br /&gt;O tempo foi passando e os seus dias de camisa vermelha alternavam-se com os dias de camisa cinza, sendo visível a vantagem dos primeiros... (e o azul? faltava o belo azul de Mondrian...); um ligeiro resfriado, uma incômoda constipação resultaram em alguns dias de camisa amarela. O fenômeno passara a fazer parte de sua vida, era como que um oráculo particular de quem só ele conhecia as regras e delas se servia todas as manhãs. Até que, numa dessas, apareceu no espelho de branco. Branco, o que significaria? pensou. O código das mensagens era simples; vermelho para a felicidade, cinza para a tristeza, amarelo para a dor, preto... lembrou-se de algo que lera sobre o branco, quando consultara a internet, sobre as cores; o branco era o silêncio, o chamado do nada? Era isto? Voltou ao computador; colors, em português, pirâmide de Jaubert... deparou-se, de súbito, com o texto aterrador: “A cor negra está associada à morte apenas na cultura ocidental, o mesmo não ocorre em várias culturas orientais, onde a cor do luto é o branco...” Estremeceu, a cor da camisa referia-se sempre a si próprio, era um aviso, seria... A suspeita veio avassaladora. Costa correu para o “espelho de Mondrian”, arrancou-o da parede, virou-o ao avesso e leu, horrorizado, as palavras lá escritas: “Made in China”.  Neste instante sentiu, inexoravelmente, que iria morrer e morreu. Mais tarde, em seu velório, enquanto sua esposa chorava e os presentes lamentavam e se condoíam do ocorrido, Costa repousava em seu esquife, ar sereno, coberto de lírios e vestido com seu melhor terno, o azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Paulo, iniciado em uma manhã de inverno radiosamente bela, em 27 de julho de 2002, e finalizado em outra manhã, esta de 24 de janeiro de 2006.&lt;br /&gt;Euclides Oliveira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-116075452149021747?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/116075452149021747/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=116075452149021747' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116075452149021747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116075452149021747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/10/o-espelho-de-mondrian.html' title='O ESPELHO DE MONDRIAN'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-116051295210594471</id><published>2006-10-10T15:35:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T17:45:17.050-03:00</updated><title type='text'>DEUS ESTÁ NO DETALHE</title><content type='html'>Deus está no detalhe; a frase original é do romancista francês Gustave Flaubert – “&lt;em&gt;Le bon Dieu&lt;/em&gt; &lt;em&gt;est dans le detail&lt;/em&gt;” – tendo Mies van der Rohe dela se apropriado, difundindo-a no meio arquitetônico como “&lt;em&gt;God is in the detail&lt;/em&gt;”, ficando esta sua versão em inglês famosa nos anais do movimento moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como entender esta máxima do ex-diretor da Bauhaus que, exilado nos EUA, criou com sua obra os fundamentos tanto do “International Style”, quanto do novo Brutalismo europeu? Como um louvor ao minimalismo? Como a supremacia das partes sobre o todo? Sobre o bem construir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aposto nesta última hipótese: Mies não separava a arte da arquitetura de sua construção (Baukunst) e é neste contexto que sua célebre frase deve ser compreendida, o detalhe como sendo a alma de uma perfeita transformação do projeto em obra construída. Quem já projetou e construiu, ou ao menos acompanhou a sua construção, sabe o quanto um projeto mal detalhado e especificado está fadado a transformar-se em uma arquitetura porcamente realizada, que pouco irá perdurar no tempo; e que bons detalhes não significam obrigatoriamente detalhes sofisticados. A sua perfeição e elegância não implicam na utilização de produtos caros ou raros e muito menos no sacrifício de outros aspectos importantes da arquitetura, como a função, a adequação ao meio ambiente, à tradição construtiva local, à beleza, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, para Deus habitar nossos detalhes, devemos fazê-los racionais, valendo-nos da lógica, além da inspiração, respeitando as características dos materiais empregados, levando em conta a mão de obra que irá executá-los, integrando-os, com simplicidade, ao todo arquitetônico, como tão bem o fazia Mies van der Rohe. E ainda temos de estar atentos para a questão tecnológica, evitando a imposição, pelo mercado, de sistemas e produtos alheios ao nosso clima e a nossa cultura. Como disse Fernando Salinas, [...&lt;em&gt;O encontro de nossa identidade não é somente uma&lt;/em&gt; &lt;em&gt;necessidade cultural ou artística mas, primordialmente, uma necessidade econômica de&lt;/em&gt; &lt;em&gt;desenvolvimento, decisiva para nossas sociedades&lt;/em&gt;....].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para encerrar o texto, um assunto curioso: não passa despercebido a ninguém a forte semelhança de linguagem entre os arquitetos “High-Tech” europeus, muito além da que poderia ser atribuída à identidade ideológica entre eles. Pois bem, é só verificar nos créditos das revistas e livros dedicados ao assunto, que Peter Rice (como engenheiro de estruturas) e Martin Francis (responsável pelo detalhamento das esquadrias, ou melhor, das “peles" dos edifícios), trabalharam em praticamente todos os projetos de Renzo Piano, Richard Rogers, Norman Foster, Michael Hopkins, Nicholas Grimschaw, etc. Peter Rice, já falecido, calculou grande parte das estruturas mais belas da segunda metade do século XX (começando pela Ópera de Sidney de Jörn Utzon) e Martin Francis, arquiteto-naval de formação, desenhou, além dos mais sofisticados sistemas de fachadas utilizados hoje, grandes veleiros de regatas e uma série considerável de acessórios marítimos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-116051295210594471?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/116051295210594471/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=116051295210594471' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116051295210594471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116051295210594471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/10/deus-est-no-detalhe.html' title='DEUS ESTÁ NO DETALHE'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-116027357086637244</id><published>2006-10-07T23:06:00.000-03:00</published><updated>2006-10-07T23:12:50.873-03:00</updated><title type='text'>POEMA DE 3ª FEIRA À TARDE.</title><content type='html'>À Leopardi e Luchino Visconti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vagas estrelas&lt;br /&gt;Da Ursa Menor&lt;br /&gt;Que passeais impercebidas&lt;br /&gt;Por velhas cartas&lt;br /&gt;De astronomia&lt;br /&gt;Aparecei!&lt;br /&gt;Nesta noite possível&lt;br /&gt;Apagar-se-á de minha memória&lt;br /&gt;A imagem do mundo&lt;br /&gt;E o abismo da ausência&lt;br /&gt;Não mais me ameaçará;&lt;br /&gt;Muito pelo contrário,&lt;br /&gt;Tranqüilo vos contemplarei&lt;br /&gt;“With  my troubles gone away”&lt;br /&gt;Até o dia clarear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Euclides Oliveira, perto do final do século passado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-116027357086637244?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/116027357086637244/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=116027357086637244' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116027357086637244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/116027357086637244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/10/poema-de-3-feira-tarde.html' title='POEMA DE 3ª FEIRA À TARDE.'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-115954178597222218</id><published>2006-09-29T11:20:00.000-03:00</published><updated>2006-09-29T12:12:11.000-03:00</updated><title type='text'>O Lugar.</title><content type='html'>Este é um texto tirado de uma conferência do Vittorio Gregotti na New York Architectural League em 1983:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[... O pior inimigo da arquitetura moderna é o espaço considerado exclusivamente em termos de suas exigências técnicas e financeiras, indiferentes à idéia de lugar.&lt;br /&gt;Segundo acreditamos, o ambiente construído que nos cerca é a representação física de sua história e o modo como acomodou diferentes níveis de significado para formar a qualidade específica do lugar..... Na verdade, através do conceito de lugar..... o ambiente tornar-se-ia a essência da produção arquitetônica. A partir deste ponto de observação, é possível vislumbrar novos princípios e métodos para o projeto. Princípios e métodos que dão preferência a sua localização em uma área específica. Este é um ato de conhecimento do contexto que decorre de sua transformação arquitetônica. A origem da arquitetura não é a cabana primitiva, a caverna ou a mítica “casa de Adão no Paraíso”.&lt;br /&gt;Antes de transformar um suporte numa coluna e um telhado num tímpano, antes de colocar pedra sobre pedra, o homem colocou uma pedra no chão com a finalidade de identificar um lugar no meio de um universo desconhecido, para que assim pudesse conhecê-lo bem e modificá-lo.... ]&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O que Gregotti quer dizer-nos é que o homem está continuamente modificando tanto a paisagem rural quanto a dos assentamentos urbanos, para sua sobrevivência e crescimento. Assim, toda e qualquer paisagem tem uma história de como e porque foi modificada no tempo, sendo que o homem, ao ocupar o solo (para a agricultura, o pastoreio, a construção do seu abrigo, suas aldeias e cidades), projeta nele não apenas a sua racionalidade, mas também os seus arquétipos, os seus símbolos e a sua visão do cosmos. O lugar não é &lt;em&gt;“inventado pelo edifício”,&lt;/em&gt; como afirma Peter Einsenman, mas formado por seu espírito (&lt;em&gt;Genius Loci&lt;/em&gt;) que compreende, além do meio físico, sua memória e seus mitos, as relações sociais que nele ocorrem, os ritos e costumes de quem o freqüenta, etc..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao observarmos o espaço público como um &lt;strong&gt;lugar &lt;/strong&gt;onde acontecem relações sociais entre indivíduos, verificamos que este deve ter características (com continuidade no tempo) que gerem referências que o identifiquem física e emocionalmente perante a comunidade, criando com ela uma ligação afetiva que favoreça a coexistência indispensável para a comunicação entre seus membros. Cabe aqui diferenciarmos a qualidade urbana de um espaço público, da qualidade arquitetônica dos edifícios que o conformam: podemos perfeitamente, por exemplo, termos uma rua com sua caixa admiravelmente bem proporcionada, adequadamente arborizada para o nosso clima, dotada de pontos de encontro interessantes como cafés, livrarias, uma esquina singular aqui e ali, etc., ladeada por prédios de péssima arquitetura. Aliás, todos nós temos os lugares urbanos de nossa predileção; experimentem enumerá-los e verificar o porquê das suas ligações com eles; estas, certamente, estarão relacionadas não apenas às suas qualidades físicas, mas também à memória, aos aspectos afetivos e emocionais. São estes os espaços que, por suas qualidades urbanas e significados históricos referenciais para a população, formam a base da coexistência social entre indivíduos diferentes entre si, coexistência esta que forja os fundamentos de uma comunidade democrática, aberta e, futuramente (esperemos), mais solidária. Precisamos (e muito) destes &lt;strong&gt;lugares&lt;/strong&gt;, livres da ditadura do consumo e do mercado, espaços apenas para nos encontrarmos, passearmos, conversarmos, pensarmos, sonharmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já quanto ao &lt;em&gt;"ambiente tornar-se a essência da produção arquitetônica",&lt;/em&gt; esta é uma antiga postulação dos arquitetos brasileiros; desde os primórdios da escola "Carioca", estes tratavam da adaptação de seus edifícios ao nosso clima tropical, à nossa cultura e à vizinhança do local onde seriam implantados ( ao &lt;strong&gt;lugar&lt;/strong&gt;, portanto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Oliveira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-115954178597222218?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/115954178597222218/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=115954178597222218' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/115954178597222218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/115954178597222218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/09/o-lugar.html' title='O Lugar.'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-115919703331491275</id><published>2006-09-25T10:21:00.001-03:00</published><updated>2010-07-27T21:22:50.840-03:00</updated><title type='text'>Arquitetura Seletiva.</title><content type='html'>O arquiteto Paul Rudolph, da velha guarda norte-americana, fez, há algum tempo, a seguinte observação sobre a arquitetura do século passado: [... &lt;em&gt;Não se pode resolver todos os problemas da arquitetura simultâneamente... É uma característica do século XX o fato de que os arquitetos são altamente seletivos ao determinar quais são os problemas que querem resolver. Mies (van Der Rohe), por exemplo, fez edifícios maravilhosos por que ignorou muitos aspectos do uso de um edifício. Se ele resolvesse mais problemas, sua arquitetura seria muito menos potente... ]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Paul Rudolph tem razão (devia estar pensando no edifício&lt;em&gt; Seagram&lt;/em&gt; ou na casa &lt;em&gt;Farnsworth&lt;/em&gt;); em Mies, insolação, conforto térmico, privacidade não são resolvidos - mas a lista de arquitetos que assim agem ou agiram é imensa: Philip Jhonson, Gordon Bunshaft, Craig Elwood, os Populistas em geral , L.C. , Oscar Niemeyer, Tadao Ando, Richard Meyer, Jean Nouvel, os imitadores de Mies do &lt;em&gt;International Style,&lt;/em&gt; etc.. Outro aspecto que nos chama a atenção nas contruções de muitos mestres é a temporalidade dos edifícios, existe uma maneira ou um descaso de fazer-se um tipo de arquitetura que não assimila o tempo, não envelhece bem; são feitos, como nota Kenneth Frampton, para serem fotografados quando concluídos e ainda não utilizados, para depois desaparecerem na história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria então um fator determinante da boa arquitetura este sacrifício deliberado de alguns aspectos funcionais ou construtivos das edificações que criassem obstáculos à tipologia tectônica pretendida? Acho que não, creio que é possível uma arquitetura livre da especulação imobiliária e do mercado, que se relacione bem com a paisagem urbana, o clima e a tradição construtiva local, adequada ao que pretende ser, "modesta", ligada à vida real; e enfrentar a realidade é, seguramente, uma maneira de se escapar do formalismo barato e do monumentalismo de opereta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O real também é o uso das tecnologias disponíveis, a serem escolhidas com discernimento e sabedoria... Aqui nunca é demais repetir um texto de Gaetano Pesce sobre o assunto, publicado na Domus 768:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[... quando irão os arquitetos convencer-se de que a superação autêntica do Movimento Moderno ocorrerá não apenas através da identificação de novas linguagens arquitetônicas, mas também com a ocorrência de novas tecnologias e o uso de novos materiais de construção? Mas de que maneira isto acontecerá? Por enquanto, certamente &lt;strong&gt;não &lt;/strong&gt;com técnicas que exijam mão de obra sofisticada. No mundo atual a maioria dos trabalhadores não é especializada, mas estes tem o direito de procurar os meios necessários a sua sobrevivência, em troca de sua força de trabalho pouco treinada. Nesta situação, cabe aos arquitetos produzirem projetos que não impliquem em detalhes e execução difíceis. Na verdade eu poderia dizer que nossos projetos deveriam prever métodos construtivos que, mesmo quando "mal-feitos", continuassem a ser altamente expressivos ao mesmo tempo que testemunhassem a realidade sócio-econômica-cultural do nosso tempo.... ]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Notem que este trecho não foi escrito por um arquiteto esquerdista do terceiro mundo (como seria previsível), mas por um sofisticado profissional italiano, membro do &lt;em&gt;"Star-System"&lt;/em&gt; internacional, com projetos espalhados desde os EUA , America Latina e Europa até a Ásia.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Euclides Oliveira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-115919703331491275?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/115919703331491275/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=115919703331491275' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/115919703331491275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/115919703331491275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/09/arquitetura-seletiva.html' title='Arquitetura Seletiva.'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.arqbrasil.com.br/_urb/euclidesoliveira/bairronovo/bn1_03.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31409361.post-115859740468793773</id><published>2006-09-18T13:28:00.000-03:00</published><updated>2006-09-18T13:36:44.700-03:00</updated><title type='text'>Na Boca da Noite</title><content type='html'>O galo morto,&lt;br /&gt;A garrafa de pinga,&lt;br /&gt;O charuto, a farofa,&lt;br /&gt;Na quebrada da esquina;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O atrás – dos- muros,&lt;br /&gt;Os anões dos jardins,&lt;br /&gt;O chegar devagar&lt;br /&gt;Do fim do dia;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora da Moura-Torta,&lt;br /&gt;Hora do cachorro louco,&lt;br /&gt;Hora do Velho-do-Saco,&lt;br /&gt;Hora de assombração;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pássaros quietos&lt;br /&gt;No alto das árvores,&lt;br /&gt;O bater das asas&lt;br /&gt;Dos morcegos no quintal;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prata da lua&lt;br /&gt;Nas folhas das bananeiras,&lt;br /&gt;O sopro do vento&lt;br /&gt;Nas cortinas que esvoaçam;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a mãe que não chega,&lt;br /&gt;O pai que não está,&lt;br /&gt;O restar, ficar só,&lt;br /&gt;Na boca da noite;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os desvãos ocultos&lt;br /&gt;Por pó e coisas velhas,&lt;br /&gt;A ameaça que reside&lt;br /&gt;Atrás de cada porta;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sombras que ficam&lt;br /&gt;No fim da escada,&lt;br /&gt;O sótão escuro,&lt;br /&gt;A lâmpada apagada;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bonde que passa,&lt;br /&gt;Os passos no pátio,&lt;br /&gt;Os roncos que vêm&lt;br /&gt;Do quarto ao lado;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a promessa quebrada,&lt;br /&gt;A jura descumprida,&lt;br /&gt;O mal não desfeito,&lt;br /&gt;A reza interrompida;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gaveta aberta,&lt;br /&gt;O retrato amarelado,&lt;br /&gt;A fita vermelha,&lt;br /&gt;A carta rasgada;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vestígio dos sons&lt;br /&gt;Que se foram com o dia,&lt;br /&gt;O latido dos cães&lt;br /&gt;Do fundo da noite;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gemido, de súbito,&lt;br /&gt;Do portão que se abre&lt;br /&gt;O assoalho que range,&lt;br /&gt;Alguém vai chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Quem?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Oliveira - 2005.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31409361-115859740468793773?l=palladioarquiteto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/feeds/115859740468793773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31409361&amp;postID=115859740468793773' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/115859740468793773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31409361/posts/default/115859740468793773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palladioarquiteto.blogspot.com/2006/09/na-boca-da-noite.html' title='Na Boca da Noite'/><author><name>PALLADIO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07127351269666724280</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='6' src='http://www.a
